Texto 1
CANÇÃO DO EXPEDICIONÁRIO
Você sabe de onde eu venho?
Venho do morro, do Engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
Eu venho da minha terra,
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma da minha mão,
Braços morenos de Moema,
Lábios de mel de Iracema
Estendidos para mim.
Ó minha terra querida
Da Senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim!
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que tenho
No bojo do meu violão;
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreno,
Meu limão, meu limoeiro,
Meu pé de jacarandá,
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,
Onde canta o sabiá.
Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,
Onde o nosso amor nasceu;
Do rancho que tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,
Do mais dourado amarelo,
Do azul mais cheio de luz,
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,
Fazendo o sinal da Cruz!
Por mais terras que eu percorra,
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;
Sem que leve por divisa
Esse “V” que simboliza
A vitória que virá:
Nossa vitória final,
Que é a mira do meu fuzil,
A ração do meu bornal,
A água do meu cantil,
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
Disponível em https://museuvirtualdafab.eb.mil.br/cancao-expedicionario/ (museuvirtualdafab.eb.mil.br in Bing). Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
CONTEXTUALIZAÇÃO
Há 80 anos, em 8 de maio de 1945, a Europa calava seus canhões. Para o Brasil, essa data vai além da memória global: ela eterniza a Força Expedicionária Brasileira (FEB) como um dos mais nobres símbolos de coragem e amor à pátria - um legado que inspira gerações e honra a história do nosso país. O Dia da Vitória, celebrado mundialmente em 8 de maio, representa a rendição incondicional das forças do Eixo aos Aliados e o fim oficial da Segunda Guerra Mundial na Europa. No Brasil, é também o momento de honrar os 25 mil combatentes da FEB, que levaram o nome da pátria aos campos de batalha italianos e regressaram como heróis da liberdade.
Disponível em https://www.eb.mil .br/web/noticias/w/dia-da-vitoria-80-anos-depois-o-brasil-reverencia-seus-herois-da-liberdade-1. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
Texto 2
De volta ao básico: soldados finlandeses recorrem a mapas de papel para aprender a lidar com bloqueios de GPS
Soldados finlandeses estão treinando com mapas de papel e bússolas para garantir que consigam operar em locais onde a atividade inimiga torne o GPS indisponível. O coronel Matti Honko, comandante do Regimento Jaeger da Guarda Finlandesa, destacou que a ferramenta de navegação por satélite, conhecida como Sistema de Posicionamento Global, ou simplesmente GPS, é vulnerável a interferências. As informações são do Business Insider.O conflito na Ucrânia tem sido marcado por uma intensa guerra cibernética de ambos os lados.B) Tanto Kiev quanto Moscou utilizam táticas como bloqueio de sinal, falsificação de GPS e outros métodos de interferência remota para confundir e desativar o armamento inimigo. A interferência no GPS, por exemplo, tem causado problemas para os sistemas de combate — desde drones baratos até munições guiadas sofisticadas.
Para garantir segurança e prontidão em locais onde o GPS não é uma opção, os soldados da Guarda Finlandesa estão usando mapas de papel. “Acho que todos reconheceram o fato de que o GPS pode ser falsificado, e você pode não ser capaz de confiar nele”, afirma Honko.Apesar disso, o coronel disse que a Finlândia não está abandonando completamente o uso do GPS.C) Em vez disso, os soldados estão sendo ensinados a não depender exclusivamente dele e a aprender a verificar a veracidade dos dados fornecidos pelo sistema, já que podem ser facilmente falsificados e estar fora de sincronia com a situação real.
Honko afirma que esse treinamento está sendo realizado em todo o Exército Finlandês, bem como na Marinha e na Força Aérea do país. Segundo ele, a proximidade da Finlândia com a Rússia obriga o país a treinar alternativas, já que o bloqueio de sinal de GPS é uma estratégia comumente usada em áreas de defesa da cidade vizinha de São Petersburgo, na Rússia.Os desafios trazidos pelos ataques cibernéticos não são exclusivos da guerra na Ucrânia.A) No Oriente Médio, por exemplo, a interferência de GPS tem ocorrido nos conflitos entre Israel e grupos aliados do Irã. A tática também tem sido um problema no Mar Vermelho, onde forças navais ocidentais passaram mais de um ano e meio defendendo rotas marítimas de ataques de rebeldes houthis no Iêmen.
Quanto aos militares finlandeses, eles estão monitorando de perto as práticas de guerra eletrônica em constante desenvolvimento e planejando cenários em que essas estratégias possam ser testadas em combate. E não estão sozinhos. Empresas do setor de defesa também estão se certificando de que seus produtos sejam mais resistentes a certos tipos de bloqueios e manipulações. Um exemplo disso é a Saildrone, uma empresa americana que fabrica embarcações de superfície não tripuladas para serviço de forças navais, incluindo a Marinha dos EUA.Richard Jenkins, fundador e CEO da Saildrone, explicou que a empresa integrou tecnologia aos seus veículos de superfície não tripulados (USVs), permitindo que eles operem em ambientes onde o GPS e as comunicações estão comprometidos ou indisponíveis. Segundo Jenkins, alguns dos drones da empresa operados pelos militares dos EUA no Oriente Médio têm navegado em áreas com sinal falsificado há meses.
Jenkins disse acreditar que esse é o futuro da guerra. “Acho que, em um conflito real, os satélites serão a primeira coisa a desaparecer completamente.” Ele acrescenta ainda que todos precisam descobrir como sobreviver sem satélites, GPS e comunicações. E, para os militares, isso significa não apenas desenvolver novas tecnologias, mas também garantir que habilidades básicas sejam preservadas.Disponível em https://epocanegocios.globo.com/tecnologia/noticia/2025/06/de-volta-ao-basico-soldados-finlandeses-recorrem-a-mapas-de-papel-para-aprender-a-lidar-com-bloqueios-de-gps.ghtml. Acesso em 11 set 25. (texto adaptado)
A metonímia é um recurso estilístico que consiste na substituição de um termo por outro com o qual mantém uma relação de proximidade ou contiguidade. Em “Canção do Expedicionário” (texto 1), a metonímia se faz presente em vários momentos – “Braços mornos de Moema,”; “Venho do verde mais belo,” – numa tentativa de trabalhar com representações simbólicas do Brasil que se quer lembrar e homenagear no texto.
Assinale a alternativa que apresenta um fragmento do texto 2 em que também se tenha utilizado o recurso estilístico da metonímia.