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EM TORNO DO ESPAÇO PÚBLICO NO BRASIL

Estou no aeroporto de Salvador, na velha Bahia. São 8h25m de uma ensolarada manhã de sábado e eu aguardo o avião que vai me levar ao Rio de Janeiro e, de lá, para minha casa(a) em Niterói.

Viajo relativamente leve: uma pasta com um livro e um computador no qual escrevo(b) essas notas, mais um arquivo com o texto da conferência que proferi para um grupo de empresários americanos que excursionam aprendendo – como eles sempre fazem e nós, na nossa solene arrogância, abominamos – sobre o Brasil. Passei rapidamente pela segurança feita de funcionários locais que riam e trocavam piadas entre si e logo cheguei a um amplo saguão com aquelas poltronas de metal que acomodam o cidadão transformado em passageiro.

Busco um lugar, porque o relativamente leve começa a pesar nos meus ombros e logo observo algo(c) notável: todos os assentos estão ocupados por pessoas e por suas malas ou pacotes.

Eu me explico: o sujeito senta num lugar e usa as outras cadeiras para colocar suas malas, pacotes, sacolas e embrulhos. Assim, cada indivíduo ocupa três cadeiras, em vez de uma, simultaneamente. Eu olho em volta e vejo que não há onde sentar!(d) Meus companheiros de jornada e de saguão simplesmente não me veem e, acomodados como velhos nobres ou bispos baianos da boa era escravocrata, exprimem no rosto uma atitude indiferente bem apropriada com a posse abusiva daquilo que é definido como uma poltrona individual.

Não vejo em ninguém o menor mal-estar ou conflito entre estar só, mas ocupar três lugares, ou perceber que o espaço onde estamos, sendo de todos, teria que ser usado com maior consciência relativamente aos outros como iguais e não como inferiores que ficam sem onde sentar porque “eu cheguei primeiro e tenho o direito a mais cadeiras!”.

Trata-se, penso imediatamente, de uma ocupação “pessoal” e hierárquica do espaço, e não um estilo individual e cidadão de usá-lo. De tal sorte que o saguão desenhado para todos é apropriado por alguns como a sala de visitas de suas próprias casas, tudo acontecendo sem a menor consciência de que numa democracia até o espaço e o tempo devem ser usados democraticamente.

Bem na minha frente, num conjunto de assentos para três pessoas, duas moças dormem serenamente, ocupando o assento central com suas pernas e malas(e). Ao seu lado e, sem dúvida, imitando-as, uma jovem senhora com ares de dona Carlota Joaquina está sentada na cadeira central e ocupa a cadeira do seu lado direito com uma sacola de grife na qual guarda suas compras. Num outro conjunto de assentos mais distantes, nos outros portões de embarque, observo o mesmo padrão. Ninguém se lembra de ocupar apenas um lugar. Todos estão sentados em dois ou três assentos de uma só vez! Pouco se lixam para uma senhora que chega com um bebê no colo, acompanhada de sua velha mãe.

Digo para mim mesmo: eis um fato do cotidiano brasileiro que pipoca de formas diferentes em vários domínios de nossa vida social. Pois não é assim que entramos nos restaurantes quando estamos em grupo e logo passamos a ser “donos” de tudo? E não é do mesmo modo que ocupamos praças, praias e passagens? (...)

Temos uma verdadeira alergia à impessoalidade que obriga a enxergar o outro. Pois levar a sério o impessoal significa suspender nossos interesses pessoais, dando atenção aos outros como iguais, como deveria ocorrer neste amplo salão no qual metade dos assentos não está ocupada por pessoas, mas por pertences de passageiros sentados a seu lado.

Finalmente observo que quem não tem onde sentar sente-se constrangido em solicitar a vaga ocupada pela mala ou embrulho de quem chegou primeiro. Trata-se de um modo hierarquizado de construir o espaço público e, pelo visto, não vamos nos livrar dele tão cedo. Afinal, os incomodados que se mudem!

DA MATTA, Roberto. O Globo, 24. mar. 2010. (Excerto).

O uso que o autor faz da palavra e no trecho “...companheiros de jornada e de saguão...” é o mesmo em

 

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209394 Ano: 2010
Disciplina: Gerência de Projetos
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Um gerente de projetos está elaborando a lista de riscos de determinado projeto de software. Segundo o PMBOK, NÃO é uma estratégia de resposta aos riscos
 

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202299 Ano: 2010
Disciplina: Gerência de Projetos
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Um órgão público deseja analisar a situação de seus projetos, com o objetivo de identificar aqueles que necessitam de atenção especial. NÃO é um indicador de projeto problemático o(a)
 

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200045 Ano: 2010
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Determinado sistema especialista apresenta a sequência lógica a seguir.
3, 12, 33, 72, 135, 228
Qual o próximo número dessa sequência?
 

