Leia o texto a seguir para responder à questão.
“POSTO QUE É CHAMA”:
VINICIUS BEBEU?
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja eterno enquanto dure.
É provável que o poeta Vinicius de Moraes tivesse, sim, tomado algumas doses de “cachorro engarrafado” – isto é, de uísque, que ele chamava de “o melhor amigo do homem” – quando escreveu sua obra-prima “Soneto de fidelidade”, que termina com os versos acima.
[...] Vinicius contrariou frontalmente a gramática tradicional com seu uso de posto que como conjunção explicativa (ou causal, dependendo do autor). O sentido dos versos é claro: o amor não é imortal, visto que é chama, isto é, por ser chama, mas o poeta deseja que, enquanto durar, tenha brilho infinito.
Só que Vinicius optou por não usar o visto que, que, além de caber na métrica, agradaria aos conservadores da língua. Foi mesmo de posto que, uma locução conjuntiva controversa.
Os gramáticos tradicionais atribuem a posto que valor exclusivamente concessivo, o mesmo de embora, como na seguinte frase: “Gosto dele, posto que seja meio antipático”. Para eles, qualquer uso diferente é erro e pronto.
O português brasileiro ignora há muitas décadas essa análise e insiste em empregar posto que com papel explicativo. Isso não se dá por ignorância, ou não só por ignorância: encontra acolhida entre falantes cultos e parece se basear numa análise alternativa da expressão. Regras mudam.
Deliberadamente ou não, Vinicius de Moraes, um dos mestres do português brasileiro, tomou o partido da língua viva – o que no caso dele faz o maior sentido – e deu ao pessoal da linha dura uma dor de cabeça infinita (enquanto durar) [...].
Assinale a alternativa na qual, de acordo com o texto, o uso de “posto que” segue o que está previsto nas gramáticas tradicionais.