Texto II
O sociólogo Zygmunt Bauman, em Burgos (Espanha), fala em entrevista sobre o impacto das redes sociais.
(...)
- P. As redes sociais mudaram a forma como as pessoas
- protestam e a exigência de transparência. Você é um
- cético sobre esse “ativismo de sofá" e ressalta que
- a Internet também nos entorpece com entretenimento
- barato. Em vez de um instrumento revolucionário, como
- alguns pensam, as redes sociais são o novo ópio do
- povo?
- R. A questão da identidade foi transformada de algo
- preestabelecido em uma tarefa: você tem que criar a sua
- própria comunidade. Mas não se cria uma comunidade,
- você tem uma ou não; o que as redes sociais podem gerar
- é um substituto. A diferença entre a comunidade e a rede
- é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence
- a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar
- as pessoas com quem você se relaciona. Isso faz com que
- os indivíduos se sintam um pouco melhor, porque a
- solidão é a grande ameaça nesses tempos individualistas.
- Mas, nas redes, é tão fácil adicionar e deletar amigos que
- as habilidades sociais não são necessárias. Elas são
- desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente
- com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você
- tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um
- diálogo. O Papa Francisco, que é um grande homem, ao
- ser eleito, deu sua primeira entrevista a Eugenio Scalfari,
- um jornalista italiano que é um ateu autoproclamado. Foi
- um sinal: o diálogo real não é falar com gente que pensa
- igual a você. As redes sociais não ensinam a dialogar
- porque é muito fácil evitar a controvérsia... Muita gente as
- usa não para unir, não para ampliar seus horizontes, mas
- ao contrário, para se fechar no que eu chamo de zonas de
- conforto, onde o único som que escutam é o eco de suas
- próprias vozes, onde o único que veem são os reflexos de
- suas próprias caras. As redes são muito úteis, oferecem
- serviços muito prazerosos, mas são uma armadilha.
- (...)
Disponível em https:/brasil.elpais.com/brasil/2015/12/30/cultura/1451504427_675885.html. Acesso em 07/07/2020.
“Elas são desenvolvidas na rua, ou no trabalho, ao encontrar gente com quem se precisa ter uma interação razoável. Aí você tem que enfrentar as dificuldades, se envolver em um diálogo" (linhas 19 a 23 do Texto II).
O termo “aí”, empregado na fala de Bauman, é uma marca de oralidade que pode ser substituída por qual expressão formal?
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Professor do Ensino Fundamental - Geografia
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