Texto para a questão.
Metodologias ativas para uma aprendizagem mais profunda
Num sentido amplo, toda a aprendizagem é ativa em algum grau, porque exige do aprendiz e do docente formas diferentes de
movimentação interna e externa, de motivação, seleção, interpretação, comparação, avaliação, aplicação.
Aprendemos também de muitas maneiras, com diversas técnicas, procedimentos, mais ou menos eficazes para conseguir os
objetivos desejados.
As metodologias precisam acompanhar os objetivos pretendidos. Se queremos que os alunos sejam proativos, precisamos
adotar metodologias em que os alunos se envolvam em atividades cada vez mais complexas, em que tenham que tomar decisões
e avaliar os resultados, com apoio de materiais relevantes. Se queremos que sejam criativos, eles precisam experimentar inúmeras
novas possibilidades de mostrar sua iniciativa.
As metodologias ativas são caminhos para avançar mais no conhecimento profundo, nas competências socioemocionais e em
novas práticas.
As escolas que nos mostram novos caminhos estão mudando para modelos mais centrados em aprender ativamente com
problemas reais, desafios relevantes, jogos, atividades e leituras, valores fundamentais, combinando tempos individuais e tempos
coletivos; projetos pessoais de vida e de aprendizagem e projetos em grupo. Isso exige uma mudança de configuração do currículo,
da participação dos professores, da organização das atividades didáticas, da organização dos espaços e tempos.
Quanto mais aprendamos próximos da vida, melhor. Teóricos como Dewey (1950), Freire (2009), Rogers (1973), Novack
(1999), entre outros, enfatizam, há muito tempo, a importância de superar a educação bancária, tradicional e focar a aprendizagem
no aluno, envolvendo-o, motivando-o e dialogando com ele.
A aprendizagem é mais significativa quando motivamos os alunos intimamente, quando eles acham sentido nas atividades que
propomos, quando consultamos suas motivações profundas, quando se engajam em projetos em que trazem contribuições, quando
há diálogo sobre as atividades e a forma de realizá-las.
Além da mobilidade, há avanços nas ciências cognitivas: aprendemos de formas diferentes e em ritmos diferentes e temos
ferramentas mais adequadas para monitorar esses avanços. Podemos oferecer propostas mais personalizadas, monitorando-as,
avaliando-as em tempo real, o que não era possível na educação mais massiva ou convencional.
A tecnologia em rede e móvel e as competências digitais são componentes fundamentais de uma educação plena. Um aluno
não conectado e sem o domínio digital perde importantes chances de informar-se, de acessar materiais muito ricos disponíveis, de
comunicar-se, de tornar-se visível para os demais, de publicar suas ideias e de aumentar sua empregabilidade futura.
A convergência digital exige mudanças muito mais profundas que afetam a escola em todas as suas dimensões: infraestrutura,
projeto pedagógico, formação docente, mobilidade. A chegada das tecnologias móveis à sala de aula traz tensões, novas
possibilidades e grandes desafios. São cada vez mais fáceis de usar, permitem a colaboração entre pessoas próximas e distantes,
ampliam a noção de espaço escolar, integrando os alunos e professores de países, línguas e culturas diferentes. E todos, além da
aprendizagem formal, têm a oportunidade de se engajar, aprender e desenvolver relações duradouras para suas vidas.
Os bons materiais (interessantes e estimulantes, impressos e digitais) são fundamentais para o sucesso da aprendizagem.
Precisam ser acompanhados de desafios, atividades, histórias, jogos que realmente mobilizem os alunos, em cada etapa, que
lhes permitam caminhar em grupo (colaborativamente) e sozinhos (aprendizagem personalizada) utilizando as tecnologias mais
adequadas (e possíveis) em cada momento.
O papel do professor é ajudar os alunos a ir além de onde conseguiriam fazê-lo sozinhos. Até alguns anos atrás, ainda fazia
sentido que o professor explicasse tudo e o aluno anotasse, pesquisasse e mostrasse o quanto aprendeu.
Hoje a forma de fazer isso mudou bastante. Sobre qualquer tema, há textos, vídeos e animações muito ricos, variados, que
transmitem as informações básicas de forma adequada. O professor seleciona os mais relevantes e elabora um roteiro orientador
para os alunos no ambiente virtual. Os alunos leem, veem e fazem algumas atividades previstas e em classe o professor ajuda
os alunos na ampliação do conhecimento prévio que eles trazem e adapta as atividades aos grupos e à cada aluno, sempre que
possível. O papel do professor é o de ajudar na escolha e validação dos materiais mais interessantes, (impressos e digitais),
roteirizar a sequência de ações prevista e mediar a interação com o grande grupo, com os pequenos grupos e com cada um dos
alunos. É um papel mais complexo, flexível e dinâmico. Antes podia preparar uma mesma aula para todos, a mesma atividade
para todos. Hoje precisa ir além e concentrar-se no essencial, que é aprofundar o que os alunos não percebem, ajudar a cada um
de acordo com o seu ritmo e necessidades e isso é muito mais difícil e exige maior preparação em todos os sentidos: preparação
em competências mais amplas, além do conhecimento do conteúdo, como saber adaptar-se ao grupo e à cada aluno; planejar,
acompanhar e avaliar atividades significativas e diferentes.
José Moran. Disponível em: https://moran.eca.usp.br/wp-content/uploads/2013/12/metodologias_moran1.pdf. Acesso em: 6 jan.2026.
Provas
Questão presente nas seguintes provas