“Não ___ nada menos natural do que ler” para os seres humanos. É o que aponta a
pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf. Essa habilidade, embora culturalmente construída,
transforma profundamente a organização cognitiva do cérebro humano e isso não é, de forma
alguma, algo ruim. Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma
programação genética nos humanos para aprender a ler.
A leitura implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.
“Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com
o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e
compartilhar conhecimento”, ressalta a neurocientista Maryanne Wolf. “Ler é um conjunto
adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro. Permite fazer novas conexões entre
regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção”, completa. Essas
conexões têm papel fundamental na construção do pensamento crítico.
“Quando lemos em um nível superficial, estamos apenas obtendo a informação. Quando
lemos profundamente, estamos usando muito mais do nosso córtex cerebral”, explica
Maryanne Wolf. “Leitura profunda significa que fazemos analogias e inferências, o que nos
permite sermos humanos verdadeiramente críticos, analíticos e empáticos”, Wolf
complementa. Mas, enquanto o processo de aprender a ler muda nosso cérebro, o mesmo
acontece com o que lemos e como lemos.
“Reunimos acadêmicos e cientistas de mais de 30 países para pesquisar o impacto das
mídias digitais na leitura”, afirma Anne Mangen, à frente da E-READ (Evolução da Leitura na
Era da Digitalização), organização cujo objetivo é melhorar a compreensão científica das
implicações da digitalização da cultura. Segundo o programa, “a pesquisa mostra que a
quantidade de tempo gasto na leitura de textos longos está diminuindo e, devido ___
digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada”, algo que poderia
“ter um impacto negativo nos aspectos cognitivos emocionais da leitura”. Nesse cenário, o
cérebro está sendo continuamente desafiado a adaptar seus modos de processamento textual.
Em outras palavras, assim como ao aprender a ler da maneira tradicional o cérebro formata e
registra os itinerários da razão e os caminhos para ___ emoção, ao aprender a ler da maneira
como fazemos nas mídias digitais o cérebro traçará diferentes trajetórias e, se deixarmos a
leitura profunda de lado, ele apagará as anteriores, caso tenham um dia existido.
I. Anne Mangen, neurocientista da leitura e coordenadora do projeto E-READ, afirma que, por consequência da digitalização, a leitura está se tornando mais acessível e constante.
II. A leitura envolve a assimilação de um código simbólico relacionado à visão e aos processos cognitivos, constituindo-se como uma capacidade geneticamente programada no ser humano.
III. Com a consolidação dos sistemas alfabéticos, passou-se a dispor de um mecanismo eficiente para armazenar e compartilhar saberes.
Quais estão corretas?