INSTRUÇÃO: Leia parte de uma entrevista com a cientista Melanie Davies concedida ao jornal O Globo e responda a questão.
'Há uma década, as pessoas tinham diabetes com 55 anos, hoje são muitos com 25', diz pesquisadora principal do Mounjaro
Melanie Davies é uma das coordenadoras das diretrizes para diabetes tipo 2 da Sociedade Americana de Diabetes (ADA) e da Sociedade Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD). Há 15 anos, a médica está envolvida em ensaios clínicos direcionados em especial a novas terapias para diabetes tipo 2 e obesidade.
Davies foi investigadora principal em vários estudos com tirzepatida (princípio ativo do Mounjaro), incluindo o SURPASS 2, que comparou a tirzepatida com a semaglutida (princípio ativo do Ozempic e Wegovy) e mostrou que a tirzepatida alcançou reduções superiores no controle glicêmico (HbA1c) e na perda de peso em adultos com diabetes tipo 2.
Em entrevista exclusiva ao GLOBO, Davies, que é professora de Medicina do Diabetes na Universidade de Leicester, na Inglaterra, e diabetologista consultora honorária nos Hospitais Universitários de Leicester do NHS Trust (organização dentro do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido) responsável por administrar e prestar determinados tipos de serviços de saúde pública, falou sobre o aumento de casos de diabetes em pessoas jovens, os avanços no tratamento da condição, os desafios para os sistemas de saúde e o que esperar no futuro.
Por que o diagnóstico de diabetes tipo 2 tem sido cada vez mais cedo?
Existem fatores genéticos, mas também fatores de estilo de vida e sociais. A obesidade tem aumentado, os hábitos alimentares mudaram, há menos atividade física, mais poluição e fatores epigenéticos em jogo. Tudo isso contribui para o aumento da doença, especialmente entre os jovens. O diabetes tipo 2 representa cerca de 9 em cada 10 casos de diabetes no mundo, e os números estão aumentando de forma dramática em todas as regiões — tanto nos países em desenvolvimento quanto nos países ocidentais. Estamos vendo pessoas sendo diagnosticadas cada vez mais jovens. Há dez anos, no Reino Unido, a idade média era entre 50 e 60 anos. Hoje, temos muitos pacientes na faixa dos 20 ou 30 anos. A criança mais jovem que tratamos tinha 8 anos quando desenvolveu diabetes tipo 2. Então, há fatores genéticos, mas também há estilo de vida e eu diria fatores sociais, então sabemos que, em geral, as pessoas estão se tornando mais obesas e mais pessoas estão vivendo com obesidade e sobrepeso, sabemos que o estilo de vida das pessoas mudou e sabemos que a dieta e os fatores nutricionais das pessoas mudaram, mas também a poluição, o que chamamos de epigenética e genética, muitas coisas estão impulsionando esse aumento no diabetes tipo 2 e particularmente em pessoas mais jovens.
É possível reverter esse cenário?
A obesidade é um fator-chave. É importante reforçar que obesidade é uma doença — não falta de força de vontade ou culpa da pessoa. Pessoas com diabetes tipo 2 costumam apresentar resistência à insulina e falência das células beta, ou seja, o corpo não consegue produzir insulina suficiente para lidar com os níveis de glicose. Além disso, a biologia das incretinas — hormônios como GLP-1 e GIP — não funciona bem nesses pacientes, afetando apetite, saciedade, peso e produção de insulina.
[...]
Em todas as ocorrências a seguir, o verbo HAVER, impessoal, apresenta o mesmo sentido, EXCETO: