O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Os 'espelhos com IA' que estão mudando como
cegos se veem
Lucy Edwards, criadora de conteúdo cega conhecida por
falar sobre beleza e estilo, afirma que, durante muito
tempo, pessoas cegas ouviram que não podiam se ver e
que bastava serem bonitas por dentro. "De repente,
temos acesso a informações sobre nós mesmas e sobre
o mundo. Isso muda nossas vidas." A inteligência
artificial, por meio de reconhecimento de imagens e
processamento avançado, não apenas descreve
ambientes, como também avalia, compara e sugere
ajustes na aparência. Essa possibilidade altera a forma
como pessoas cegas se percebem.
"Certa manhã, após enviar uma foto, recebi a resposta
de que minha pele estava hidratada, mas distante do
padrão de perfeição exibido em anúncios de beleza",
disse uma entrevistada. "Pela primeira vez em muito
tempo, senti minha insatisfação com a aparência de
forma concreta." Helena Lewis-Smith, pesquisadora da
Universidade de Bristol, explica que pessoas que
buscam constantemente retorno sobre o corpo tendem a
apresentar menor satisfação com a própria imagem. A IA
agora amplia essa prática entre pessoas cegas.
A evolução é recente. Em 2017, segundo Karthik
Mahadevan, CEO da Envision, as descrições geradas
eram curtas e básicas. A empresa começou oferecendo
leitura de textos impressos e passou a integrar modelos
de IA em óculos inteligentes e assistentes digitais.
Embora muitos usuários recorram à tecnologia para
tarefas como ler cartas ou fazer compras, um número
significativo a utiliza para se maquiar ou combinar
roupas. A pergunta frequente é simples: "Como eu
aparento?"
Hoje, diversos aplicativos avaliam usuários com base em
padrões tradicionais de beleza, comparando-os a outras
pessoas e sugerindo mudanças. Para Lucy Edwards,
essa experiência é libertadora: depois de doze anos sem
enxergar, ela passou a pedir detalhes ou até uma nota
sobre sua aparência. No entanto, especialistas alertam
que os impactos podem ser ambíguos. Sistemas de IA
frequentemente reproduzem padrões de beleza
ocidentais, refletindo os dados com que foram treinados.
Lewis-Smith observa que a comparação constante
aumenta a pressão sobre o corpo e pode elevar os
índices de ansiedade, depressão e busca por
intervenções estéticas. Para pessoas cegas, o desafio é
maior, pois as descrições recebidas tornam-se referência
central, sem a possibilidade de conferência visual direta.
Além disso, o algoritmo não considera subjetividade nem
individualidade.
Em busca de respostas, uma entrevistada enviou
diversas fotos à versão mais recente do ChatGPT, na
tentativa de compreender como o aplicativo analisava os padrões de beleza. As respostas, porém, revelaram
limites: conceitos como "maxilar longo" permaneciam
difíceis de interpretar sem contexto.
Meryl Alper, pesquisadora da Northeastern University,
lembra que a imagem corporal envolve múltiplos fatores,
como contexto, experiências e capacidades do corpo,
elementos que a IA não capta de forma plena.
Historicamente, modelos de inteligência artificial
privilegiaram corpos magros, hipersexualizados e
eurocêntricos, reforçando padrões restritos. Como
descrevem tudo em termos estritamente visuais, podem
gerar insatisfação quando falta contextualização.
Há, contudo, certo grau de controle. O modo como a
pergunta é formulada altera a resposta. Mahadevan
afirma que a IA aprende preferências e ajusta
informações conforme o que a pessoa deseja receber.
Edwards reconhece que descrições poéticas ou breves
transformam sentimentos sobre si mesma, mas também
admite que a ferramenta pode reforçar inseguranças ao
sugerir mudanças específicas.
Outro risco são as chamadas "alucinações", quando a IA
apresenta informações imprecisas como verdadeiras.
Usuários relatam descrições equivocadas sobre cor de
cabelo ou expressões faciais, o que pode gerar
insegurança. Alguns serviços, como o Aira Explorer,
oferecem verificação por agentes humanos, mas, na
maioria dos casos, o "espelho textual" continua sendo
produzido exclusivamente pela máquina.
Pesquisadores ressaltam que ainda há poucas
investigações de grande escala sobre os impactos
emocionais dessas tecnologias. Para muitas pessoas
cegas, a experiência é simultaneamente empoderadora
e desorientadora. Ainda assim, os ganhos são claros: a
possibilidade de obter descrições detalhadas de fotos
pessoais ou da internet amplia a autonomia e a
sensação de pertencimento.
Para o bem ou para o mal, o espelho chegou. Agora,
pessoas cegas precisam aprender a conviver com aquilo
que ele revela e com as implicações de ver a si mesmas
por meio da inteligência artificial.
https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckgxpe0z4nwo.adaptado.
Assinale a alternativa correta quanto à nova pontuação, sem alteração do sentido original da frase.
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