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3762364 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: UFAM
Orgão: UFAM

Considere o excerto do texto a seguir, da autoria de Rubem Alves, para responder à questão:

TREM

[...] Tem um erro de gramática que me dá arrepios. Quando eu ouço as pessoas dizendo: “Ele pediu pra mim ir lá...”; ou: “Quero silêncio pra mim dormir”, eu penso que o Tarzã se intrometeu demais no português, porque era o Tarzã que não falava “eu”: “Mim ama Jane, mim vai pescar...” Claro, esse era o Tarzã antigo, da roça. Os Tarzãs modernos estudaram em Oxford, falam português escorreito, castiço, clássico. Mas não tem jeito, e já me conformei. Onde já se viu “mim” fazer coisas? “Mim” não faz nada. Errado. “Mim” faz coisas. O povo decretou. É o jeito do povo falar que faz a língua. Eu mesmo me revolto contra o Aurélio. Escrevi: “os anús fazendo seus ruídos característicos...” A revisora me informou que a grafia certa da ave negra é anus, sem acento. Pode ser. Mas não quero que meu leitor se confunda. Por via das dúvidas e a bem da clareza, eu continuo a escrever anús, para que ninguém confunda o passarinho com o orifício terminal dos intestinos.

[...] Fonte: Rubem ALVES: Se eu pudesse viver minha vida novamente [recurso eletrônico]. Campinas, SP: Verus Editora, 2016, p. 64-66. [Edição eletrônica do Kindle].

No período "Eu mesmo me revolto contra o Aurélio", o autor se utilizou da seguinte figura de linguagem:

 

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