No campo da cultura popular brasileira, determinadas
manifestações articulam musicalidade percussiva,
teatralidade simbólica e organização comunitária,
constituindo-se como patrimônio imaterial de expressiva
densidade histórica. Em certa celebração do Sudeste do
país, grupos estruturados em guardas ou ternos realizam
cortejos coreografados pelas ruas, ostentando
fardamentos específicos, bastões, espadas e
instrumentos de percussão. A encenação envolve
hierarquias internas — como reis, rainhas, capitães e
embaixadores — e reelabora, em chave festiva,
memórias de reinos africanos cristianizados, integrando
canto responsorial, dança marcada e dramatização ritual.
O conjunto expressivo mantém vínculos com calendários
festivos de matriz histórico-religiosa e com formas
associativas comunitárias consolidadas ao longo do
período colonial e pós-colonial. A descrição acima
refere-se