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TEXTO I
O fim da política.
Nosso poder está no raciocínio, no conhecimento, na consciência e em nossas ações
Roberto Motta
O que você quer da política? Uma revolução que conserte todos os erros, coloque os bandidos na cadeia, livre os inocentes, corrija as injustiças e livre o país da corrupção? Não vai acontecer. Ninguém deve depender da política para ser feliz. Muito menos de revoluções. Especialmente de revoluções. Mas é isso que muitos esperam, inclusive pessoas que se acham “conservadoras”. Uma revolução.
Como já explicaram David Horowitz e Thomas Sowell, a disputa entre progressistas e conservadores é assimétrica. Progressistas vivem da política e para a política; conservadores só querem ser deixados em paz. Conservadores se envolvem em causas pontuais para defender direitos, enquanto para o militante progressista, tudo é oportunidade para ocupar espaços. Para estes, como já ensinou Saul Alinsky, “a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder”.
O modelo “democrático” incentiva o populismo irresponsável, o uso pessoal do poder e a degradação constante das finanças e da liberdade. Tudo o que o político precisa para alcançar o poder máximo são votos; cria-se então um óbvio incentivo para que ele minta, fraude eleições e compre votos, e para que seja irresponsável no exercício do poder. Niall Ferguson explicou isso em “A Grande Degeneração”, Karsten e Beckman em “Além da Democracia” e Hans-Hermann Hoppe em “Democracia, o Deus Que Falhou”.
Até que isso mude, políticos ruins serão substituídos por políticos piores. Exceções são raras. Isso não é acidente, mas a consequência inevitável. Essa não é uma postura derrotista. É uma visão realista. Não estou dizendo que está tudo perdido e que nada vale a pena. Ao contrário: afirmo que a vida é maravilhosa, cheia de possibilidades e que o progresso abriu inúmeras oportunidades de felicidade e realização pessoal – mas isso depende principalmente da ação individual. A política é apenas um instrumento – incompleto, imperfeito e sempre injusto. Não podemos depender dele.
Não dependa da política, dos políticos ou do Estado para nada. Construa sua vida, se desenvolva, cuide de sua família e proteja seus direitos de todas as formas possíveis. Acima de tudo, não transforme a frustração com a política em uma intolerância que vai encher a vida de rancor e ressentimento.
Nosso grande poder não está no voto, como os políticos querem nos fazer acreditar. Nosso poder está no raciocínio, no conhecimento, na consciência e em nossas ações. Apesar de tudo – apesar dos políticos – é possível prosperar e ser feliz, exercendo de forma consciente as faculdades que nos foram dadas por Deus.
Na política, nossas escolhas serão sempre pela alternativa menos ruim. As escolhas que fazemos em nossas vidas devem ser exatamente o contrário.
Fonte: MOTTA Roberto. O fim da política. https://revistaoeste.com/revista/edicao-319/o-fim-da-politica/
Sobre as ideias presentes no texto I, analise cada afirmação abaixo antes de julgar o que será pedido.
( ) Nota-se, no primeiro parágrafo, a apresentação de uma estratégia de discurso edificada a partir de perguntas retóricas as quais condicionam estrategicamente uma complacência em torno de um pensamento benéfico comum. Na sequência, tal imagem é desconstruída ao se inserir a tese sobre a qual o texto se desenvolverá por meio de argumentos.
( ) Percebe-se que a partir do segundo parágrafo, o autor prescinde do uso do discurso direto por meio da citação de autores e intelectuais que, como ele, desenvolveram o mesmo pensamento crítico sobre a temática abordada.
( ) No segundo parágrafo, ao fazer menção à fala de Saul Alinsky, “a questão nunca é a questão, a questão é sempre o poder”, o autor deixa claro como tanto o pensamento de Conservadores quanto o de progressistas podem se mostrar nocivos ao bem-estar coletivo.
( ) Expõem-se, no terceiro parágrafo, procedimentos tomados por ditos “populistas”, os quais se aproveitam do modelo “democrático” para colocarem em prática ações que visem à sua manutenção no poder, haja vista, como fora observado no parágrafo anterior, que, para estes, “a questão é sempre o poder”.
( ) Mostra-se, no quarto parágrafo, que a substituição de representantes ruins por outros piores é algo inato à política, o que reforça a ideia de que o indivíduo deva buscar sua emancipação nesse contexto, na busca por algo mais profícuo para sua existência.
Considerando-se V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas, pode-se afirmar pela ordem que a sequência correta é: