Para responder a questão, leia a cantiga “Ai, dona fea, foste-vos queixar” do trovador João Garcia de Guilhade (1239-1288).
[Texto original]
Ai, dona fea, fostes-vos queixar
que vos nunca louvo em meu cantar;
mais ora quero fazer un cantar
em que vos loarei toda via;
e vedes como vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, se Deus mi pardon,
pois avedes tan gran coraçon
que vos eu loe, en esta razon
vos quero já loar toda via;
e vedes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Dona fea, nunca vos eu loei
em meu trobar, pero muito trobei;
mais ora já un bon cantar farei,
en que vos loarei toda via;
e direi-vos como vos loarei:
dona fea, velha e sandia!
[Texto em linguagem atual]
Ai, mulher feia, você se queixou
de que eu nunca a louvei em minha poesia;
mas agora eu vou fazer uma cantiga
em que eu a louvarei completamente;
e veja como a quero louvar:
mulher feia, velha e louca!
Mulher feia, Deus me perdoe,
pois você tem tão grande desejo
de que eu a louve, por este motivo
quero agora louvá-la completamente;
e veja qual será a louvação:
mulher feia, velha e louca!
Mulher feia, nunca a louvei
em minha poesia, e muito escrevi;
mas agora farei uma bela cantiga,
em que a louvarei completamente;
e vou dizer a você como a louvarei:
mulher feia, velha e louca!
A cantiga de João Garcia de Guilhade deixa-se caracterizar como