1 A rigor, não há um só momento em que a humanidade
esteja livre das preocupações ou das limitações que o tempo
lhe impõe. Isso se verifica com referência não só a um breve
4 giro de relógio, mas também à folhinha sobre a mesa. Tudo, e
sempre, fala do tempo que se escoa sem avanço e sem atraso,
mostrando-se, fazendo-se sentir no amadurecimento dos frutos,
7 na ida e vinda do calor e do frio, da chuva e da estiagem, no
montar e descer das marés, na infância que se torna juventude
e na velhice que tateia a morte, na memória que vacila e na
10 canção que se perde a distância!
A humanidade não pode fugir ao sacrifício que o tempo
lhe exige. Para não perder esse encontro fatal com o fugitivo
13 criador-destruidor, essa mesma humanidade passou toda a sua
história criando sistemas, construindo aparelhos, conferindo
dados, apelando para os astros no esforço de conhecer, medir,
16 controlar e, se possível, prender o esguio, o inexorável aliado
e inimigo, auxiliar e carrasco — o tempo!
Hernani Donato. História do calendário. São
Paulo: Melhoramentos, 1976 (com adaptações).
Com base no texto acima, julgue os itens subsequentes.
O autor do texto sugere que a humanidade firmou um pacto com o tempo.