TEXTO 01
Pertencimento é a política pública
mais negligenciada do Brasil
O Brasil ainda não entendeu que jovens não se perdem sozinhos; eles são empurrados por estruturas frágeis, políticas desconectadas e vínculos rompidos. Como
fundador, psicólogo e diretor do Reflexões da Liberdade,
acompanhei milhares de trajetórias que mostram a mesma lógica: quando falta pertencimento, tudo falta. Quando
existe presença, tudo começa.
Lembro de um adolescente de 14 anos que me perguntou: “Tio, se a vida fosse diferente, eu também seria?”.
Essa pergunta resume a desigualdade emocional do país.
Ela não nasce da rebeldia, mas da solidão estrutural que
atravessa territórios vulneráveis, famílias exaustas e escolas
sobrecarregadas. A sociedade interpreta comportamentos
como problemas. Eu vejo respostas de sobrevivência. Dados confirmam essa realidade: insegurança alimentar, ausência de atividades formativas, serviços que não chegam e
jovens que caminham sem adultos disponíveis para orientá-los.(...)
No Reflexões da Liberdade, seguimos outra direção:
escuta qualificada, reconstrução emocional, acompanhamento contínuo e articulação com escola, saúde, assistência, justiça e empresas.(...) Transformação não é discurso;
é processo. Exige equipes treinadas, políticas integradas,
financiamento real e coragem moral para enfrentar desigualdades que se repetem há décadas. (...) Escrevo porque
ainda vejo, todos os dias, a vida voltando para os olhos de
alguém, quando finalmente encontra espaço para existir.
Se a vida fosse diferente, aqueles jovens seriam outros. E,
nós, enquanto sociedade, também seríamos.
Quando o Estado chega apenas depois do dano, ele
chega tarde. Quando a sociedade civil atua sozinha, ela
atua limitada.
Quando a escola tenta resolver tudo, ela se
esgota. Mas quando cada setor assume sua parte e age com
responsabilidade compartilhada, o jovem deixa de ser alvo
e passa a ser sujeito. (...)
(Disponivel https://www1.folha.uol.com.br/colunas/papo-de-responsa/2026/01//pertencimento-e-a-politica-publica-mais-negligenciada-
-do-brasil.Emerson Ferreira.Acesso 22.jan.2026. Texto adaptado)
“Quando o Estado chega apenas depois do dano, ele chega tarde. Quando a sociedade civil atua sozinha, ela atua limitada”.
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