Magna Concursos
4256974 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Verbena
Orgão: Pref. Buriti Alegre-GO
Texto 1


Soneto da hora final
Será assim, amiga: um certo dia,
Estando nós a contemplar o poente,
Sentiremos no rosto, de repente,
O beijo leve de uma aragem fria.
Tu me olharás silenciosamente,
E eu te olharei também, com nostalgia,
E partiremos, tontos de poesia,
Para a porta de treva aberta em frente.
Ao transpor as fronteiras do Segredo,
Eu, calmo, te direi: — Não tenhas medo.
E tu, tranquila, me dirás: — Sê forte.
E como dois antigos namorados,
Noturnamente tristes e enlaçados,
Nós entraremos nos jardins da morte.

MORAES, Vinicius de. Soneto da hora final. In: MORAES, Vinicius de. Livro

de sonetos: 1957/1967. Organização de Eucanaã Ferraz. São Paulo:

Companhia das Letras, 2009. p. 30.

Nos versos “Sentiremos no rosto, de repente, / O beijo leve de uma aragem fria.”, o emprego das vírgulas, segundo as regras de pontuação, justifica-se por um fenômeno sintático. Esse mesmo fenômeno justifica o uso das vírgulas em:
 

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