Magna Concursos
4274093 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: Máxima
Orgão: Pref. Amparo Serra-MG

A Casa do Silêncio

O menino descobriu cedo que a janela era maior que o mundo.

Por ela, via nuvens que se inventavam de animais, de barcos, de gigantes. O céu lhe contava histórias que ninguém mais parecia ouvir.

A mãe, sempre apressada, dizia:

— Menino, larga essa janela, o mundo não se cabe aí!

Mas o menino sabia que a mãe se enganava. A janela era feita de silêncio, e no silêncio cabia tudo.

Quando o vento brincava com a cortina, ele acreditava que o tempo queria entrar. Estendia a mão, mas o tempo nunca se deixava segurar.

O pai, atrás do jornal, ria da distração do filho:

— Esse menino não vai crescer se viver de olhar o nada.

Mas o menino entendia que o nada era cheio de segredos.

Certa manhã, um pássaro pousou no fio. O bico aberto parecia uma palavra que não queria nascer.

E o menino aprendeu, sem professor algum, que nem todo canto precisava de som.

Anos se passaram.

Já homem, voltou à casa.

A janela estava menor, o vidro um pouco embaçado, a cortina cansada de tanto vento. Mas, ao abri-la, o mesmo pássaro — ou outro que o destino escolheu — pousava ali, silencioso.

O homem sorriu.

Percebeu, então, que não era ele quem olhava o mundo pela janela.

Era a janela que, desde sempre, olhava dentro dele.

(TORRES, Samuel – Bartolomeu C. Queiroz na escrita jovem – Ed. Literíssima; p.30)

“Quando o vento brincava com a cortina, ele acreditava que o tempo queria entrar.” A oração destacada EXPRIME em relação à posposta, uma:
 

Provas

Questão presente nas seguintes provas

Agente Comunitário de Saúde

40 Questões

Agente de Combate às Endemias

40 Questões