Considere a fábula a seguir para responder a questão.
“Estava um lobo a comer carne quando se lhe atravessou um osso na garganta, que o sufocava. Estando nesta aflição, pediu à garça que lhe valesse e que, com o seu pescoço comprido, lhe tirasse o osso da garganta, e que seria recompensada. A garça assim fez, e tirou-lhe o osso. Estando livre o lobo, pediu-lhe então a garça uma parte do muito que antes lhe oferecera. Porém o lobo respondeu-lhe: – Ó ingrata! Não te agradeci já o bastante por te ter deixado meter a cabeça dentro da minha boca, onde facilmente poderia apertar os dentes e matar-te? Não me peças recompensa, pois tu é que me deves favor, e bem ingrata és em não reconheceres tão grande benefício! Calou-se a garça, e ficou muito arrependida do que fizera, dizendo: – Nunca mais por gente ruim meterei a cabeça e a vida em semelhante perigo”.
(Fábulas de Esopo, com adaptações)
No trecho “Estando livre o lobo, pediu-lhe então a garça”, o termo “lhe” diz respeito: