O que é a síndrome do coração partido e por que ela pode ser fatal
Conheci dona Cândida muitos anos atrás. Era a matriarca de uma família com oito filhos. O
marido, coronel nordestino ___ moda antiga, acostumado a dar ordens ríspidas aos empregados
da fazenda, ficava na miúda nas querelas com a esposa.
A dedicação da mãe aos filhos era a razão de seu viver. Ai de quem os tratasse mal, chegou
a ir ___ vias de fato com uma professora que ousou dar uma reguada na mão do mais velho.
Quando todos cresceram, ela não ia para a cama nem deixava os empregados jantar enquanto
o último não voltasse para casa.
Embora jurasse amar todos com a mesma intensidade, seu xodó por Francisquinho, um dos
mais novos, era indisfarçável. Quando ele entrou na faculdade de Medicina, na capital, então, a
dona Cândida não coube em si de tanto orgulho. Para provocá-la, uma das filhas dizia que se o
irmão se afogasse no açude, a mãe gritaria: “Socorro! Meu filho que é quase médico está se
afogando”.
Quando o rapaz cursava o quarto ano, a mãe recebeu um telefonema, da faculdade. Em
uma briga de trânsito, Fransciquinho fora baleado.
O comércio da cidadezinha encerrou as portas para que todos acompanhassem o féretro.
Eram tantas as flores dos floristas da cidade que foi preciso uma caminhonete para
acomodá-las. Dona Cândida guardou luto em silêncio sepulcral, até a missa de sétimo dia.
Sentada no banco em frente ao altar, queixou-se de tontura. Levada às pressas, faleceu a
caminho do hospital. Na cidade, não houve quem não atribuísse o desfecho ___ perda do filho.
Histórias de alguém que caiu morto ao receber uma notícia terrível como essa povoam a
literatura e o teatro desde os gregos. O que talvez você não saiba é que somente em 1990 essa
metáfora literária encontrou amparo na fisiologia humana. Aconteceu quando o médico japonês
Hikaru Sato descreveu o quadro que ficaria conhecido como “síndrome do coração partido”.
A descrição da síndrome deu origem a diversos estudos sobre os mecanismos envolvidos
nas conexões entre circuitos cerebrais e o funcionamento cardíaco: o eixo cérebro-coração.
Estresses emocionais intensos são capazes de ativar circuitos de neurônios envolvidos na
regulação da resposta às emoções e no funcionamento do sistema nervoso simpático, com
liberação de catecolaminas, entre as quais a adrenalina. Como consequência, a frequência
cardíaca e a pressão arterial aumentam, acompanhadas de alterações dos marcadores
inflamatórios em circulação e da resposta imunológica.
Exames de neuroimagem revelam desarranjo funcional na conectividade dos circuitos
autonômicos/emocionais. A origem da síndrome não está no coração, mas no cérebro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/drauzio-varella/noticia/2026/07/o-que-e-a-sindrome-do-coracao-partido-e-por-que-ela-pode-ser-fatal-cms4mqvmg00ha014pc6a2g4b0.html – texto adaptado especialmente para esta prova).
Leia a charge e as asserções a seguir, e analise a relação proposta entre elas e o texto-base desta prova:

Fonte: Bandeira (2025).
I. A charge é uma representação teórica do que o Dr. Drauzio chama de “eixo cérebro-coração” na área médica.
PORQUE
II. O cérebro é o responsável por racionalizar nossos sentimentos, e o coração, por nos causar impactos emocionais.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.