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Quando confrontados pelos aspectos mais obscuros ou espinhosos da existência, os antigos gregos costumavam consultar os deuses (naquela época, não havia psicanalistas). Para isso, existiam os oráculos – locais sagrados onde os seres imortais se manifestavam, devidamente encarnados em suas sacerdotisas. Certa vez, talvez por brincadeira, um ateniense perguntou ao conceituado oráculo de Delfos se haveria na Grécia alguém mais sábio que o esquisitão Sócrates. A resposta foi sumária: “Não”.
O inesperado elogio divino chegou aos ouvidos de Sócrates, causando-lhe uma profunda sensação de estranheza. Afinal de contas, ele jamais havia se considerado um grande sábio. Pelo contrário: considerava-se tão ignorante quanto o resto da humanidade. Após muito meditar sobre as palavras do oráculo, Sócrates chegou à conclusão de que mudaria sua vida (e a história do pensamento). Se ele era o homem mais sábio da Grécia, então o verdadeiro sábio é aquele que tem consciência da própria ignorância. Para colocar à prova sua descoberta, ele foi ter com um dos figurões intelectuais da época. Após algumas horas de conversa, percebeu que a autoproclamada sabedoria do sujeito era uma casca vazia. E concluiu: “Mais sábio que esse homem eu sou. É provável que nenhum de nós saiba nada de bom, mas ele supõe saber alguma coisa e não sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que sou um tantinho mais sábio que ele exatamente por não supor saber o que não sei”. A partir daí, Sócrates começou uma cruzada pessoal contra a falsa sabedoria humana – e não havia melhor palco para essa empreitada que a vaidosíssima Atenas. Em suas próprias palavras, ele se tornou um “vagabundo loquaz” – uma usina ambulante de insolência iluminadora, movida pelo célebre bordão que Sócrates legou à posteridade: “Só sei que nada sei”.
Para sua tarefa audaz, Sócrates empregou o método aprendido com os professores sofistas. Mas havia grandes diferenças entre a dialética de Sócrates e a de seus antigos mestres. Em primeiro lugar, Sócrates não cobrava dinheiro por suas “lições” – aceitava conversar com qualquer pessoa, desde escravos até políticos poderosos, sem ganhar um tostão. Além disso, os diálogos de Sócrates não serviam para defender essa ou aquela posição ideológica, mas para questionar a tudo e a todos sem distinção. Ele geralmente começava seus debates com perguntas diretas sobre temas elementares: “O que é o Amor?” “O que é a Virtude?” “O que é a Mentira?” Em seguida, destrinchava as respostas que lhe eram dadas, questionando o significado de cada palavra. E continuava fazendo perguntas em cima de perguntas, até levar os exaustos interlocutores a conclusões opostas às que haviam dado inicialmente – e tudo isso num tom perfeitamente amigável. Assim, o pensador demonstrava uma verdade que até hoje continua universal: na maior parte do tempo, a grande maioria das pessoas (especialmente as que se consideram mais sabichonas) não sabe do que está falando.
(José Francisco Botelho. Revista Vida Simples, edição 91, abril de 2010 / com adaptações)
NÃO haverá alteração do sentido do texto caso se substitua:
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Disciplina: Segurança e Saúde no Trabalho (SST)
Banca: Consulplan
Orgão: COFEN
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Adeus ao “em off”
Antes de o ano terminar, mais um fato explosivo: o vazamento de informações confidenciais pelo site Wikileaks, comprometendo as relações diplomáticas de diversos países e causando muitas saias justas, inclusive no Brasil. Não tenho opinião sacramentada sobre o assunto. Um lado meu tende a aplaudir que informações de trincheira venham a público, já que o que é tramado por organizações governamentais interessa a todos. Mas admito que há um certo idealismo nessa afirmação, pois dificilmente conseguiremos destituir o poder do “em off” no universo cavernoso da política. Já aqui fora, o “em off” desapareceu de vez.
Outro dia, assisti a uma reportagem em que se falava da invenção de uma touca de eletrodos que, ao ser colocada na cabeça, emite sinais ao cérebro do usuário, possibilitando que ele acione comandos através da força do pensamento. Aposto: num piscar de olhos, será patenteado e vendido nas Americanas. E não vai parar aí: as pesquisas avançam, e logo será possível ler os pensamentos de outras pessoas. Nada pode ser mais invasivo, considero um atrevimento até para com os criminosos. O pensamento é o único reduto de liberdade e privacidade que nos resta. O dia em que pudermos ler os pensamentos uns dos outros, acabou-se todo o mistério da vida.
