À arte contemporânea frequentemente desafia os limites entre artista, obra e público, transformando a experiência estética em um campo de experimentação conceitual e social. Nesse contexto, diversas artistas mulheres alcançaram reconhecimento internacional ao desenvolver obras que exploram a participação do público, a memória histórica e as relações de poder. Entre essas artistas destacam -se Marina Abramovié, autora da performance Ritmo 0; Adriana Varejão, conhecida por obras como Azulejões e exposições internacionais como Otros cuerpos detrás no Museo Tamayo, no México; e Rosana Paulino, criadora da obra Bastidores. Essas obras exploram diferentes linguagens — performance, pintura/instalação e fotografia costurada — para discutir temas como violência simbólica, colonialidade e identidade.
Observe atentamente as imagens e textos a seguir.

Nessa performance, Marina Abramovié colocou-se passivamente diante do público durante várias horas, disponibilizando 72 objetos que poderiam ser utilizados livremente sobre seu corpo. A ação demonstrou como a participação do espectador pode transformar radicalmente a obra, revelando comportamentos extremos, inclusive situações de violência e agressão.

Esta é uma das obras da exposição Otros cuerpos detrás, 2018, e “utiliza carnes e azulejos para construir histórias fragmentadas e recontextualizadas” (Pereira, 2024).
Fonte: PEREIRA,A.C. F. Háalgo à espreita: O limiar do meu desconforto. 2024. 85f. Trabalho de Conclusão do Curso (Bacharelado em Artes Visuais) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2024.

E uma obra composta por um conjunto de fotografias de mulheres negras, reproduzidas sobre tecido e presas em bastidores em formato circular.
Considerando o contexto, analise os itens a seguir.
I - Os episódios de violência registrados em Ritmo 0, Imagem 20, evidenciam a vulnerabilidade do artista e a dimensão ética da interação artística. Essa é uma Performance e não pode ser considerada body art, pois o corpo da artista não constitui o principal suporte material daobra, embora a ação explore diretamente os limites físicos e simbólicos do corpo diante do público.
II - A obra da Imagem 21, de Adriana Varejão, utiliza o padrão ornamental dos azulejos coloniais portugueses para evocar a herança visual da colonização no Brasil. Ao rasgar simbolicamente essa superfície decorativa e expor uma massa que remete à carne, a artista cria uma metáfora visual que associa a estética refinada da cultura colonial às violências históricas que sustentaram o processo de colonização. Dessa forma, a obra confronta o observador com a contradição entre a aparência ornamental da tradição luso-brasileira e as relações de poder, exploração e conflito que marcaram o período colonial, transformando o azulejo em signo crítico damemóriahistórica.
III- Na obra Bastidores, Rosana Paulino utiliza fotografias de mulheres negras costuradas em bastidores de bordado, criando uma imagem na qual linhas atravessam ou suturam os rostos retratados. Essa estratégia visual transforma uma técnica tradicionalmente associada ao espaço doméstico em instrumento de crítica social, abordando racismo estrutural, memória histórica e a condição das mulheres negras.
IV- Observando as imagens 16, 17 e 18 apresentadas, percebe-se que as três artistas utilizam linguagens distintas — performance participativa, instalação com referências históricas e fotografia bordada — para discutir relações entre Arte e sociedade. Apesar das diferenças formais, suas obras convergem ao estimular reflexão crítica sobre violência simbólica, memória cultural e relações de poder.
É CORRETO o que sc afirma apenas em: