Foram encontradas 24 questões.
Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
O valor sintático-semântico da partícula "que", na função de conjunção integrante, pode variar de acordo com a sua posição na frase, como no exemplo abaixo retirado do texto VII.
"Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias,
disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa." (linhas 1 e 2).
Identifique, dentre as alternativas extraídas dos fragmentos dos textos norteadores componentes desta prova, qual partícula "que" tem o mesmo valor sintático-semântico da apresentada no exemplo acima.
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
Analise as características do gênero textual contidas no texto VI e assinale a alternativa correta:
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Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
O gênero textual apresentado no texto V pode ser um forte aliado quando queremos expressar uma opinião crítica acerca de determinado fato social.
Com base nisso, é possível abordar criticamente que:
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
O efeito de humor foi um recurso utilizado pelo autor da tirinha, no texto IV, para mostrar que o Armandinho:
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- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros Textuais
Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
Observe o texto V, "Selfie". Considerando sua temática e características dos gêneros textuais, é correto afirmar que:
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Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
A regência verbal é elemento essencial da língua, enquanto o verbo é o regente, objetos (direto e indireto) e adjuntos adverbiais são os termos regidos.
Sobre a regência verbal, verifique qual das alternativas está corretamente justificada:
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
O acento indicador de crase, o acento grave, refere-se à contração de duas vogais iguais. De acordo com os elementos próprios para que a crase ocorra e considerando a leitura dos textos II e III, identifique qual alternativa corresponde ao uso da crase por ser uma locução:
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
Na passagem retirada do texto I, "Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar?" (linhas 4 a 6), a partícula destacada apresenta sentido de:
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
Leia os fragmentos I e II abaixo retirados do texto I.
I - "Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo." (linhas 2 a 4).
II - "Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as toma perigosamente dependentes dos ambientes virtuais." (linhas 1 e 2).
Com base nos fragmentos I e II, assinale a alternativa correta quanto à classificação das orações grifadas:
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Leia os textos de Ia VII e responda os itens a seguir.
Texto I
Os riscos da infância na rede
Livro discute o uso da tecnologia pelas crianças e alerta para os perigos da dependência virtual
Especialistas em comportamento digital apontam que as crianças brasileiras são mais ativas do que a média mundial na internet, o que as tornam perigosamente dependentes dos ambientes virtuais. Celulares e tablets são cada vez mais usados para entreter os pequenos em situações de estresse, como refeições em restaurantes, por exemplo. Perfis em redes sociais também são criados muito precocemente. Diante deste cenário, já imaginou o que aconteceria se, de um dia para outro, todos os aparelhos eletrônicos deixassem de funcionar? Essa é a proposta de Juliana Grasso, no recém-lançado livro "Amanhã, como será?", da Tempo Editora.
Com foco no público infanto-juvenil, a publicação conta a história de Gabriel, um garoto de 11 anos dependente de computadores, tablets e smartphones que se vê completamente perdido após uma tempestade destruir todos os seus aparelhos eletrônicos. Com o acidente, o menino, que usava os dispositivos para estudar, se comunicar e brincar, precisa redescobrir as brincadeiras e alegrias de uma infância sem tecnologia. A autora se inspirou nas experiências cotidianas para escrever o livro.
"A tecnologia está super disponível, tanto para adultos, quanto para crianças. Hoje, mesmo muito novinhas, elas assistem a vídeos pelo celular na hora de comer, o que faz muito mal", diz Juliana. "É possível retomar as formas antigas de contato, aprendizado e recreação." Para ela, essa overdose de tecnologia na infância pode transformar meninas e meninos em adultos antissociais e dependentes. Pesquisa "Kids of Today and Tomorrow - Um olhar Bem Próximo Sobre Essa Geração", da Viacom Internacional Media Networks, valida essa afirmação. Ela indicou que, apesar de o cenário ser sombrio em praticamente todos os países desenvolvidos, as crianças brasileiras têm uma predisposição maior ao vício virtual.
Disponível em: http://ístoe.com.br/os-ríscos-da-infancia-na-rede Acesso em 23 set.2020.
Texto II
Perfis de redes sociais são retratos ideais de nós mesmos
Desde as priscas eras do Orkut, em minhas perambulações pelas redes sociais, noto o fenômeno. Entro no perfil de uma moça e começo a olhar suas fotos: encontro-a ali ainda criança, vestida de odalisca, num Carnaval do século 20; a vejo com seu cachorro, numa praia, recentemente; com uma turma na piscina de um sítio, no final da adolescência; numa 3x4 com o namorado, espremida na mesma cabine, talvez numa viagem à Europa.
Então, sem que eu me dê conta, um retrato puxa o meu olhar. Minha reação imediata, naquele interregno mental em que as pupilas já captaram a imagem, mas o cérebro ainda não teve tempo de processá-la, é de surpresa: como ela saiu bem nessa foto! Só um segundo depois percebo o engano: quem saiu bem não foi a garota do perfil, mas a Penélope Cruz, Marilyn Monroe, Sarah Jessica Parker ou outra atriz famosa, cuja imagem foi contrabandeada para aquele álbum por conta de alguma semelhança com sua dona. Olho as outras fotos. Comparo. E da distância - às vezes menor, às vezes maior - entre a estrela de cinema e a mulher do Facebook, surgem sentimentos contraditórios.
De início, topar com a destoante atriz me dava certa pena: afinal, por mais bonita que fosse a moça, nunca alcançava a musa. "Será que ela acredita mesmo ser parecida com a Sharon Stone?", eu pensava com uma pitada de vergonha alheia, como se estivesse diante de uma pessoa incapaz de lidar com a realidade, uma pessoa com delírios de grandeza, com delírios de beleza.
Aos poucos, contudo, fui chegando à constatação óbvia de que todo perfil de rede social é um retrato ideal de nós mesmos. Se ponho um link para um filme de Woody Allen, se cito uma frase de Nietzsche; mesmo quando posto uma foto de um churrasco, não estou eu, também, editando-me? Tentando pegar esse aglomerado de defeitos, qualidades, ansiedades, desejos e frustrações e emoldurá-lo de modo a valorizar o quadro - engraçado, profundo, hedonista?
Pensando bem, nem precisamos ir até o exagero das redes sociais - essa versão caricaturada de nós mesmos. Toda vez que nos vestimos, que abrimos a boca para emitir uma opinião, toda vez que empurramos o mundo pra baixo e o corpo pra frente, dando um passo, de peito aberto, ombros curvados, de nariz empinado ou de olhos pro chão, estamos travando esta negociação entre o real e o ideal. Estamos enviando aos outros e a nós mesmos a soma de nossos fardos e de nossas aspirações.
Há pobres que se vestem de ricos e ricos que se vestem de pobres, magrelos que andam de braços arqueados, como se fossem musculosos, feiosos que entram em um restaurante crentes que são o George Clooney e possíveis galãs e divas que, ignorantes ou culpados por suas belezas, caminham por aí mais parecidos com Tims Burtons e Zezé de Macedos. No fim, acabamos sendo um meio-termo entre o ator e o roteiro que tentamos escrever.
Hoje, portanto, admiro as moças que colocam fotos de belas atrizes entre as suas. Vejo ali um pouco de ousadia, um pouco de esperança, e, acima de tudo, algo oposto ao que eu via antes: não um delírio, a tentativa de fugir de si próprias, mas a capacidade de aceitarem-se na harmoniosa mistura entre o que são e o que gostariam de ser.
Antônio Prata
Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto III
Selfies
Muita gente se irrita, e tem razão, com o uso indiscriminado dos celulares. Fossem só para falar, já seria ruim. Mas servem também para tirar fotografias, e com isso somos invadidos no Facebook com imagens de gatos subindo na cortina, focinhos de cachorro farejando a câmera, pratos de torresmo, brownie e feijoada.
Se depender do que vejo com meus filhos - dez e 12 anos -, o tempo dos "selfies" está de todo modo chegando ao fim. Eles já começam a achar ridícula a mania de tirar retratos de si mesmo em qualquer ocasião. Torna-se até um motivo de preconceito para com os colegas.
"Fulaninha? Tira fotos na frente do espelho." Hábito que pode ser compreensível, contudo. Imagino alguém dedicado a melhorar sua forma física, registrando seus progressos semanais. Ou apenas entregue, no início da adolescência, à descoberta de si mesmo.
A bobeira se revela em outras situações: é o caso de quem tira um "selfie" tendo ao fundo a torre Eiffel, ou (pior) ao lado de, sei lá, Tony Ramos ou Cauã Reymond.
