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Foram encontradas 30 questões.

2876037 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o Texto IV para responder a questão.

Texto IV

Enunciado 3162871-1

O texto faz referência a histórias antigas e universais publicadas e voltadas para o público infantil. Que gênero textual é esse?

 

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2876036 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o Texto IV para responder a questão.

Texto IV

Enunciado 3162870-1

Onde é possível encontrar o humor da tira?

 

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2876035 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o Texto IV para responder a questão.

Texto IV

Enunciado 3162869-1

Na fala da cigarra, no quarto quadrinho, é possível entender que o motivo de ela não emprestar seu violão para o cupim é que:

 

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2876034 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o Texto II para responder a questão.

Texto II

Enunciado 3162868-1

Tirinhas são textos que têm o objetivo de divertir. Onde está o efeito de humor da tirinha acima?

 

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2876033 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o Texto II para responder a questão.

Texto II

Enunciado 3162867-1

Nessa tirinha, vemos representações diferentes de profissionais em cada quadrinho. Vemos também legendas que identificam o tempo em cada um deles. Associando as imagens com as legendas, podemos entender que:

 

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2876032 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o texto I e, em seguida, responda a questão.

Texto I

A menina que fez a América

A minha história começa muitos e muitos anos atrás. Atrás de onde? – podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha história.

Aqui está para vocês o papel da minha história: vou contar…

Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, no sul da Itália, uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no mar Adriático.

É lá. Lá, naquela terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do reflorescer da primavera.

Saracena: este era o nome do lugar pequenino onde nasci. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre os telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do riso das crianças e do lamento dos sinos nas igrejas.

Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella. Meu pai morreu muito cedo, de um ataque do coração, quando eu tinha dois anos de idade e meu irmãozinho era ainda uma criança de berço. E foi assim que minha mãe, Giusepina Ventimiglia, uma jovem fiandeira da Saracena, ficou sendo uma viúva moça, com dois filhos para criar. Mas não ficou sozinha por muito tempo…

Em fins do século XIX, a vida estava difícil para os trabalhadores dos campos da Itália e de outras partes da Europa. Faltava serviço e, quando havia, era mal pago. Então, começaram a surgir notícias de que lá, no outro lado do oceano, nas terras jovens e ainda pouco exploradas do Novo Mundo, havia necessidade de gente disposta a trabalhar duro com a promessa de enriquecer em pouco tempo.

E os homens começaram a partir, sozinhos ou com as famílias. Iam para a América do Norte ou vinham para a América do Sul, muitos deles para o Brasil. Eram os imigrantes. E para cá vieram, sobretudo depois de 1888, a fim de substituir a mão de obra dos africanos, libertados após a abolição da escravatura.

Por isso, quando Vincenzo Laurito pediu a mão de Giuseppina Ventimiglia, foi logo dizendo:

- Você quer ir para o Brasil comigo? As crianças ficam aqui na aldeia com os avós, até juntarmos dinheiro por lá. Então mandaremos buscá-las.

Assim, Vincenzo casou-se com Giuseppina, e os dois partiram para fazer a América. E eu e meu irmãozinho Caetano ficamos sozinhos na Saracena. Ele, sob a guarda do pai de nosso pai morto; eu, sob os cuidados dos pais de nossa mãe ausente.

Éramos órfãos adotados em lares diferentes. Mas nosso destino comum já estava traçado: algum dia também nós seríamos dois pequenos emigrados da Calábria, que atravessariam o mar em busca da família, agora partida em duas metades: uma, italiana; outra, brasileira.

(…)

LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. 3ª edição. FTD: São Paulo. 2018

GLOSSÁRIO

Silvestre: selvagem; aquilo que tem característica de selva.

Reflorescer: cobrir-se novamente de flores.

Chiar: produzir som ou canto.

Burburinho: barulho que não se consegue distinguir; confusão de vozes.

Lamento: expressar mágoa; queixar-se de algo.

Fiandeira: mulher que produz fio a partir de fibras, usado depois na costura.

Novo Mundo: nome dado às Américas (América do Norte, América do Sul e América Central).

Escravatura: o mesmo que escravidão.

Releia o seguinte trecho:

“Eu perdera minha querida avozinha, mas ia ganhar finalmente minha mãe. Ela tinha escrito que havia um enxoval a minha espera no Brasil, e que eu devia deixar todas as minhas roupas velhas para trás.”

O pronome pessoal ela se refere a que outro termo na frase?

 

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2876031 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o texto I e, em seguida, responda a questão.

