Considere o fragmento a seguir para à questão.
Uma falácia reproduzida por “especialistas” na imprensa e por leigos nas redes sociais afirma que toda
evolução do conhecimento humano é resultado de um negacionismo, e que a ciência só evolui por conta das
pessoas que se recusam a acreditar na verdade estabelecida. À primeira vista, esse raciocínio pode parecer correto:
quando defendeu a teoria copernicana, ou heliocêntrica, no século XVII, Galileu Galilei foi contra o que a maioria
acreditava, por exemplo. Por meio de observações, experimentações e cálculos, ele corroborou a ideia de que o
Sol é o centro do universo – e não a Terra, como se defendia até então.
Mas ir contra o senso comum não tem nada a ver com negar um fato atestado e comprovado pela
ciência. Questionar algo e negar uma verdade são ações bem distintas – e só a primeira delas contribui para o
avanço científico.
A validação não é uma questão de gosto ou de opinião, mas sim de matemática. Em última instância, é ela
que descreve todos os eventos da natureza.
Fonte: https://butantan.gov.br/ (texto publicado em 19/04/2023)
Negar a verdade não é um posicionamento pessoal: é uma questão de saúde pública e um desafio da sociedade. Uma das consequências desse problema é o desperdício de recursos financeiros. Quando uma parcela das pessoas nega uma verdade já comprovada pela ciência e se recusa, por exemplo, a vacinar seus filhos, os pesquisadores são obrigados a dedicar mais esforços para derrubar os mitos por trás da crença equivocada. O resultado é que, devido a um negacionismo, é necessário criar mais evidências científicas sobre algo já comprovado – gastando mais dinheiro, tempo e recursos.
Fonte: https://butantan.gov.br/ (texto publicado em 19/04/2023)