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200038 Ano: 2010
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Para transferir grandes volumes de dados para a base de dados do SAP R/3 4.6C são utilizados procedimentos que utilizam transações padrões do produto. A inserção de dados, neste caso, ocorre como se os dados estivessem sendo inseridos de forma manual via aplicação. Outro procedimento, por sua vez, permite mover e/ou copiar objetos e configurações de customização entre ambientes SAP.
Os procedimentos mencionados no trecho acima podem ser realizados, respectivamente, por
 

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144417 Ano: 2010
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Dentre as técnicas de modelagem utilizadas na arquitetura ARIS House estão: VACD (Value-Added Chain Diagram), FAD (Function Allocation Diagram) e EPC (Event-driven Process Chain). Relacione as técnicas a seguir com os respectivos exemplos de modelos apresentados na coluna da direita.
Enunciado 184203-1
Estão corretas as associações
 

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144415 Ano: 2010
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
O sistema de cadastro de clientes de uma loja apresenta uma tela que lista os clientes que mais compraram mercadorias nos últimos meses. Nesta tela, a lista de clientes aparece classificada pelo valor total de compras dos clientes e apresenta um totalizador geral das compras efetuadas por todos os clientes. No contexto da APF (Análise de Pontos de Função), essa tela do sistema de cadastro de clientes é contada como
 

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EM TORNO DO ESPAÇO PÚBLICO NO BRASIL

Estou no aeroporto de Salvador, na velha Bahia. São 8h25m de uma ensolarada manhã de sábado e eu aguardo o avião que vai me levar ao Rio de Janeiro e, de lá, para minha casa em Niterói.

Viajo relativamente leve: uma pasta com um livro e um computador no qual escrevo essas notas, mais um arquivo com o texto da conferência que proferi para um grupo de empresários americanos que excursionam aprendendo – como eles sempre fazem e nós, na nossa solene arrogância, abominamos – sobre o Brasil. Passei rapidamente pela segurança feita de funcionários locais que riam e trocavam piadas entre si e logo cheguei a um amplo saguão com aquelas poltronas de metal que acomodam o cidadão transformado em passageiro.

Busco um lugar, porque o relativamente leve começa a pesar nos meus ombros e logo observo algo notável: todos os assentos estão ocupados por pessoas e por suas malas ou pacotes.

Eu me explico: o sujeito senta num lugar e usa as outras cadeiras para colocar suas malas, pacotes, sacolas e embrulhos. Assim, cada indivíduo ocupa três cadeiras, em vez de uma, simultaneamente. Eu olho em volta e vejo que não há onde sentar! Meus companheiros de jornada e de saguão simplesmente não me veem e, acomodados como velhos nobres ou bispos baianos da boa era escravocrata, exprimem no rosto uma atitude indiferente bem apropriada com a posse abusiva(a) daquilo que é definido como uma poltrona individual.

Não vejo em ninguém o menor mal-estar ou conflito entre estar só, mas ocupar três lugares, ou perceber que o espaço onde estamos, sendo de todos, teria que ser usado com maior consciência relativamente aos outros como iguais e não como inferiores que ficam sem onde sentar porque “eu cheguei primeiro e tenho o direito a mais cadeiras!”.

Trata-se, penso imediatamente, de uma ocupação “pessoal” e hierárquica do espaço(b), e não um estilo individual e cidadão de usá-lo. De tal sorte que o saguão desenhado para todos é apropriado por alguns como a sala de visitas de suas próprias casas, tudo acontecendo sem a menor consciência de que numa democracia até o espaço e o tempo devem ser usados democraticamente(c).

Bem na minha frente, num conjunto de assentos para três pessoas, duas moças dormem serenamente, ocupando o assento central com suas pernas e malas. Ao seu lado e, sem dúvida, imitando-as, uma jovem senhora com ares de dona Carlota Joaquina está sentada na cadeira central e ocupa a cadeira do seu lado direito com uma sacola de grife na qual guarda suas compras. Num outro conjunto de assentos mais distantes, nos outros portões de embarque, observo o mesmo padrão. Ninguém se lembra de ocupar apenas um lugar. Todos estão sentados em dois ou três assentos de uma só vez! Pouco se lixam para uma senhora que chega com um bebê no colo, acompanhada de sua velha mãe.

Digo para mim mesmo: eis um fato do cotidiano brasileiro que pipoca de formas diferentes em vários domínios de nossa vida social. Pois não é assim que entramos nos restaurantes quando estamos em grupo e logo passamos a ser “donos” de tudo?(d) E não é do mesmo modo que ocupamos praças, praias e passagens?(e) (...)

Temos uma verdadeira alergia à impessoalidade que obriga a enxergar o outro. Pois levar a sério o impessoal significa suspender nossos interesses pessoais, dando atenção aos outros como iguais, como deveria ocorrer neste amplo salão no qual metade dos assentos não está ocupada por pessoas, mas por pertences de passageiros sentados a seu lado.

Finalmente observo que quem não tem onde sentar sente-se constrangido em solicitar a vaga ocupada pela mala ou embrulho de quem chegou primeiro. Trata-se de um modo hierarquizado de construir o espaço público e, pelo visto, não vamos nos livrar dele tão cedo. Afinal, os incomodados que se mudem!

DA MATTA, Roberto. O Globo, 24. mar. 2010. (Excerto).

Os trechos transcritos abaixo reforçam o aspecto central do texto focalizado pelo autor. A única EXCEÇÃO é

 

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341848 Ano: 2010
Disciplina: Gerência de Projetos
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Em um projeto de implantação de um novo servidor de email, uma parte interessada (stakeholder) solicitou a inclusão de um mecanismo de segurança, que não estava previsto na declaração de escopo. Com base nessa situação, analise as afirmativas a seguir.
I - Uma vez fechada a declaração de escopo, não é possível alterá-la.
II - Uma parte interessada tem o poder de vetar a implantação do projeto.
III - O escopo deve incluir todo o trabalho requerido e nada mais que isso.
Segundo o PMBOK (4ª edição), está correto APENAS o que se afirma em
Questão Anulada

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340706 Ano: 2010
Disciplina: Gerência de Projetos
Banca: CESGRANRIO
Orgão: BR Distribuidora
Ao estudar as mudanças introduzidas na 4ª edição do PMBOK, um gerente de projetos percebeu que foi incluído o processo de
Questão Desatualizada

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