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O Colégio Militar de Campo Grande realizará uma excursão com 220 alunos do ensino fundamental. Para isso, alugará ônibus com capacidade de 57 passageiros cada um. No planejamento para distribuição dos alunos nos ônibus, ficou definido que cada ônibus transportará o mesmo número de alunos. A quantidade mínima de ônibus que deverão ser alugados e a quantidade de lugares que ficarão vazios em cada ônibus, respectivamente, são:
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O Colégio Militar de Santa Maria possui 880 alunos, dos quais !$ { \large 3 \over 5} !$ são meninas. Entre as meninas, 25% usam óculos. O número de meninos que usam óculos é igual a 50% do número de meninas que não usam óculos. Com base nessas informações, podemos afirmar que:
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Dadas as frações !$ { \large 72 \over 90}; { \large 17 \over 19}; { \large 22 \over 25} !$ e !$ { \large 223 \over 250} !$, coloque-as em ordem crescente, da esquerda para a direita:
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Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Col.Mil. Campo Grande
Orgão: Col.Mil. Campo Grande

Morando no mesmo prédio, João e Maria combinaram de se encontrar em um determinado andar para brincar. Maria, saindo de seu apartamento, primeiro desceu 10 andares de escada e depois subiu 4 andares de elevador. João, saindo de seu apartamento, subiu 7 andares de elevador para se encontrar com Maria no andar marcado. Sabendo que João mora no quinto andar, podemos concluir que o andar em que Maria mora é o:
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O Colégio Militar de Campo Grande possui 560.000 metros quadrados de área. Preocupado com a segurança, o Comandante determinou que fosse instalada uma cerca elétrica em todo o seu perímetro. Sabendo que a área ocupada pelo Colégio tem forma retangular, com uma frente de 800 metros, e que a cerca elétrica é constituída de 3 fios de aço paralelos por toda sua extensão, a quantidade mínima, em metros, de fios de aço necessários para a instalação da referida cerca é de:
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Leia o TEXTO II e considere a Tabela 1 para responder ao item.
TEXTO II
Rio 2016: Militares conquistam 68% das medalhas brasileiras
Brasília, 22/08/2016 – Um resultado de superação. É esse o balanço da atuação do desporto militar brasileiro nos Jogos Olímpicos Rio 2016. O Ministério da Defesa ultrapassou as metas estabelecidas de classificar 100 atletas militares e conquistar 10 medalhas. Os números foram superiores a Londres, em 2012, e a soma chegou a 145 militares integrantes do Time Brasil que alcançaram 13 medalhas.
Com 19 medalhas, o Brasil teve o melhor desempenho da história em Olimpíadas. A contribuição das Forças Armadas para esse alcance foi de 68% dos pódios. Os medalhistas brasileiros que integram o Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), do Ministério da Defesa, se destacaram nas competições.
Os sargentos da Marinha, Rafaela Silva (ouro no judô), Mayra Aguiar (bronze no judô), Robson Conceição (ouro no boxe), Martine Grael e Kahena Kunze (ouro na vela), Alison e Bruno (ouro no vôlei de praia) e Ágatha e Bárbara (prata no vôlei de praia); os sargentos do Exército, Felipe Wu (prata no tiro esportivo), Poliana Okimoto (bronze na maratona aquática) e Rafael Silva (bronze no judô); e os sargentos da Força Aérea, Arthur Nory (bronze na ginástica artística), Maicon Siqueira (bronze no taekwondo), Arthur Zanetti (prata na ginástica artística) e Thiago Braz (ouro no atletismo), foram os medalhistas representantes das três Forças.
(Disponível em: <http://www.defesa.gov.br/noticias/
23696-rio-2016-militares-conquistam-68-das-medalhas-brasileiras>. Acesso em: 25 ago. 2016. Adaptado.)
Tabela 1
Quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos Rio 2016.
| Classificação | PAÍS | Ouro | Prata | Bronze | Total |
| 1º | Estados Unidos | 46 | 37 | 38 | 121 |
| 2º | Reino Unido | 27 | 23 | 17 | 67 |
| 3º | China | 26 | 18 | 26 | 70 |
| 4º | Rússia | 19 | 18 | 19 | 56 |
| 5º | Alemanha | 17 | 10 | 15 | 42 |
| 6º | Japão | 12 | 8 | 21 | 41 |
| 7º | França | 10 | 18 | 14 | 42 |
| 8º | Coreia do Sul | 9 | 3 | 9 | 21 |
| 9º | Itália | 8 | 12 | 8 | 28 |
| 10º | Austrália | 8 | 11 | 10 | 29 |
| 11º | Holanda | 8 | 7 | 4 | 19 |
| 12º | Hungria | 8 | 3 | 4 | 15 |
| 13º | Brasil | 7 | 6 | 6 | 19 |
| 14º | Espanha | 7 | 4 | 6 | 17 |
| 15º | Quênia | 6 | 6 | 1 | 13 |
| 16º | Jamaica | 6 | 3 | 2 | 11 |
| 17º | Croácia | 5 | 3 | 2 | 11 |
| 18º | Cuba | 5 | 2 | 4 | 11 |
| 19º | Nova Zelândia | 4 | 9 | 5 | 18 |
| 20º | Canadá | 4 | 3 | 15 | 22 |
| 21º | Uzbequistão | 4 | 2 | 7 | 13 |
| 22º | Cazaquistão | 3 | 5 | 9 | 17 |
| 23º | Colômbia | 3 | 2 | 3 | 8 |
| 24º | Suíça | 3 | 2 | 2 | 7 |
| 25º | Irã | 3 | 1 | 4 | 8 |
| 26º | Grécia | 3 | 1 | 2 | 6 |
| 27º | Argentina | 3 | 1 | - | 4 |
| 28º | Dinamarca | 2 | 6 | 7 | 15 |
| 29º | Suécia | 2 | 6 | 3 | 11 |
| 30º | África do Sul | 2 | 6 | 2 | 10 |
| 31º | Ucrânia | 2 | 5 | 4 | 11 |
| 32º | Sérvia | 2 | 4 | 2 | 8 |
| 33º | Polônia | 2 | 3 | 6 | 11 |
| 34º | Coreia do Norte | 2 | 3 | 2 | 7 |
| 35º | Bélgica | 2 | 2 | 2 | 6 |
| 35º | Tailândia | 2 | 2 | 2 | 6 |
| 38º | Eslováquia | 2 | 2 | - | 4 |
| 39º | Azerbajão | 1 | 7 | 10 | 18 |
| 40º | Belarus | 1 | 4 | 4 | 9 |
| 41º | Turquia | 1 | 3 | 4 | 8 |
| 42º | Armênia | 1 | 3 | - | 4 |
| 43º | República Tcheca | 1 | 2 | 7 | 10 |
| 44º | Etiópia | 1 | 2 | 5 | 8 |
| 45º | Eslovênia | 1 | 2 | 1 | 4 |
(Disponível em: <https://www.rio2016.com/quadro-de-medalhas-paises>. Acesso em: 25 ago. 2016.)
Observação:
Note que na tabela 1, o critério de classificação é definido pelo total de medalhas de ouro. Caso haja empate no número de medalhas de ouro, o segundo critério é o número total de medalhas de prata e, por fim, persistindo o empate, o número total de medalhas de bronze.
De acordo com o TEXTO II e a Tabela 1, podemos afirmar que, caso os atletas brasileiros medalhistas representantes das três Forças Armadas não tivessem participado dos jogos olímpicos RIO 2016, a classificação final do Brasil na tabela 1 seria a:
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Leia atentamente o Texto II a seguir e responda ao item.
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado 5 a mantinha de lã e estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes!”.
O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas, o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada, que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã. Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino, engole esse choro, você vai e pronto!”.
Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele, fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem, acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda 55 alternativa. Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna? Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe! Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la, médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista, mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Em “Vinha esperando a semana inteira pelo especial de um ano do Bambalalão”, o termo destacado refere-se a um/uma
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A soma de todos os números naturais pares até 2.016 menos a soma de todos os números naturais ímpares até 2.016 é igual a:
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Na malha quadriculada abaixo, cada quadradinho possui 4 cm de lado. Os segmentos de reta inclinados (não horizontais e não verticais) da palavra RIO, em destaque, definem-se de duas formas. A primeira, através da ligação entre os pontos médios dos lados dos quadradinhos; a segunda, através da ligação de um dos vértices do quadradinho ao seu centro. Considerando o exposto, podemos afirmar que a área ocupada pela palavra RIO, em cm2, é igual a:

Observações:
1. Ponto médio – é o ponto que divide um segmento de reta exatamente no meio, tendo dois novos segmentos de comprimentos iguais;
2. Centro do quadrado – é o ponto de encontro de suas diagonais.
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Leia atentamente o Texto II a seguir e responda ao item.
TEXTO II
A perna do seu Duílio
Era domingo e eu estava extremamente emburrado. Vinha esperando a semana inteira pelo especial de um ano do Bambalalão, com novos quadros, convidados especiais e um minibugue camuflado para o grande vencedor da gincana; aí, quando já tinha até arrumado meu canto do sofá, posicionado as almofadas preferidas, pegado 5 a mantinha de lã e estava indo preparar a xícara com Leite Moça e Nescau, minha mãe chega penteando o cabelo e diz que vamos sair: é aniversário do seu Duílio.
E por acaso eu conhecia algum Duílio?! Ela explicou tratar-se do pai do marido da minha tia, e que naquele dia ele faria aniversário. Eu expliquei que Bambalalão era meu programa predileto e que naquele dia ele também faria aniversário. Minha mãe sentou-se ao meu lado e deu início à inútil tática de despertar meu interesse, a mesma que usava para me convencer a comer coisas verdes e pastosas ou tomar xarope para tosse: “Olha que legal, o seu Duílio vai fazer oitenta anos! Sabe quanto é oitenta? Todos os dedos das duas mãos abertas uma, duas, três, quatro, cinco, seis, sete, oito vezes!”.
O abrir e fechar de dedos podia servir para me fazer um cafuné, se ela quisesse, ou preparar massa de biscoito, mas não ajudaria em nada a me convencer de que conhecer uma pessoa muito velha fosse mais interessante do que assistir à corrida de saco na piscina de bolinhas, o pega-pega de olhos vendados ou ver o vencedor recebendo o minibugue de pintura camuflada, que eu vinha cobiçando a semana inteira diante da TV.
Reagi, como sempre fazia naquelas ocasiões. Olhei por cima do seu ombro, mudei de canal com o controle remoto. Minha mãe tentou fisgar meu interesse de outra forma: disse que lá ia estar cheio de crianças da minha idade.
Chorei, esperneei, bufei, enfiei a cabeça debaixo da manta e me fechei num casulo de lã. Minha mãe abandonou a sedução e resolveu me pegar pela culpa. Explicou que o seu Duílio tinha me visto nascer, tinha me pegado no colo, pequenininho. Grande coisa, eu não me lembrava de ter nascido, não havia pedido que ele me pegasse no colo, problema dele. Minha mãe tentou me descobrir, eu esperneei mais ainda, comecei a atirar as almofadas no chão, gritei “Não vou! Não vou! Não vou!”, até que ela abandonou todas as técnicas de convencimento e ordenou: “Menino, engole esse choro, você vai e pronto!”.
Fui no banco de trás do carro, encolhido e de olhos fechados, torcendo para que ela se virasse, me visse e pensasse, “Caramba, acho que dessa vez a gente exagerou, o Antônio tá sofrendo de verdade, melhor voltar e deixá-lo assistir ao programa dele”. Mas nos breves momentos em que abri os olhos para conferir, ela não estava prestando atenção. Estava, na verdade, concentrada numa conversa com meu padrasto: “Melhor não”, ela dizia, “Se a gente avisa, desperta o interesse. Deixa acontecer naturalmente”, “É, pode ser, bom, de qualquer forma o seu Duílio deve saber como lidar com essas coisas, não é de hoje, né…”. Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que, no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra, e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.
Chegamos. Era aquela coisa de sempre: um monte de parentes e outros adultos mexendo no meu cabelo, na minha bochecha e na minha barriga, dizendo que eu estava grande e bonito.
O seu Duílio estava sentado numa poltrona, num dos cantos da sala. Tinha os cabelos todos brancos. Minha mãe o beijou, dizendo: “Parabéns, seu Duílio!” Depois, meu padrasto apertou sua mão e falou: “Oitenta, hein, seu Duílio! Daqui a pouco é noventa, já!”
O velho ficou falando umas coisas sobre fazer oitenta anos, eu fiquei olhando pra ele, fingindo que ouvia, mas a minha cabeça estava longe, lá na sala de casa, imaginando assistir ao Bambalalão, e provavelmente por lá ficaria até o final daquela tarde se meus olhos não tivessem, acidentalmente, ido parar na perna esquerda do aniversariante — ou melhor, num pedaço da poltrona onde deveria estar sua perna esquerda. Olhei uma vez, olhei duas, olhei três. Longos segundos se passaram até que eu pudesse aceitar o que via: a perna esquerda do seu Duílio não existia!
Que coisa espetacular! Se a minha mãe tivesse perguntado: “O que você prefere, assistir a Bambalalão ou conhecer um homem sem perna?”, claro que eu ficaria com a segunda 55 alternativa. Lembrei-me do homem que eu tinha visto no circo, um dia, botando uma mulher de maiô numa caixa e a serrando ao meio. Seria seu Duílio aquele homem? Teria ele cortado a própria perna? Como? Será que ele conseguia tirar e recolocar a perna sempre que quisesse? Onde guardava a perna, quando não a usava? Numa gaveta do quarto, no banheiro, na área de serviço, junto à bicicleta? Conseguiria ele remover também outros membros?
Minha mãe me cutucou: “Ô, Antônio, não vai dar oi pro seu Duílio?”. Como não? “Oi, seu Duílio! Cadê sua perna?!” Minha mãe me olhou com uma cara estranha. Achei que ela não tivesse ouvido o que eu acabara de dizer. Falei ainda mais alto: “Olha! Olha! Ele só tem uma perna! Mãe! Mãe! Cadê a perna do seu Duílio?”. Todos na sala fizeram silêncio.
Ninguém mais se empolgava com aquela situação? Será que não haviam percebido? Seria o primeiro dia em que o seu Duílio saía sem a perna? Uma surpresa que preparou para a festa de oitenta anos, uma mágica, e eu havia sido o único a notar?
O silêncio foi quebrado pelo próprio Duílio. Ele me fez sentar no braço da poltrona e me contou a história inteira, respondendo a todas as perguntas que eu fazia. Explicou que a perna fora cortada por causa de uma doença, mas que eu não deveria me preocupar, era uma doença que só dava em velhos. A operação aconteceu num hospital. Não, ele não precisou ir de bermuda, porque no hospital dão uma camisola. Sim, uma camisola, mesmo para os homens. Depois de vesti-la, médicos deram-lhe uma injeção no braço e ele dormiu, de um jeito que você não sente dor e não acorda nem se pularem na sua barriga. Aí é que vem a parte mais estranha: depois de tirarem a perna, não fizeram um curativo enorme, nem vários, nem puseram esparadrapo, não: eles o costuraram, com agulha e linha, da mesma forma que minha mãe costurava pedaços redondos de couro nos joelhos dos meus moletons. A cor da linha era preta, e seu Duílio não soube dizer se poderia ser azul, verde ou vermelha, caso ele assim preferisse.
Queria passar a tarde inteira ali, sentado no braço da poltrona, seguindo com a entrevista, mas minha mãe logo me pôs no chão e me mandou para o quintal, onde estavam as outras crianças.
No dia seguinte, na escola, mal se falou sobre o Bambalalão: só queriam saber da minha história com o homem de perna cortada. O único que não se interessou foi o Válter, do pré: nem ligou e disse que ter a perna cortada não era nada de mais; toda noite, antes de dormir, a avó dele tirava os dentes e as gengivas e punha dentro de um copo d’água. Claro, ninguém acreditou e ficou evidente que o Válter só queria roubar a atenção.
(PRATA, Antonio. In: Folha de S. Paulo. Caderno Ilustrada, 02 abr. 2016, p. E2.)
Releia: “Não entendi o que eles diziam nem me interessei, só pensava que no dia seguinte, na escola, todo mundo ia estar falando sobre a corrida de saco na piscina de bolinhas, ia comentar sobre a criança que ganhou o minibugue e se ela mereceu mais que a outra e eu não poderia opinar, porque estava na festa de um homem cuja maior qualidade era ter tantos anos quanto todos os dedos das duas mãos abertas oito vezes. Que emoção.” Nessa passagem, nota-se o uso de
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