O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
A Bola
O pai deu uma bola de presente ao filho, lembrando o prazer de ter ganhado a sua primeira. Agora era de plástico, mas ainda era uma bola. O garoto agradeceu:
— Legal! — e perguntou:
— Como é que liga? (...) Não tem manual de instrução?
— Não precisa. Você é quem faz coisas com ela.
— Ah, então é uma bola. Uma bola mesmo.
Depois, o pai o encontrou jogando videogame, com a bola nova ao lado. Algo chamado Monster Ball, em que times de monstrinhos disputavam a posse de uma bola em forma de blip eletrônico na tela ao mesmo tempo que tentavam se destruir mutuamente. O garoto era bom no jogo. Tinha coordenação e raciocínio rápido. Estava ganhando da máquina. Pegou-a, fez embaixadinhas e chamou:
— Filho, olha.
— Legal — respondeu o garoto, sem desviar da tela. O pai cheirou a bola, procurando o cheiro do couro de antigamente. Nada. Talvez um manual de instrução fosse uma boa ideia, pensou. Mas em inglês, para a garotada se interessar.
Luís Fernando VERÍSSIMO. Texto Adaptado Festa de Criança. São Paulo: Ática, 2000. p. 29 e 30