3878698
Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Santana Parnaíba-SP
Disciplina: Português
Banca: MS CONCURSOS
Orgão: Pref. Santana Parnaíba-SP
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Leia o texto para responder à próxima questão.
Como ensinar. (Rubem Alves).
Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as
lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e
jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e
perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de
outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para
ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.
Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras,
notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os
instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela
mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas
sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas
ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir
antes.
Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as
sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no
mundo encantado da fantasia. Aí então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela
desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e sílabas em
estórias.
É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta
para um mundo grande. Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e
então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e
experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de
batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das
batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos
dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que
não existem ainda.
Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e
nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do
lugar. E isso é muito bom.