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Acredita quem quer
Por Helô Bacichette
Algum tempo atrás, cruzando a Serra, vi uma daquelas tendas que surgem de repente
___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco: imagens de santos, tapetes, vasos,
quadros e esculturas de todos os tipos e tamanhos. Procurava uma pequena imagem para levar
comigo quando um homem se aproximou do atendente e fez um pedido inusitado.
— O senhor tem uma escultura de extraterrestre? — perguntou com naturalidade, como
quem pede um santo de devoção.
Falava sério. Segundo ele, os extraterrestres estavam por aí, observando tudo. Uma
estátua grande ajudaria a marcar presença, como quem acena para alguém que passa lá no
alto. O vendedor apontou para o fundo da tenda. Lá estavam eles: seres verdes de olhos
grandes, enfileirados ao lado de anjos e arcanjos, como se também aguardassem por quem
acreditasse neles. Enquanto o homem examinava as peças com atenção, fui tomada por uma
daquelas perguntas que não cabem em prateleiras: por que será que, mesmo quando
imaginamos o desconhecido, damos a ele formas tão parecidas com as nossas?
Fiquei pensando naquela convivência improvável: de um lado, santos de olhar
compassivo esperando as preces da Terra. Do outro, a ideia de um ET verde gigante, erguido
talvez no quintal de alguém, esperando ser visto do céu.
Talvez por isso eu tenha relacionado aquele acontecimento na tenda ___ notícia de um
rapaz do Paraná que afirmava ter presenciado a passagem de um objeto estranho no céu.
Bastou a história circular nas redes para surgirem dúvidas, piadas e julgamentos. A maioria
parecia convencida de que ele inventara tudo. Talvez sim. Talvez não. O que me chamou ___
atenção foi a rapidez com que decidimos o que é impossível. Quando o assunto desafia nossas
certezas, a descrença costuma correr mais depressa do que a curiosidade.
Naquela tenda de estrada, conviviam sem conflito o sagrado, o imaginado e o
inexplicável. Cada um levando para casa aquilo em que escolhia acreditar. Talvez seja assim
que o mundo se equilibre: entre a fé, a dúvida e a imaginação. Não sei se o homem encontrou
a estátua que procurava. Eu saí de lá com minha pequena imagem de santo e com uma dúvida
silenciosa: e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se
reconhecer?
Desde então, sempre que passo por alguma tenda de beira de estrada e vejo uma dessas
figuras verdes de olhos enormes, lembro daquele encontro improvável e sorrio sozinha. Porque,
no fim das contas, existem histórias que não precisam de provas nem explicações. Afinal, só
acredita quem quiser.
(Disponível em: gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/06/acredita-quem-quiser-cmqbiedyv02au016tdgsx6dc0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
• “vi uma daquelas tendas que surgem de repente ___ beira da estrada, onde se encontra de tudo um pouco”.
• “e se, de algum modo, aquele homem buscasse um espelho onde pudesse se reconhecer?”
Sobre o emprego do pronome relativo “onde” nesses trechos, analise as assertivas abaixo, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas:
( ) No primeiro período, a palavra “onde” pode ser substituída por “aonde”.
( ) No segundo período, “onde” pode ser substituído por “cujo”.
( ) Em ambos os períodos, “onde” pode ser substituído por “em que”.
( ) No primeiro período, “onde” pode ser substituído por “nas quais” e no segundo, por “no qual”.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: