O garoto me pediu um cavalo. Eu perguntei: “Um cavalinho de brinquedo?”
Ele disse: “Não, um cavalo de verdade”.
Eu disse que ia ver, mas que seria difícil carregar um cavalo de verdade no meu saco.
Ele ficou me olhando. Depois disse:
– Você não é o Papai Noel de verdade, é?
– Claro que sou. Por que você pergunta?
– Porque no outro xópi tem um Papai Noel igual a você.
– E você pediu um cavalo pra ele?
– Pedi. E ele disse que ia me dar.
– Bom, talvez o saco dele seja maior do que o meu.
– Mas o Papai Noel de verdade é ele ou é você?
O que dizer para o garoto? É que nós temos o poder da ubiquidade, entende? Ubiquidade. A capacidade de estar em mais de um lugar ao mesmo tempo. Onipresença. Pergunte a sua mãe. Só existe um Papai Noel, mas ele está por toda parte. Está em todos os shoppings do mundo. Cada Papai Noel é a manifestação de uma mesma e única entidade superior. Só muda o nome e o tamanho do saco. Eu sei, é um conceito difícil de entender. Ainda mais na sua idade. Há anos, séculos, discute-se a natureza desta entidade multipartida. Existiu um Papai Noel histórico, que viveu e morreu, mas seu espírito perdurou, e perdura até hoje, porque a sua essência transcendia a sua materialidade. [...]
Sobre a construção textual, é correto afirmar que