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4149322 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: IDIB
Orgão: CBM-SC
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Considere o texto a seguir para responder a questão

Entre Promessas e Tensões:

a Inteligência Artificial como Espelho da Condição Tecno-Humana

Antenor Teixeira de Almeida Júnior

A Inteligência Artificial ultrapassou há muito os limites da ficção científica, antes simbolizada por obras como Frankenstein (1818), de Mary Shelley, frequentemente evocada como uma reflexão inaugural sobre a criação de inteligências artificiais e suas implicações éticas. No século XXI, essa tecnologia consolidou-se como presença concreta no cotidiano, operando desde algoritmos que organizam informações até sistemas capazes de produzir textos, imagens e diagnósticos especializados. Ao assumir um papel mediador nas relações sociais, nas práticas educacionais e nas decisões institucionais, a IA impõe um desafio que vai além do entusiasmo ou do temor. Torna-se, portanto, imprescindível analisá-la de forma crítica, reconhecendo que seus efeitos positivos e negativos decorrem do fato de amplificar, simultaneamente, as potencialidades e as fragilidades humanas.

Entre os aspectos positivos, destaca-se a capacidade da IA de potencializar processos cognitivos e produtivos. No campo da educação, por exemplo, ela pode favorecer a personalização da aprendizagem, ampliar o acesso à informação e auxiliar estudantes com diferentes ritmos e necessidades. Em áreas como a saúde e a pesquisa científica, sistemas inteligentes contribuem para análises mais rápidas e precisas, otimizando tempo e recursos. Assim, quando utilizada de forma ética e orientada por critérios claros, a IA pode atuar como ferramenta de inclusão, eficiência e democratização do conhecimento.

Entretanto, os efeitos negativos do uso indiscriminado da Inteligência Artificial também merecem atenção. A dependência excessiva dessas tecnologias pode enfraquecer a autonomia intelectual, reduzindo o exercício do pensamento crítico e da criatividade. Além disso, algoritmos treinados com bases de dados enviesadas tendem a reproduzir desigualdades sociais, reforçando discriminações já existentes. Soma-se a isso o risco da substituição acrítica do trabalho humano, especialmente em contextos nos quais a lógica da produtividade se sobrepõe à dignidade social.

Outro ponto sensível diz respeito à dimensão ética e política da IA. A coleta massiva de dados, muitas vezes sem transparência, coloca em xeque a privacidade e o direito à autodeterminação informacional. Ademais, quando decisões relevantes passam a ser mediadas por sistemas opacos, surge o problema da responsabilização: quem responde pelos erros de uma máquina? Nesse sentido, a ausência de regulamentação adequada e de letramento digital e em IA da população amplia o abismo entre aqueles que dominam essas ferramentas e aqueles que apenas sofrem seus efeitos.

Dessa forma, o debate sobre a Inteligência Artificial não deve se limitar a uma oposição simplista entre progresso e ameaça. Trata-se, antes, de reconhecer que a IA é um artefato sociotécnico, cujos impactos dependem das escolhas humanas que orientam seu desenvolvimento e uso. Investir em educação crítica, em políticas públicas regulatórias e em uma ética da responsabilidade torna-se essencial para que essa tecnologia contribua para o bem comum, sem obscurecer aquilo que nos constitui como sujeitos pensantes, históricos e sociais.

Considerando a norma ortográfica vigente e o emprego correto da grafia no texto, assinale a palavra que segue a mesma regra do uso do hífen da palavra “tecno-humano”.

 

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