TEXTO III
Lançada em 2015, a animação Divertida Mente tem como protagonista a menina Riley, que se vê obrigada a mudar de cidade com os pais. Acompanhamos o seu processo de adaptação na vida nova e assistimos como as cinco emoções (Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojinho) regem seu comportamento. Através de personagens lúdicos, observamos o funcionamento cerebral de Riley e como ela se comporta socialmente. Divertida Mente trata de um tema complexo (a máquina do nosso pensamento) a partir de uma abordagem singela e didática. Não por acaso, o longa-metragem recebeu os mais importantes prêmios de melhor filme de animação (Oscar, BAFTA e Globo de Ouro).
Cada emoção essencial de Divertida Mente possui um desenho específico que se relaciona diretamente com o sentimento que representa. A Alegria, por exemplo, tem um formato corporal que nos lembra uma estrela. O Medo, por sua vez, tem contornos de um nervo e é roxo. Nojinho é inteiramente verde e nos recorda um brócolis (comida que Riley não aprecia). A Raiva é como um tijolo: retangular, vermelho e pesado. A Tristeza tem um contorno de gota, como uma lágrima, e é azul. Após assistirmos à animação, notamos como não existem sentimentos bons e ruins, todos os sentimentos são necessários para o nosso desenvolvimento psíquico.
Ao contrário do que nos faz crer a sociedade contemporânea, a tristeza é essencial para a nossa vida. O nojo também é importante, porque de certa forma nos protege. O medo também não deve ser desprezado porque nos mantém em segurança.
Aprendemos, a partir da observação do cérebro de Riley, como acontecimentos externos repercutem em nós internamente e como a nossa personalidade está intrinsecamente relacionada às nossas memórias. Somos aquilo que vivemos e as memórias vão sendo armazenadas carregadas de sentimentos.
O filme nos ajuda a entender o nosso funcionamento cerebral e faz com que sejamos capazes de lidar melhor com os nossos sentimentos.
Divertida Mente chama a atenção para analisarmos de forma diferente as situações e estarmos mais alerta para as conexões que fazemos. Não é raro, depois de assistirmos ao longa, refletirmos sobre quem estará na sala de comando e quais serão os sentimentos envolvidos nas interações que temos. Ao termos consciência de como o corpo processa o que foi vivido, entendemos melhor os nossos conflitos emocionais e respeitamos as nossas limitações internas, ao mesmo tempo que podemos escolher desafiá-las.
O filme também nos ensina a importância de aceitarmos as experiências negativas porque elas são essenciais para a formação do nosso caráter.
(Adaptado de https://www.culturagenial.com/filme-divertida-mente. Acesso em 14/07/2025)
TEXTO IV
O Leão Covarde
Por todo esse tempo, Dorothy e os companheiros andaram em meio à densa floresta.
— Quanto tempo leva para sairmos da floresta? — perguntou ela ao Lenhador.
— Não sei, nunca fui à Cidade das Esmeraldas. Meu pai foi uma vez. Disse que a viagem é longa e o percurso, perigoso, mas tudo fica bonito próximo à cidade onde vive o Grande Oz. Não temos o que temer. Trouxe a lata de óleo, o Espantalho não se machuca e você traz na testa a marca que a protege de qualquer perigo.
— Mas e Totó? O que vai protegê-lo?
— Nós o protegeremos, caso corra perigo — disse o Lenhador.
Nesse exato momento, ouviu-se um terrível rugido, e um leão enorme surgiu no meio do caminho. Bastou erguer uma pata para o Espantalho voar para fora da estrada. Atacou o Lenhador de Lata com garras afiadas.
O cachorrinho tinha, agora, um inimigo pela frente. Correu em direção à fera, e o leão abriu a bocarra para devorá-lo(A). Dorothy, sentindo que poderia perder o amigo, sem avaliar o perigo, avançou e deu um tapa no focinho do leão. Gritou:
— Você não vai morder o Totó! Onde já se viu bicho do seu tamanho brigar com cachorrinho tão pequeno? Não tem vergonha, não?
— Mas eu não mordi — disse o Leão, esfregando a pata no focinho, onde a menina tinha batido.
— Não, mas tentou. Você não passa de um covarde.
— Eu sei disso — disse o Leão, baixando a cabeça, envergonhado. — Sou mesmo um covarde, o que posso fazer?
— E eu é que vou saber? Imagine, atacar um homem de palha como o Espantalho!
— Ele é de palha, é? — perguntou o Leão, surpreso, ao ver Dorothy erguer o companheiro.
— É claro que é! — respondeu ela, ainda furiosa.
— Ah, então foi por isso que caiu fácil. Fiquei surpreso ao vê-lo sair voando(B). O outro também é de palha?
— Não, é de lata — enquanto falava, ajudava o Lenhador a ficar em pé.
— Então foi por isso que estraguei as unhas. Quando arranharam a lata, senti um frio na espinha. E esse animal de que você gosta tanto, o que é?
— É Totó, o meu cachorro.
— É de lata ou de palha?
— Nem de uma coisa nem de outra. É de carne.
— Como é estranho e pequenino, visto de perto. Ninguém atacaria um animalzinho desses, a não ser um covarde como eu — disse, triste, o Leão.
— E por que você é covarde? — perguntou ela, admirada com a declaração.
— Ah, é um mistério. Acho que nasci assim. Os outros animais da floresta pensam que sou valente, pois o leão é considerado o Rei dos animais. Disseram-me que, se eu rugir alto, deixo todos apavorados e fogem do meu caminho. Mas, se encontro alguém à minha frente, quem fica em pânico sou eu. Se um elefante, tigre ou urso resolvesse me enfrentar, eu sairia correndo. Sou um completo covarde. Sorte minha os bichos fugirem mal ouvem o meu rugido.
— Isso não está certo. O Rei dos Animais não pode ser um covarde — disse o Espantalho.
— Sei disso — respondeu o Leão, enxugando uma lágrima com a ponta da cauda.
— É o que me deixa infeliz. Basta eu pressentir perigo que meu coração dispara.
— Talvez você tenha algum problema cardíaco — disse o Lenhador.
— É, pode ser — foi o comentário do Leão.
— Se for, sorte sua. Prova que tem coração. Eu, como não tenho, jamais vou sofrer de doença cardíaca.
O Leão, pensativo, disse:
— Talvez, se eu tivesse coração, não fosse covarde(C).
— Você tem cérebro? — perguntou o Espantalho.
— Acho que sim. Nunca olhei para saber.
— Eu não tenho. Minha cabeça é cheia de palha(D). Por isso vou ao Grande Oz pedir que me dê um.
— E eu vou pedir um coração — disse o Lenhador.
— E eu, que me mande, com Totó, de volta para casa — acrescentou Dorothy(E).
— Posso ir com vocês? — perguntou o Leão. — A vida sem um pouco de coragem é insuportável.
— Vai ser bom — disse a menina. — Assim, os animais selvagens vão se manter afastados.
Mais uma vez, o grupo se pôs a caminho.
(BAUM, L. Frank. O Mágico de Oz. Tradução e adaptação Ligia Cademartori. São Paulo: FTD, 2008. p. 25-27)
No texto III, o autor declara que "Ao termos consciência de como o corpo processa o que foi vivido, entendemos melhor os nossos conflitos emocionais e respeitamos as nossas limitações internas, ao mesmo tempo que podemos escolher desafiá-las."
Assinale a opção cujo fragmento do texto IV ilustra um momento dessa inteligência emocional do Leão.