Leia o texto a seguir para responder a questão:
Brasil precisa abraçar a velhice
O Brasil não escapa à urgência de aceitar-se velho.
Projeções recentes do IBGE deixam evidente que, se não
começar a se ajustar agora à nova configuração etária que
se molda de forma acelerada, o país corre o risco de ver
estruturas sociais debilitadas colapsarem. Até 2030 — ou
seja, em menos de cinco anos —, o Brasil terá mais idosos
do que crianças. Pouco tempo depois, em 2046, os 60 formarão a maior fatia populacional do país, chegando a 28%,
quase o dobro do percentual atual.
Viver e fazer planos em um país majoritariamente idoso
será, sem dúvidas, um desafio. E não faltam sinais de que o
Brasil resiste a enfrentar a “verdade das coisas”. No campo
da saúde, a falta de profissionais especializados é gritante. A estimativa do Conselho Federal de Medicina é de que
seriam necessários mais 29 mil geriatras para dar suporte
à atual população idosa conforme as recomendações da
Organização Mundial da Saúde (OMS) — hoje são apenas
2.670 profissionais, contra 48.650 pediatras.
Pratica-se também no Brasil violência contra os idosos,
em todas as suas formas. Em 2023, foram registradas
390 queixas de denúncias de violência contra os mais velhos
por dia, segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos
Humanos. Considerando o fato de que os filhos são os principais agressores, ao menos a metade deles, é razoável afirmar que o número real de vítimas é muito maior.
Não está velado, porém, que a maioria das vítimas é
mulher e que os crimes envolvem de negligência a violência
psicológica, passando por abusos físicos e financeiros. Diante de um compilado tão diverso de agressões, a adequação
das estruturas de segurança e de suporte às vítimas deve ser
prioridade. Delegacias especializadas, agentes qualificados e
refúgio aos vulneráveis — quase sempre pessoas que também sofrem com a autonomia comprometida — estão entre
as demandas de agora.
Há ainda que se adaptar o sistema previdenciário, o
mercado de trabalho, as estruturas das cidades, os acessos
a lazer e cultura. Tudo isso considerando as especificidades de um país diverso e continental: os idosos que vivem
hoje em favelas, como as fluminenses, têm dificuldades de
chegar aos serviços do Estado que não sobem o morro, por
exemplo. Abraçar a velhice exige do Brasil planejamento e,
sobretudo, ação. O país, infelizmente, tem perdido a oportunidade de usufruir da longevidade conquistada de uma
forma mais justa e sustentável.
(Editorial, 29.04.2025. Disponível em:
https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao. Adaptado)
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