I. A autora identifica que, na gênese do Serviço Social brasileiro, a profissão fundamentou-se no ideário católico, particularmente no tomismo e neotomismo, bem como na Doutrina Social da Igreja, o que imprimiu à profissão um caráter de apostolado e uma abordagem da “questão social” como problema moral e religioso.
II. Yazbek afirma que, a partir dos anos 1940, o Serviço Social brasileiro incorporou a matriz positivista como suporte técnico-científico, o que configurou o que Iamamoto denomina de “arranjo teórico-doutrinário”, caracterizado pela junção do discurso humanista cristão com o referencial técnico de inspiração positivista.
III. Segundo a autora, o Movimento de Reconceituação latino-americano produziu uma vertente teórico-metodológica que se consolidou hegemonicamente no Serviço Social brasileiro já nos anos 1970.
IV. Yazbek destaca que, nos anos 1980, a obra de Marilda Iamamoto inaugurou uma efetiva interlocução do Serviço Social com a teoria social de Marx, que se tornou hegemônica no debate profissional e passou a orientar o projeto ético-político, as diretrizes curriculares e o Código de Ética de 1993.
V. A autora aponta que, nos anos 1990 e 2000, o Serviço Social brasileiro consolidou sua produção de conhecimentos com a expansão da pós-graduação e enfrentou o debate com o pensamento pós-moderno (que questiona as “metanarrativas” e a razão), ao mesmo tempo em que manteve a hegemonia do projeto profissional de ruptura com o conservadorismo.