A proximidade da morte
Se a morte é uma sombra constante para qualquer
ser vivente desde o nascimento, sua presença torna-se mais
marcante com o envelhecimento. São as pessoas mais
idosas, portanto, que percebem com mais nitidez a
proximidade da morte.
Há pessoas que se mantêm ativas com a idade
avançada e outras que precisam de cuidados especiais
conforme envelhecem, em razão de doenças e problemas de
mobilidade. A necessidade desses idosos entra em conflito
com a situação real de grande parte das famílias. O ritmo
acelerado imposto pelo sistema de produção e serviços
desde as últimas décadas do século XX obriga trabalhadores
a jornadas intensas fora de casa, o que dificulta o
atendimento a idosos e doentes. Além disso, vale mencionar
a elevação da expectativa de vida e o consequente aumento
da parcela da população idosa com 60 anos ou mais.
Segundo dados do Censo, esse grupo representava 15,6% da
população brasileira em 2022.
Deve-se comentar que, vítimas de um etarismo que
os reduz à improdutividade, há idosos que vão viver em
asilos ou em hospitais (quando apresentam doenças graves)
onde possam usufruir dos avanços da medicina, cada vez
mais especializada. Porém, mesmo aqueles que recorrem a
técnicas avançadas e a ambientes assépticos que prolongam
a vida não escapam à solidão e à impessoalidade do
atendimento. Enfermeiros e médicos são eficazes, mas os
pacientes idosos frequentemente se encontram afastados
da mão amiga e da atenção íntima sem pressa.
No entanto, sabe-se que a maioria dos idosos faz
parte da população de baixa renda e, por isso, não tem
acesso a muitos desses recursos. Acrescente-se o fato de
que nas últimas décadas o número de idosos com
necessidades especiais cresceu sem o correspondente
crescimento de atendimento público.
Essa situação não seria uma expressão da morte em
vida? Não seria uma espécie de morte simbólica
antecedendo a morte fisiológica? Seria o aniquilamento da
dignidade humana? O etarismo e a morte social, que
colocam o indivíduo à margem e o tornam sem serventia,
invisível para a sociedade, podem ser tão nocivos quanto
uma doença letal. Além de causarem o desenvolvimento de
um mal-estar físico e mental, podem levar à fragilidade e à
morte do corpo.
Fonte: Moderna Plus Filosofia. Adaptado.
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