Costuma-se descrever a ciência como uma sucessão de
descobertas, cada uma atribuída a uma mente excepcional. Essa
descrição é mais simples e, por isso, mais confortável. Porém, é
incompleta. Ideias científicas não emergem no vazio. Elas
dependem de um sistema que contém instrumentos, linguagem e
dados acumulados, bem como de comunidades capazes de
reconhecer e, principalmente, criticar seus significados. Para que
haja um desfecho por orientação vetorial que conduza ao que
conhecemos como a consagração de uma teoria, é preciso haver,
sobretudo, convergência.
Uma nova ideia pode se aproximar mais da verdade e,
ainda assim, permanecer estéril se os vetores do sistema
científico não estiverem suficientemente acoplados para
absorvê-la. Por outro lado, quando múltiplas linhas de evidência
passam a operar de forma coerente, mesmo ideias inicialmente
controversas tornam-se inevitáveis.
A consequência é que a história da ciência é menos uma
sucessão de lampejos isolados e mais a de sincronizações
oriundas de massas de dados e ideias que vão gradualmente se
articulando até que o peso de um novo paradigma se torne
insustentável.
Marcos Buckeridge. Quando as ideias encontram (ou não) o seu tempo.
Internet: (com adaptações).
Julgue o item seguinte, com base nas ideias e construções
linguísticas do texto precedente.
De acordo com o texto, na história da ciência, as sincronizações provenientes de massas de dados e de ideias que, aos poucos, se vão articulando têm mais peso que a sucessão de lampejos.
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