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220946 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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TEXTO X

Aula de português

A linguagem

na ponta da língua

tão fácil de falar

e de entender.

A linguagem

na superfície estrelada de letras,

sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

e vai desmatando

o amazonas de minha ignorância.

Figuras de gramática, esquipáticas,

atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,

em que pedia para ir lá fora,

em que levava e dava pontapé,

a língua, breve língua entrecortada

do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

ANDRADE, Carlos Drummond de. Boitempo: esquecer para lembrar. São Paulo: Companhia das Letras, 2017, p. 129.

“Os processos de formação de palavras servem regularmente à produção de efeitos emotivo-afetivo, conativo-apelativo e poético, assim como participam dos meios de coesão textual.” (AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da língua portuguesa. São Paulo: Publifolha, 2008, p. 470.)

No Texto X, Drummond se utiliza da função poética para conseguir, valendo-se das potencialidades linguísticas, certo efeito de sentido.

Acerca do processo de formação da palavra “esquipáticas”, é correto afirmar que se trata de

 

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220945 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220945-1

Uma das marcas mais típicas da narrativa machadiana é a expressão de uma mundividência em que a desilusão com a vida, com a sociedade e com o ser humano são as tônicas.

O Texto V apresenta, sutilmente, a visão desiludida do narrador em relação à existência humana e à vida, por meio da

 

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220943 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220943-1

Enunciado 220943-2

“A classificação de formas de preenchimento da categoria sujeito por critérios puramente sintáticos constitui-se em uma redução do fenômeno linguístico, [...] pois [...] se contemplam apenas aspectos da imanência linguística, silenciando outros situacionais, político-ideológicos, que indicam a posição do enunciador em relação às representações sociais que ele tem da realidade de que fala.” (ANTUNES, Irandé. “Particularidades sintático-semânticas da categoria de sujeito em gêneros textuais da comunicação pública formal”. In: MEURER, José Luiz; MOTTA-ROTH, Desirée (Org.). Gêneros textuais e práticas discursivas: subsídios para o ensino da linguagem. São Paulo: Edusc, 2002, p. 215-216.)

No Texto VIII, o texto ao lado da foto diz que “O garoto tinha só 14 anos e estava indo para a escola quando uma bala o matou. Em Realengo, outro adolescente da mesma idade foi morto a tiros”. A gramática tradicional classifica os sujeitos das duas orações destacadas como “determinados”, por estarem explícitos na frase, e “simples”, por conterem somente um núcleo.

No entanto, sabe-se que o lugar sintático do sujeito é um lugar de proeminência na estrutura sintagmática dos enunciados e pode transparecer escolhas feitas pelo enunciador.

Tomando por base a citação de Antunes (2002), uma análise mais aprofundada, que ultrapassa os critérios puramente sintáticos de classificação, revela que a escolha feita tem o objetivo de

 

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220938 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220938-1

Enunciado 220938-2

“Usamos a expressão domínio discursivo para designar uma esfera ou instância de produção discursiva ou de atividade humana. [...] Do ponto de vista dos domínios, falamos em discurso jurídico, discurso jornalístico, discurso religioso etc., já que as atividades jurídica, jornalística ou religiosa não abrangem um gênero em particular, mas dão origem a vários deles.” (MARCUSCHI, L. A. “Gêneros textuais: definição e funcionalidade”. In: DIONÍSIO, Ângela; MACHADO, Anna Rachel et al. Gêneros textuais e ensino. Rio de Janeiro: Lucerna, 2003, p. 23.)

Apesar de os textos VIII e IX serem de gêneros diferentes, eles pertencem à mesma esfera discursiva: o domínio jornalístico. Além disso, ambos foram publicados na mesma época (final de junho de 2018) e retratam dois fatos concomitantes: a Copa do Mundo 2018 e a morte de um estudante atingido durante um confronto entre policiais e traficantes na favela da Maré, no Rio de Janeiro.

Ao comparar os textos, é correto afirmar que o Texto VIII

 

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220931 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
TEXTO II
SOBERANIA
Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo do vento escorregava muito e eu não consegui pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado e disse que eu tivera um vareio da imaginação. Mas que esses vareios acabariam com os estudos. E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio. E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria das ideias e da razão pura. Especulei filósofos e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande saber. Achei que os eruditos nas suas altas abstrações se esqueciam das coisas simples da terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo — o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase: A imaginação é mais importante do que o saber. Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu olho começou a ver de novo as pobres coisas do chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as próprias asas. E vi que o homem não tem soberania nem pra ser um bem-te-vi.
BARROS, Manoel de. Memórias inventadas. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.
TEXTO III
OS GRANDES E falam de negócio. De escrituras demandas hipotecas de apólices federais de vacas paridas de éguas barganhadas de café tipo 4 e tipo 7.
Incessantemente falam de negócio. Contos contos contos de réis saem das bocas, circulam pela sala em revoada, forram as paredes, turvam o céu claro, perturbando meu brinquedo de pedrinhas que vale muito mais.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Vou crescer assim mesmo: poemas para a infância. São Paulo: Companhia das Letrinhas, 2016.
Em seus poemas, Manoel de Barros e Carlos Drummond de Andrade põem em tensão os mundos infantil e adulto, chamando a atenção para a importância da imaginação e da ludicidade da criança.
Assinale a alternativa em que esses dois aspectos da infância aparecem nos versos do Texto II e do Texto III, respectivamente.
 

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220930 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220930-1

Uma das funções contemporâneas dos estudos literários é a revisão do cânone, dando publicidade às vozes sociais que foram recalcadas pela tradição por razões que nem sempre corresponderam à da qualidade estética. É o caso de Quarto de despejo, romance em forma de diário em que a favela não é apresentada por um intelectual consagrado, mas pela própria favelada.

No Texto VII, a percepção aguda da narradora quanto à opressão vivida nas relações sociais estabelecidas na favela põe em destaque o(a)

 

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220927 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220927-1

“Para que o convívio do leitor com a literatura resulte efetivo, nessa aventura espiritual que é a leitura, muitos são os fatores em jogo. Entre os mais importantes está a necessária adequação dos textos às diversas etapas do desenvolvimento infantil/juvenil.” (COELHO, Nelly Novaes. Literatura infantil: teoria, análise e didática. São Paulo: Moderna, 2000, p. 32.)

A obra de Pedro Bandeira pode ser considerada um clássico entre os leitores infantojuvenis, não só pela liderança nas vendagens, como também pelo sucesso entre os jovens leitores do Brasil.

A escolha dessa obra e os trabalhos desenvolvidos sobre ela, para alunos do ensino fundamental II, deverão levar em conta

 

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220921 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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TEXTO IV

A educação pela pedra

Uma educação pela pedra: por lições;

para aprender da pedra, frequentá-la;

captar sua voz inenfática, impessoal

(pela de dicção ela começa as aulas).

A lição de moral, sua resistência fria

ao que flui e a fluir, a ser maleada;

a de poética, sua carnadura concreta;

a de economia, seu adensar-se compacta:

lições da pedra (de fora para dentro,

cartilha muda), para quem soletrá-la.

Outra educação pela pedra: no Sertão

(de dentro para fora, e pré-didática).

No Sertão a pedra não sabe lecionar,

e se lecionasse, não ensinaria nada;

lá não se aprende a pedra: lá a pedra,

uma pedra de nascença, entranha a alma.

MELLO NETO, João Cabral de. Poesias completas. Rio de Janeiro: José Olympio, 1979, p. 11.

“O Sertão não é unicamente um lugar; é um estilo. Captá-lo, traduzir-se nele, é estar atento a suas incontáveis configurações, sobretudo as discursivas.” (SECCHIN, Antônio Carlos. In: AZEREDO, José Carlos de. Ensino de português: fundamentos, percursos, objetos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2007, p. 180.)

Em João Cabral de Melo Neto, a simples pontuação é discurso, uma vez que reverbera certos efeitos de sentido elaborados pelo poeta. Nessa perspectiva, tal recurso linguístico

 

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220919 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II
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Enunciado 220919-1

No Texto III, o jogo dos tempos verbais articula-se para a construção de sentidos da narrativa e para a compreensão, pelo leitor, da relação entre as impressões e os fatos relatados.

A respeito desse jogo dos tempos verbais na narrativa, pode-se afirmar que

 

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220917 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col. Pedro II
Orgão: Col. Pedro II

TEXTO I

Mapa dos sonhos


A guerra devastou nosso país. Os prédios ruíram, viraram pó. Perdemos tudo o que tínhamos e fugimos de mãos vazias.

Percorremos um longo caminho, rumo ao leste, e chegamos a um país de verões quentes e invernos gelados, a uma cidade cujas casas eram de barro, palha e estrume de camelo, rodeada por estepes poeirentas, abrasadas pelo sol.

Fomos morar num quartinho, com um casal que não conhecíamos. Dormíamos no chão de terra batida. Eu não tinha brinquedos nem livros. E o pior: a comida era pouca.

Um dia, meu pai foi ao mercado comprar pão. A tarde foi caindo, e ele não voltava. Minha mãe e eu o esperávamos, preocupados e famintos. Já estava escurecendo quando ele chegou, trazendo um rolo de papel embaixo do braço.

– Comprei um mapa – anunciou, triunfante.

– Onde está o pão? – minha mãe perguntou.

– Comprei um mapa – ele repetiu.

Mamãe e eu não dissemos nada.

– Meu dinheiro só dava para comprar um pedaço minúsculo de pão, que não mataria nossa fome – ele explicou, se desculpando.

– Não temos nada para comer – minha mãe disse, amargurada.

– Em compensação, temos um mapa.

Fiquei furioso. Achei que não ia conseguir perdoá-lo, e fui para a cama com fome, enquanto o casal que morava conosco comia seu jantar minguado.

O marido era escritor. Ele escrevia em silêncio, mas fazia um barulhão danado quando mastigava. Mastigava uma casquinha de pão com o maior entusiasmo, como se fosse a guloseima mais deliciosa do mundo. Senti inveja do pão dele. Quem dera eu pudesse mastigá-lo! Cobri a cabeça com o cobertor para não ouvi-lo estalar os lábios com aquela satisfação tão barulhenta.

No dia seguinte, meu pai pendurou o mapa. Ele ocupou a parede inteira! Nosso quartinho sem graça inundou-se de cores.

Fiquei fascinado pelo mapa e passei horas olhando para ele, examinando cada detalhe. E durante muitos dias eu o desenhei em cada pedacinho de papel que me aparecia pela frente.

Eu encontrava nomes desconhecidos naquele mapa. Lia-os em voz alta, me deliciando com seu som estranho e usando-os para compor quadrinhas rimadas:

Fukuoka Takaoka Omsk,

Fukuyama Nagayama Tomsk,

Okasaki Miyasaki Pinsk,

Pensilvânia Transilvânia Minsk!

Eu repetia esses versos como uma fórmula mágica, e, sem nunca sair do quarto, me transportava para longe.

Aterrissei em desertos abrasadores.

Percorri praias, sentindo a areia entre os dedos dos pés.

Escalei montanhas nevadas onde o vento gelado me lambia o rosto.

Vi templos maravilhosos com esculturas de pedra dançando nas paredes e pássaros de todas as cores cantando nos telhados.

Atravessei pomares cheios de frutas, comi mamões e mangas até me fartar.

Bebi água fresquinha e descansei à sombra de palmeiras.

Cheguei a uma cidade de arranha-céus e tentei contar suas janelas. Eram tantas que caí no sono antes de acabar.

E assim passei horas de encantamento longe da fome e da miséria.

E perdoei meu pai. Afinal, ele fez a coisa certa.

Nota do autor: Nasci em Varsóvia, na Polônia. O bombardeio de Varsóvia aconteceu em 1939, quando eu tinha 4 anos. Lembro-me das ruas afundando, dos edifícios queimados ou desmoronando, virando pó, e de uma bomba que caiu no vão da escada do nosso prédio. Pouco depois, fugi da Polônia com minha família. Durante seis anos moramos na União Soviética, a maior parte do tempo na Ásia Central, na cidade de Turquestão, onde hoje é o Casaquistão. Por fim chegamos a Paris, em 1947, e nos mudamos para Israel em 1949. Vim para os Estados Unidos em 1959. A história desse livro é de quando eu tinha quatro ou cinco anos, nos primeiros tempos de nossa permanência no Turquestão. O mapa original se perdeu há muito tempo.


SHULEVITZ, Uri. Mapa dos sonhos. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
O autor do Texto I utiliza variados recursos linguísticos, dentre eles, figuras de linguagem. Releia a frase, observando o trecho em destaque:
Vi templos maravilhosos com esculturas de pedra dançando nas paredes e pássaros de todas as cores cantando nos telhados.

Assinale a alternativa em que se repete a figura de linguagem que consta do trecho destacado.
 

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