Texto I

A menina que fez a América

A minha história começa muitos e muitos anos atrás. Atrás de onde? – podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha história.

Aqui está para vocês o papel da minha história: vou contar…

Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, no sul da Itália, uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no mar Adriático.

É lá. Lá, naquela terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do reflorescer da primavera.

Saracena: este era o nome do lugar pequenino onde nasci. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre os telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do riso das crianças e do lamento dos sinos nas igrejas.

Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella. Meu pai morreu muito cedo, de um ataque do coração, quando eu tinha dois anos de idade e meu irmãozinho era ainda uma criança de berço. E foi assim que minha mãe, Giusepina Ventimiglia, uma jovem fiandeira da Saracena, ficou sendo uma viúva moça, com dois filhos para criar. Mas não ficou sozinha por muito tempo…

Em fins do século XIX, a vida estava difícil para os trabalhadores dos campos da Itália e de outras partes da Europa. Faltava serviço e, quando havia, era mal pago. Então, começaram a surgir notícias de que lá, no outro lado do oceano, nas terras jovens e ainda pouco exploradas do Novo Mundo, havia necessidade de gente disposta a trabalhar duro com a promessa de enriquecer em pouco tempo.

E os homens começaram a partir, sozinhos ou com as famílias. Iam para a América do Norte ou vinham para a América do Sul, muitos deles para o Brasil. Eram os imigrantes. E para cá vieram, sobretudo depois de 1888, a fim de substituir a mão de obra dos africanos, libertados após a abolição da escravatura.

Por isso, quando Vincenzo Laurito pediu a mão de Giuseppina Ventimiglia, foi logo dizendo:

- Você quer ir para o Brasil comigo? As crianças ficam aqui na aldeia com os avós, até juntarmos dinheiro por lá. Então mandaremos buscá-las.

Assim, Vincenzo casou-se com Giuseppina, e os dois partiram para fazer a América. E eu e meu irmãozinho Caetano ficamos sozinhos na Saracena. Ele, sob a guarda do pai de nosso pai morto; eu, sob os cuidados dos pais de nossa mãe ausente.

Éramos órfãos adotados em lares diferentes. Mas nosso destino comum já estava traçado: algum dia também nós seríamos dois pequenos emigrados da Calábria, que atravessariam o mar em busca da família, agora partida em duas metades: uma, italiana; outra, brasileira.

(…)

LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. 3ª edição. FTD: São Paulo. 2018

GLOSSÁRIO

Silvestre: selvagem; aquilo que tem característica de selva.

Reflorescer: cobrir-se novamente de flores.

Chiar: produzir som ou canto.

Burburinho: barulho que não se consegue distinguir; confusão de vozes.

Lamento: expressar mágoa; queixar-se de algo.

Fiandeira: mulher que produz fio a partir de fibras, usado depois na costura.

Novo Mundo: nome dado às Américas (América do Norte, América do Sul e América Central).

Escravatura: o mesmo que escravidão.

Segundo a autora do texto, onde se localizam o espaço e o tempo da história?

 

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2876030 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
Orgão: Col.Mil. São Paulo
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Leia o texto I e, em seguida, responda a questão.

Texto I

A menina que fez a América

A minha história começa muitos e muitos anos atrás. Atrás de onde? – podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha história.

Aqui está para vocês o papel da minha história: vou contar…

Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, no sul da Itália, uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no mar Adriático.

É lá. Lá, naquela terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do reflorescer da primavera.

Saracena: este era o nome do lugar pequenino onde nasci. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre os telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do riso das crianças e do lamento dos sinos nas igrejas.

Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella. Meu pai morreu muito cedo, de um ataque do coração, quando eu tinha dois anos de idade e meu irmãozinho era ainda uma criança de berço. E foi assim que minha mãe, Giusepina Ventimiglia, uma jovem fiandeira da Saracena, ficou sendo uma viúva moça, com dois filhos para criar. Mas não ficou sozinha por muito tempo…

Em fins do século XIX, a vida estava difícil para os trabalhadores dos campos da Itália e de outras partes da Europa. Faltava serviço e, quando havia, era mal pago. Então, começaram a surgir notícias de que lá, no outro lado do oceano, nas terras jovens e ainda pouco exploradas do Novo Mundo, havia necessidade de gente disposta a trabalhar duro com a promessa de enriquecer em pouco tempo.

E os homens começaram a partir, sozinhos ou com as famílias. Iam para a América do Norte ou vinham para a América do Sul, muitos deles para o Brasil. Eram os imigrantes. E para cá vieram, sobretudo depois de 1888, a fim de substituir a mão de obra dos africanos, libertados após a abolição da escravatura.

Por isso, quando Vincenzo Laurito pediu a mão de Giuseppina Ventimiglia, foi logo dizendo:

- Você quer ir para o Brasil comigo? As crianças ficam aqui na aldeia com os avós, até juntarmos dinheiro por lá. Então mandaremos buscá-las.

Assim, Vincenzo casou-se com Giuseppina, e os dois partiram para fazer a América. E eu e meu irmãozinho Caetano ficamos sozinhos na Saracena. Ele, sob a guarda do pai de nosso pai morto; eu, sob os cuidados dos pais de nossa mãe ausente.

Éramos órfãos adotados em lares diferentes. Mas nosso destino comum já estava traçado: algum dia também nós seríamos dois pequenos emigrados da Calábria, que atravessariam o mar em busca da família, agora partida em duas metades: uma, italiana; outra, brasileira.

(…)

LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. 3ª edição. FTD: São Paulo. 2018

GLOSSÁRIO

Silvestre: selvagem; aquilo que tem característica de selva.

Reflorescer: cobrir-se novamente de flores.

Chiar: produzir som ou canto.

Burburinho: barulho que não se consegue distinguir; confusão de vozes.

Lamento: expressar mágoa; queixar-se de algo.

Fiandeira: mulher que produz fio a partir de fibras, usado depois na costura.

Novo Mundo: nome dado às Américas (América do Norte, América do Sul e América Central).

Escravatura: o mesmo que escravidão.

No trecho “Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.”, o que a garota quis dizer?

 

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Questão presente nas seguintes provas
2876029 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
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Leia o texto I e, em seguida, responda a questão.

Texto I

A menina que fez a América

A minha história começa muitos e muitos anos atrás. Atrás de onde? – podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha história.

Aqui está para vocês o papel da minha história: vou contar…

Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, no sul da Itália, uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no mar Adriático.

É lá. Lá, naquela terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do reflorescer da primavera.

Saracena: este era o nome do lugar pequenino onde nasci. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre os telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do riso das crianças e do lamento dos sinos nas igrejas.

Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella. Meu pai morreu muito cedo, de um ataque do coração, quando eu tinha dois anos de idade e meu irmãozinho era ainda uma criança de berço. E foi assim que minha mãe, Giusepina Ventimiglia, uma jovem fiandeira da Saracena, ficou sendo uma viúva moça, com dois filhos para criar. Mas não ficou sozinha por muito tempo…

Em fins do século XIX, a vida estava difícil para os trabalhadores dos campos da Itália e de outras partes da Europa. Faltava serviço e, quando havia, era mal pago. Então, começaram a surgir notícias de que lá, no outro lado do oceano, nas terras jovens e ainda pouco exploradas do Novo Mundo, havia necessidade de gente disposta a trabalhar duro com a promessa de enriquecer em pouco tempo.

E os homens começaram a partir, sozinhos ou com as famílias. Iam para a América do Norte ou vinham para a América do Sul, muitos deles para o Brasil. Eram os imigrantes. E para cá vieram, sobretudo depois de 1888, a fim de substituir a mão de obra dos africanos, libertados após a abolição da escravatura.

Por isso, quando Vincenzo Laurito pediu a mão de Giuseppina Ventimiglia, foi logo dizendo:

- Você quer ir para o Brasil comigo? As crianças ficam aqui na aldeia com os avós, até juntarmos dinheiro por lá. Então mandaremos buscá-las.

Assim, Vincenzo casou-se com Giuseppina, e os dois partiram para fazer a América. E eu e meu irmãozinho Caetano ficamos sozinhos na Saracena. Ele, sob a guarda do pai de nosso pai morto; eu, sob os cuidados dos pais de nossa mãe ausente.

Éramos órfãos adotados em lares diferentes. Mas nosso destino comum já estava traçado: algum dia também nós seríamos dois pequenos emigrados da Calábria, que atravessariam o mar em busca da família, agora partida em duas metades: uma, italiana; outra, brasileira.

(…)

LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. 3ª edição. FTD: São Paulo. 2018

GLOSSÁRIO

Silvestre: selvagem; aquilo que tem característica de selva.

Reflorescer: cobrir-se novamente de flores.

Chiar: produzir som ou canto.

Burburinho: barulho que não se consegue distinguir; confusão de vozes.

Lamento: expressar mágoa; queixar-se de algo.

Fiandeira: mulher que produz fio a partir de fibras, usado depois na costura.

Novo Mundo: nome dado às Américas (América do Norte, América do Sul e América Central).