Seria apenas o registro de algo importante que nos acontece - e tudo bem. O problema fica mais complicado se pensarmos no caso das fotos de comida. Em primeiro lugar, vejo em tudo isso uma espécie de degradação da experiência. Ou seja, é como se aquilo que vivemos de fato - uma estadia em Paris, o jantar num restaurante - não pudesse ser vivido e sentido como aquilo que é.
Se me entrego a tirar fotos de mim mesmo na viagem, em vez de simplesmente viajar, posso - estar fugindo das minhas próprias sensações. Desdobro o meu "self' ( cabe bem a palavra) em duas entidades distintas: aquela pessoa que está em Paris, e aquela que tira a foto de quem está em Paris.
Pode ser narcisismo, é claro. Mas o narcisismo não precisa viajar para lugar nenhum. A complicação não surge do sujeito, surge do objeto. O que me incomoda é a torre Eiffel; o que fazer com ela? O que fazer de minha relação com a torre Eiffel?
Poderia unir-me à paisagem, sentir como respiro diante daquela triunfal elevação de ferro e nuvem, deixar que meu olhar atravesse o seu duro rendilhado que fosforesce ao sol, fazer-me diminuir entre as quatro vigas curvas daquela catedral sem clero e sem paredes.
Perco tempo no centro imóvel desse mecanismo, que é como o ponteiro único de um relógio que tem seu mostrador na circunferência do horizonte. Grupos de turistas se fazem e desfazem, há ruídos e crianças.
Pego, entretanto, o meu celular: tiro uma foto de mim mesmo na torre Eiffel. O mundo se fechou no visor do aparelho. Não por acaso eu brinco, fazendo uma careta idiota; dou de costas para o monumento, mas estou na verdade dando as costas para a vida.[...]
Talvez as coisas não sejam tão desesperadoras. Imagine-se que daqui a cem anos, depois de uma guerra atômica e de uma catástrofe climática que destruam o mundo civilizado, um pesquisador recupere os "selfies" e as fotos de batata frita.
"Como as pessoas eram felizes naquela época!" A alternativa sena dizer: "Como eram tontas!". Dependerá, por certo, dos humores do pesquisador.
Marcelo Coelho
Disponível em: http://marcelocoelho.blogfolha.uol.com.br/2014/04/23/selfies.shtml Acesso em 23 set.2020.
Texto IV

Disponível em: https://www.google.com/armandinho+tirinha/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto V

Disponível em: http://www.nanihumor.com/2014/03/selfie.html/ Acesso em 23 set. 2020.
Texto VI
Eu! Eu! Eu! A era do narcisismo digital
Se Narciso, o personagem mitológico que caiu na água por estar contemplando seu reflexo, vivesse hoje, inundaria suas redes sociais com selfies nas quais apareceria em primeiro plano mostrando seu fisico invejável e sua vida perfeita.
Vivemos em uma época em que o narcisismo penetrou profundamente: buscamos a aprovação de amigos - embora seja mais apropriado dizer seguidores, o que não é o mesmo - em redes sociais, para nos sentirmos bem em relação a nós mesmos. E toda vez que recebemos um "like", nosso ego cresce. Para obter esses "gostos", muitas pessoas projetam uma versão idealizada de si mesmas, alimentando o personagem que desejam e não o que realmente são.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://www.psicologiasdobrasil.com.br/eu-eu-a-era-do-narcisismo-digital Acesso em 23 set. 2020.
Texto VII
O Mito de Narciso
Segundo a lenda, Narciso nasceu na região grega da Boécia. Ele era muito belo e quando nasceu um dos oráculos, chamado Tirésias, disse que Narciso seria muito atraente e que teria uma vida bem longa. Entretanto, ele não deveria admirar sua beleza, ou melhor, ver seu rosto, uma vez que isso amaldiçoaria sua vida.
Além de ter uma beleza estonteante, a qual despertava a atenção de muitas pessoas (homens e mulheres), Narciso era arrogante e orgulhoso. E, ao invés de se apaixonar por outras pessoas que o admiravam, ele ficou apaixonado por sua própria imagem, ao vê-la refletida num lago.
(Texto adaptado)
Disponível em: https://wvw.todamateria.com.br/o-mito-de-narciso/ Acesso em 23 set. 2020.
Observe os períodos abaixo. Dentre eles há uma oração subordinada adjetiva explicativa.
Com base na leitura e análise do texto I, assinale a alternativa que apresenta essa oração:
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