O texto seguinte servirá de base para responder à questão.
Os ombros suportam o mundo.
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
Carlos Drummond de Andrade (1985).
"E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco."
Com base nos recursos expressivos empregados no fragmento, analise as assertivas a seguir.
I. Em "os olhos não choram", ocorre aliteração, uma vez que "olhos" representam o ser humano e sua capacidade de expressar emoções.
II. O trecho "o coração está seco" apresenta metáfora, sugerindo ausência de sentimentos e endurecimento emocional.
III. A repetição da conjunção "E" no início dos versos caracteriza anáfora, produzindo efeito de intensificação e continuidade.
IV. Em "as mãos tecem apenas o rude trabalho", há eufemismo, pois o trabalho é apresentado de maneira suavizada.
Está CORRETO o que se afirma em: