Eles tinham saído de véspera, de manhã, da canoa.
Eram duas horas da tarde. Cordulina, que vinha quase
cambaleando, sentou-se numa pedra e falou, numa voz
quebrada e penosa:
-Chico, eu não posso mais... Acho até que vou morrer.
Dá-me aquela zoeira na cabeça!
Chico Bento olhou dolorosamente a mulher. O cabelo em
falripas sujas, como que gasto, acabado, caía, por cima
do rosto, envesgando os olhos, roçando a boca. A pele,
empretecida como uma casca, pregueava nos braços e
nos peitos, que o casaco e a camisa rasgada
descobriam. (...)
No colo da mulher, o Duquinha, também era só osso e
pele, levava, com um gemido abafado, a mãozinha
imunda, os dedos ressequidos, aos pobres olhos
doentes. E com outra tateava o peito da mãe, mas num
movimento tão fraco e tão triste que era mais uma
tentativa do que um gesto. Lentamente o vaqueiro voltou
as costas; cabisbaixo, o Pedro o seguiu.
E foram andando à toa, devagarinho, costeando a
margem da caatinga.
Quinze' de Rachel de Queiróz)
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