Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o
que não entendo − quero sempre ter a garantia de pelo
menos estar pensando que entendo, não sei me entregar
à desorientação. Como é que se explica que o meu
maior medo seja exatamente em relação: a ser? e no
entanto não há outro caminho. Como se explica que o
meu maior medo seja exatamente o de ir vivendo o que
for sendo?
Clarice Lispector
A paixão segundo G. H. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.
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