Imagino que o mercado de trabalho dos detetives não esteja fácil. Quem precisa contratar os serviços de um profissional na era do Facebook e do Twitter? Ninguém faz mais nada escondido. E se fizer, câmeras estarão filmando a criatura desde o momento em que ela sai pela porta de casa, entra no elevador, cruza a garagem do prédio, circula pelas ruas e chega ao escritório, sem falar na fiscalização dentro de bancos, restaurantes, boates, lojas, agências lotéricas e igrejas.
Igrejas, sim. Não duvido.
Além disso, você pode ser filmado enquanto faz sexo e pode ser fotografado por algum celular enquanto tem um ataque epilético na rua. Vai tudo para o YouTube. Todos sabem o que você fez no verão passado e no minuto que passou também.
É um mundo mais seguro, reconheço. E mais rápido. Perder tempo é um esporte que ninguém mais pratica. Dar uma sumida, então, nem pensar. Não existem mais portas, não existem mais paredes. Alguém sabe exatamente onde você está, com quem e em que você está pensando. Se não sabe, você mesmo irá contar.
Julian Assange, o criador do site Wikileaks, justifica a revelação de documentos confidenciais com o argumento de que tem “aversão a segredos”. É uma frase que parece heróica, mas me apavora. Tudo agora é rastreável: não existe mais o secreto, o particular, o reservado. Estamos dando adeus à matéria-prima da poesia, do sentimento, da introspecção, do delírio e da liberdade. Optamos por viver todos atados uns aos outros – curiosamente, com tecnologia wireless.
(Martha Medeiros. Revista O Globo, 12 de dezembro de 2010)
Observe: “Estamos dando adeus à matéria-prima da poesia...” Assinale a alternativa que faz o plural da mesma forma que a palavra sublinhada:
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Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados ao Distrito Federal e aos Municípios:
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Uma evolução silenciosa
No século XX, o meio ambiente despontou como a grande questão estratégica, desafiando os cânones da economia, da vida em sociedade e da cultura. No século XXI, a questão permanece no topo de nossos desafios, porém em outra dimensão e escala. O meio ambiente não está mais na defensiva, contra a corrente. Faz parte de escolhas cujo núcleo é um amálgama indissociável de soluções ao mesmo tempo econômicas, sociais, ambientais e culturais. Não há mais tempo para insistir no equivocado antagonismo entre crescimento econômico e proteção ambiental ou mesmo na sua versão amenizada de “conciliar meio ambiente e produção” como se fossem opostos buscando a convivência possível. Agora o que temos pela frente é a tarefa histórica de pensar todos esses termos como modelo de desenvolvimento, e não mais como retalhos dos diferentes interesses existentes na sociedade.
O século XXI é o tempo de procurar o que há de comum na diversidade de interesses e a partir daí, sem deixar de conservar o que precisa ser conservado, construir o novo inescapável. Nada pode representar mais fielmente o que nos é comum do que a nossa própria sobrevivência e a de nosso planeta, diante da gravíssima crise configurada pelo aquecimento global. A capacidade de adaptação e de rever conceitos é igualmente importante para países, instituições, empresas, indivíduos. Não tê-la (ou, no mínimo, não buscá-la) é praticamente uma autocondenação à absolescência. As economias sustentáveis, com tecnologias limpas, sepultarão antigas estruturas firmadas em modelos predatórios. Isso deve significar o fim de impérios insustentáveis que, assim como os megabancos tragados logo no início da crise financeira internacional, tendem a desaparecer. Nessa “seleção natural”, o poder de decisão estará com a consciência globalizada de uma população cada vez mais atenta, que quer saber a origem do produto, questiona a forma como ele é produzido e descartado, conhece os danos que pode causar ao meio ambiente. E exige ética do mercado e do poder político.
No atual jogo geopolítico, a preservação dos biomas e de sua diversidade é um dos maiores ativos. É isso que decidirá quem vai adiante, adaptando-se aos novos tempos, e quem fica para trás, na poeira da história. O Brasil, detentor de imensa biodiversidade, tem uma responsabilidade específica e pode colaborar fortemente para apontar as saídas, desde que ouça a voz de sua própria população e aposta em educação, inovação, pesquisa científica e integração dos saberes tradicionais associados à natureza. Estamos vivendo a era dos limites e das incertezas, como já foi apontando por inúmeros e respeitados cientistas. Diante disso, é preciso saber distinguir onde estão as riquezas e oportunidades.
(Marina Silva, com adaptações, Revista Veja, 22/12/2010)
“O Brasil, detentor de imensa biodiversidade, tem uma responsabilidade específica...” A palavra destacada poderá ser substituída, sem perda semântica, por:
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