Considere os excertos do texto a seguir para responder a questão seguinte:
Os bravos pezinhos de Goreti
Faz uns três meses, perdi a paciência e coloquei essa plaquinha aí:

Porque cansei de ver as pessoas entrarem na loja, olharem a vitrine e virarem pra um dos meninos do balcão: "Nossa, cara, você correu tudo isso?!" Mesmo se eu estivesse ali do lado, era com os homens que falavam: "Rapaz, esse tanto de medalha é seu? Parabéns, hein, meu!". Ai que ódio. Nunca perguntaram QUEM FOI que ganhou as medalhas. Presumiam que tinha sido um homem. Aí falei: peraí que vou acabar com essa festa. Mesmo assim tem gente que continua, pois acha que Dinorá é homem. Então tô pra bolar um outro jeito de deixar mais claro que essas conquistas são minhas, mulher aqui, ó, e não do zezinho ou joãozinho. Só que tem uma confusão aí, porque meu nome não é Dinorá, é Goreti. Eu te explico melhor esse negócio, só um minutinho.
— Benhê, dá uma olhada na loja que eu vou conversar com o rapaz.
O Benhê é meu marido. Toninho. Estamos juntos há 45 anos. Toninho pro resto, Benhê pra mim. Então. A loja é que se chama Dinorá, tá na fachada, em homenagem à nossa filha mais velha. Abrimos quando ela nasceu, em 1987, pra fazer carimbos, brindes, chaves, xerox. Mas desde o começo a freguesia confundiu, achou que Dinorá era a dona. Durante um tempo, até que eu tentei desfazer o mal-entendido, mas não funcionou e larguei mão. Todo mundo aqui me conhece por Dinorá. No fim é até bom, porque um dos tratos que eu tenho com o Benhê é de não falar de trabalho em casa. Jamais! Então, aqui dentro eu sou Dinorá e lá fora, Goreti. Nas corridas, Goretinha, por causa desse meu tamanho todo que você pode ver.
Mas deixa eu te falar. Quero te pedir pra não colocar no papel o meu nome junto da palavra idosa. Tenho 65 anos, não escondo de ninguém, mas idosa é de lascar. Eu vou viver até os 120, então tô só na metade do caminho. Quando eu passar dos 100 talvez eu deixe você escrever sobre a idosa que corre ultramaratona. Antes não. Agora, o "senhora" pode dispensar sempre. Isso é bobagem. O maior sinal de respeito é a gente lidar com qualquer pessoa de igual pra igual, não se colocar abaixo dela dando esses tratamentos de senhor e senhora. Pra mim todo mundo é você. E olha que levei muito tabefe por causa disso. Nós éramos dez irmãos e eu, desde criança, a única que se recusava a chamar meu pai de senhor. Eu falava "você" e lá vinha a mão dele na minha cara. Pra ele era uma afronta. Mas acho que eu nasci pra afrontar mesmo.
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Disponível em: https://tab.uol.com.br/colunas/trombadas/2022/05/19/os-bravos-pezinhos-de-goreti.htm?comment=109390714.
Os excertos transcritos dizem respeito ao gênero textual perfil jornalístico. Seu autor, Christian Carvalho Cruz, optou por usar a voz da perfilada, escrevendo o texto, majoritariamente, em primeira pessoa. Se tivesse escrito em terceira pessoa, feitos os ajustes linguísticos necessários (sobretudo nos verbos), estaria CORRETA a seguinte conversão: