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4216303 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: DIRENS Aeronáutica
Orgão: EPCAR
Provas:

Os ombros suportam o mundo

Carlos Drummond de Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

-

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

-

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

-

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Sentimento do mundo. 1ª ed. — São Paulo: Companhia das Letras, 2012.

Pode-se perceber, no Texto IV, a alternância no uso dos modos e tempos verbais. Dessa forma, analise a assertiva abaixo.
A passagem do presente para o futuro em “não abrirás” (nono verso) não indica mera possibilidade temporal, mas assume um valor injuntivo e determinístico, consolidando a transição de um estado de sofrimento passivo para uma postura de indiferença, em que a vida passa a ser encarada como uma ordem.

Assinale a alternativa que descreve corretamente a função desempenhada pela alternância verbal.

 

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