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Texto 5
No âmago de seu sistema psicológico encontra-se uma teoria
do desenvolvimento ontogenético que é, em muitos aspectos
centrais, uma teoria histórica e filogenética do desenvolvimento
individual. Representa essencialmente uma cosmogonia da
humanidade, em que as revoluções sociais e históricas
libertam-se do papel coadjuvante na constituição do ser
humano para tornarem-se protagonistas da revolução singular
em cada homem. Por isso, suas principais ideias são
demarcadas pelos sentidos de dialeticidade, dinamismo,
metamorfose, historicidade e gênese social.
Desde as primeiras investigações, a linguagem é basilar no
estudo sobre o desenvolvimento do pensamento e da
consciência. O materialismo histórico dialético sustenta todo
seu sistema teórico. A concepção psicológica vygotskiana é
erigida a partir do confronto e da inter-relação, cujo movimento
contínuo e ascendente desencadeia um vir-a-ser. Em síntese,
a dinâmica de relação do homem com o meio social o modifica
e modifica o meio; o desenvolvimento resulta do intercâmbio
entre o que já está internalizado (relativo a funções psicológicas
consumadas no psiquismo) e o que ainda está em processo de
internalização (relativo à transformação e à elaboração de
funções mais complexas e melhor sistematizadas); o
pensamento e a linguagem são interdependentes, sua mútua
relação origina o pensamento verbal; a aprendizagem e o
desenvolvimento se formam na e pela dialeticidade. Portanto,
toda a fundamentação teórica vygotskiana constitui-se por
forças dialeticamente opostas, teses e antíteses que originam
novos elementos, as sínteses, sempre provisórias. (p.110)
Alessandra Pimentel. A ludicidade na educação infantil: uma abordagem
histórico-cultural. Psic. da Ed., São Paulo, 26, 1º sem. de 2008, pp. 109-133.