O Carnaval, logo após 1930, como eu o via, conservava ainda dois elementos primaciais, que o configuravam co mo fenômeno social único. Primeiro, um resquício de brincadeira infantil, de alegria lúdica, de expansão física. Em segundo lugar, o caráter de quebra autorizada, válida somente de um determinado domingo a uma determinada terça-feira, da com postura moral e física exigida pela sociedade nos outros dias. No Carnaval, a sociedade fechava, benignamente, um dos olhos, não tanto ao sexo, que continuava reprimido, só um pouco menos, quanto ao formalismo que predominava nas relações humanas.
Nesse sentido, o Carnaval acabou, do momento em que substituiu a festa em que todos participavam pelo espetáculo em que alguns atuam e outros assistem. Que é hoje a sua principal manifestação senão o desfile de milhares de pessoas, exibindo plumas, para satisfazer milhões de olheiros televisivos? A festa informal virou festa coletiva organizada. Restam, sem dúvida, a música, a coreografia, o prazer dos olhos e dos ouvidos, numa réplica gigantesca e popular às representações teatrais eruditas. Mas tudo previsto, ensaiado, com comissão julgadora que atribui notas, aprovando ou reprovando, premiando ou rebaixando os concorrentes, devida mente inscritos e classificados em categorias. A expressão "escola de samba", ao nascer, era uma simples metáfora. Hoje, no que respeita à disciplina, passou a ser uma realidade.
(Adaptado de Décio de Almeida Prado. Seres, coisas, lugares.)
A alternativa em que se traduz INCORRETAMENTE o sentido de uma expressão do primeiro parágrafo do texto, considerando o contexto, é: