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Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
“Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames”.
I. A lacuna pontilhada deve ser preenchida pela letra “z”.
II. Trata-se de substantivo masculino empregado, quase sempre, no plural.
III. Um sinônimo adequado para substituir “pê...ames”, exigindo concordância de gênero da palavra “sentidos”, é “condolências”.
Quais estão corretas?
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- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
- MorfologiaPronomesPronomes PessoaisPronomes Pessoais Oblíquos
Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
( ) Em “Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta”, “se” é pronome reflexivo.
( ) Em “o leitor se depara com ‘Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem’”, “se” é índice de indeterminação do sujeito. ( ) Em “para ver se as pessoas ao redor topam entrar no nosso mundo”, “se” é conjunção integrante.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
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(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
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- SemânticaDenotação e Conotação
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de Linguagem
Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
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Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
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Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
I. Supressão da palavra “a” na expressão “a fundo” em “E que essa seria uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo”.
II. Supressão da segunda ocorrência da palavra “hábito” em “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
III. Substituição de “para sempre” por “definitivamente” no trecho “Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto”.
Quais NÃO acarretariam mudanças significativas de sentido ou incorreção aos trechos?
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Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
“Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não disse isso de forma depreciativa”.
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Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
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Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
Fonte: https://blogdoaftm.com.br/charge-medo-2/.
I. Os medos expressos na charge podem ser tomados como exemplos dos medos que a autora chama de “óbvios”.
POIS
II. São medos concretos, assim como o medo que ela sente de aranha ou de altura.
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Provas
Os medos que nos definem
Por Tríssia Ordovás Sartori
Leio um poeta que diz preferir se apresentar por aquilo que o assusta. E que essa seria
uma maneira mais rápida e verdadeira de conhecer alguém a fundo. De criar empatia, de tentar
diminuir a idealização, que costuma estragar tudo. Com o passar do tempo, percebemos que
as pessoas ao nosso redor não têm a menor obrigação de corresponder ao que imaginamos
sobre elas. Esse é um problema exclusivamente nosso e temos que aprender a lidar com ele.
Albert Camus, ao versar sobre o desencontro entre o esperado e aquilo que está posto, discorre
que “criamos o hábito de viver antes de adquirir o hábito de pensar”.
É de Camus, aliás, um dos primeiros parágrafos mais emblemáticos entre todas as
produções literárias já escritas. Em O Estrangeiro (1942), ao ler as primeiras linhas, o leitor se
depara com “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do
asilo: ‘Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pê...ames’. Isso não esclarece nada. Talvez
tenha sido ontem”. O personagem segue vivendo sem ilusões e nada mais parece assustá-lo.
Nem sempre nossos medos são claros e conscientes. Os meus mais óbvios são medo de
aranha e de altura. Não consigo ver aracnídeos sem entrar em pânico nem por foto, já altura
eu sublimo e faço concessões – entro em aviões sozinha, atravesso oceanos e me nego a deixar
de viajar “só” por causa disso. No entanto, jamais saltaria de paraquedas ou bungee jump. Mas
isso está longe de definir quem sou, ao contrário do que refere o poeta.
Os medos que podem me definir de forma mais precisa são mais profundos e difíceis de
serem verbalizados. Tenho medo de perder para sempre as pessoas de quem gosto. De ficar
indiferente ___ mazelas do cotidiano. De magoar ___ pessoas. De ser magoada. Do descaso.
De errar a dose das emoções. De não conseguir voltar atrás.
O medo declarado, nesse caso, pode significar a capacidade de se abrir ao outro, de
mostrar um lado obscuro, sem nenhum grau de atratividade, para ver se as pessoas ao redor
topam entrar no nosso mundo do jeito que somos – e apesar dele. Esse desnudamento pode
ser um convite a compartilhar a nossa versão sem filtros, crua, difícil e nem sempre amistosa,
ao lado de pessoas que ajudem a não paralisarmos diante daquilo que causa hesitação. Dividir
o que nos desagrada em nós pode ser uma forma também de exorcizarmos nosso lado sombrio,
de nos aceitarmos e nos revelarmos.
Dia desses, uma amiga disse acreditar que não temos o valor que supomos ter – e não
disse isso de forma depreciativa. Completou que somos apenas instrumentos, para aprender
com experiências ruins, atribuir sentido ___ elas e mostrar uns aos outros que somos testados
a desafiar nossos medos e crenças o tempo todo. E a graça da vida reside exatamente nisso:
na possibilidade de se (re)conhecer a cada instante, seja olhando para si ou se espelhando no
outro.
(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/trissia-ordovas-sartori/– texto adaptado especialmente para esta prova).
I. A autora considera que assumir seus próprios medos pode ser algo que apresente aspectos positivos para o seu autoconhecimento.
II. São nossos medos conscientes e inconscientes que podem nos definir, na medida em que trazem à tona uma versão menos pública de nós.
III. A autora inicia seu texto fazendo referência a um poeta que pode ser descrito como uma figura pragmática, a partir disso ela constrói suas reflexões.
Quais estão corretas?
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