Escravatura: o mesmo que escravidão.

Como podemos entender o título do texto “A menina que fez a América”?

 

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2876028 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. São Paulo
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Leia o texto I e, em seguida, responda a questão.

Texto I

A menina que fez a América

A minha história começa muitos e muitos anos atrás. Atrás de onde? – podem perguntar vocês. E eu responderei: atrás de hoje. Ontem. Antes de anteontem. Longe, na minha memória: lá é o tempo e o espaço da minha história.

Aqui está para vocês o papel da minha história: vou contar…

Eu nasci no ano de 1890, numa pequena aldeia da Calábria, no sul da Itália, uma terra em forma de bota, que dá um pontapé no mar Mediterrâneo e um chute de calcanhar no mar Adriático.

É lá. Lá, naquela terra entre mares, foi que eu nasci num dia de inverno, quando as flores silvestres que perfumavam o ar puro dos campos da minha aldeia estavam à espera do reflorescer da primavera.

Saracena: este era o nome do lugar pequenino onde nasci. A Saracena de 1890 era aquela sem a comunicação do telefone, os sons do rádio e as imagens da televisão nas casas; sem o eco dos carros e das motocicletas nas estradas ou o ronco dos aviões sobre os telhados. A música que andava no ar, nos tempos da minha infância, vinha do canto dos pássaros, do chiar das rodas das carroças, das batidas dos cascos dos cavalos, do burburinho do riso das crianças e do lamento dos sinos nas igrejas.

Essa era a voz da terra onde começava a minha vida e terminava o meu mundo.

Nunca cheguei a conhecer meu pai, Domenico Gallo. Só em retrato: um homem alto, bonito, de finos bigodes. Ah, esqueci de dizer que meu nome é Fortunata e que, quando menina, me chamavam de Fortunatella. Meu pai morreu muito cedo, de um ataque do coração, quando eu tinha dois anos de idade e meu irmãozinho era ainda uma criança de berço. E foi assim que minha mãe, Giusepina Ventimiglia, uma jovem fiandeira da Saracena, ficou sendo uma viúva moça, com dois filhos para criar. Mas não ficou sozinha por muito tempo…

Em fins do século XIX, a vida estava difícil para os trabalhadores dos campos da Itália e de outras partes da Europa. Faltava serviço e, quando havia, era mal pago. Então, começaram a surgir notícias de que lá, no outro lado do oceano, nas terras jovens e ainda pouco exploradas do Novo Mundo, havia necessidade de gente disposta a trabalhar duro com a promessa de enriquecer em pouco tempo.

E os homens começaram a partir, sozinhos ou com as famílias. Iam para a América do Norte ou vinham para a América do Sul, muitos deles para o Brasil. Eram os imigrantes. E para cá vieram, sobretudo depois de 1888, a fim de substituir a mão de obra dos africanos, libertados após a abolição da escravatura.

Por isso, quando Vincenzo Laurito pediu a mão de Giuseppina Ventimiglia, foi logo dizendo:

- Você quer ir para o Brasil comigo? As crianças ficam aqui na aldeia com os avós, até juntarmos dinheiro por lá. Então mandaremos buscá-las.

Assim, Vincenzo casou-se com Giuseppina, e os dois partiram para fazer a América. E eu e meu irmãozinho Caetano ficamos sozinhos na Saracena. Ele, sob a guarda do pai de nosso pai morto; eu, sob os cuidados dos pais de nossa mãe ausente.

Éramos órfãos adotados em lares diferentes. Mas nosso destino comum já estava traçado: algum dia também nós seríamos dois pequenos emigrados da Calábria, que atravessariam o mar em busca da família, agora partida em duas metades: uma, italiana; outra, brasileira.

(…)

LAURITO, Ilka Brunhilde. A menina que fez a América. 3ª edição. FTD: São Paulo. 2018

GLOSSÁRIO

Silvestre: selvagem; aquilo que tem característica de selva.

Reflorescer: cobrir-se novamente de flores.

Chiar: produzir som ou canto.

Burburinho: barulho que não se consegue distinguir; confusão de vozes.

Lamento: expressar mágoa; queixar-se de algo.

Fiandeira: mulher que produz fio a partir de fibras, usado depois na costura.

Novo Mundo: nome dado às Américas (América do Norte, América do Sul e América Central).

Escravatura: o mesmo que escravidão.

Chamamos de narrador (ou narradora) a pessoa que narra (ou conta) a história. Assinale a alternativa que indica os mecanismos utilizados no texto que permitem ao leitor identificar o narrador.

 

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