Foram encontradas 70 questões.
O terror torna-se total quando independe de toda oposição; reina supremo quando ninguém mais lhe barra o caminho. Se a legalidade é a essência do governo não tirânico e a ilegalidade é a essência da tirania, então o terror é a essência do domínio totalitário. O terror é a realização da lei do movimento.
O seu principal objetivo é tornar possível, à força da natureza ou da história, propagar-se livremente por toda a humanidade, sem o estorvo de qualquer ação humana espontânea. Como tal, o terror procura “estabilizar” os homens, a fim de liberar as forças da natureza ou da história. Esse movimento seleciona os inimigos da humanidade contra os quais se desencadeia o terror, e não pode permitir que qualquer ação livre, de oposição ou de simpatia, interfira com a eliminação do “inimigo objetivo” da história ou da natureza, da classe ou da raça. Culpa e inocência viram conceitos vazios; “culpado” é quem estorva o caminho do processo natural ou histórico que já emitiu julgamento quanto às “raças inferiores”, quanto a quem é “indigno de viver”, quanto a “classes agonizantes e povos decadentes”. O terror manda cumprir esses julgamentos, mas no seu tribunal todos os interessados são subjetivamente inocentes: os assassinados porque nada fizeram contra o regime, e os assassinos porque realmente não assassinaram, mas executaram uma sentença de morte pronunciada por um tribunal superior. Os próprios governantes não afirmam serem justos ou sábios, mas apenas executores de leis, teóricas ou naturais; não aplicam leis, mas executam um movimento segundo a sua lei inerente.
No governo constitucional, as leis positivas destinam-se a erigir fronteiras e a estabelecer canais de comunicação entre os homens, cuja comunidade é continuamente posta em perigo pelos novos homens que nela nascem. A estabilidade das leis corresponde ao constante movimento de todas as coisas humanas, um movimento que jamais pode cessar enquanto os homens nasçam e morram. As leis circunscrevem cada novo começo e, ao mesmo tempo, asseguram a sua liberdade de movimento, a potencialidade de algo inteiramente novo e imprevisível; os limites das leis positivas são para a existência política do homem o que a memória é para a sua existência histórica: garantem a preexistência de um mundo comum, a realidade de certa continuidade que transcende a duração individual de cada geração, absorve todas as novas origens e delas se alimenta.
Confundir o terror total com um sintoma de governo tirânico é tão fácil, porque o governo totalitário tem de conduzir-se como uma tirania e põe abaixo as fronteiras da lei feita pelos homens. Mas o terror total não deixa atrás de si nenhuma ilegalidade arbitrária, e a sua fúria não visa ao benefício do poder despótico de um homem contra todos, muito menos a uma guerra de todos contra todos. Em lugar das fronteiras e dos canais de comunicação entre os homens individuais, constrói um cinturão de ferro que os cinge de tal forma que é como se a sua pluralidade se dissolvesse em Um-Só-Homem de dimensões gigantescas. Abolir as cercas da lei entre os homens — como o faz a tirania — significa tirar dos homens os seus direitos e destruir a liberdade como realidade política viva, pois o espaço entre os homens, delimitado pelas leis, é o espaço vital da liberdade.
Hannah Arendt. Origens do totalitarismo. Internet:<www.dhnet.org.br> (com adaptações).
Infere-se do texto CG1A1-I que, na lógica que rege o tribunal do terror, além dos assassinados, também são subjetivamente inocentes os assassinos, porque estes
Provas
O terror torna-se total quando independe de toda oposição; reina supremo quando ninguém mais lhe barra o caminho. Se a legalidade é a essência do governo não tirânico e a ilegalidade é a essência da tirania, então o terror é a essência do domínio totalitário. O terror é a realização da lei do movimento.
O seu principal objetivo é tornar possível, à força da natureza ou da história, propagar-se livremente por toda a humanidade, sem o estorvo de qualquer ação humana espontânea. Como tal, o terror procura “estabilizar” os homens, a fim de liberar as forças da natureza ou da história. Esse movimento seleciona os inimigos da humanidade contra os quais se desencadeia o terror, e não pode permitir que qualquer ação livre, de oposição ou de simpatia, interfira com a eliminação do “inimigo objetivo” da história ou da natureza, da classe ou da raça. Culpa e inocência viram conceitos vazios; “culpado” é quem estorva o caminho do processo natural ou histórico que já emitiu julgamento quanto às “raças inferiores”, quanto a quem é “indigno de viver”, quanto a “classes agonizantes e povos decadentes”. O terror manda cumprir esses julgamentos, mas no seu tribunal todos os interessados são subjetivamente inocentes: os assassinados porque nada fizeram contra o regime, e os assassinos porque realmente não assassinaram, mas executaram uma sentença de morte pronunciada por um tribunal superior. Os próprios governantes não afirmam serem justos ou sábios, mas apenas executores de leis, teóricas ou naturais; não aplicam leis, mas executam um movimento segundo a sua lei inerente.
No governo constitucional, as leis positivas destinam-se a erigir fronteiras e a estabelecer canais de comunicação entre os homens, cuja comunidade é continuamente posta em perigo pelos novos homens que nela nascem. A estabilidade das leis corresponde ao constante movimento de todas as coisas humanas, um movimento que jamais pode cessar enquanto os homens nasçam e morram. As leis circunscrevem cada novo começo e, ao mesmo tempo, asseguram a sua liberdade de movimento, a potencialidade de algo inteiramente novo e imprevisível; os limites das leis positivas são para a existência política do homem o que a memória é para a sua existência histórica: garantem a preexistência de um mundo comum, a realidade de certa continuidade que transcende a duração individual de cada geração, absorve todas as novas origens e delas se alimenta.
Confundir o terror total com um sintoma de governo tirânico é tão fácil, porque o governo totalitário tem de conduzir-se como uma tirania e põe abaixo as fronteiras da lei feita pelos homens. Mas o terror total não deixa atrás de si nenhuma ilegalidade arbitrária, e a sua fúria não visa ao benefício do poder despótico de um homem contra todos, muito menos a uma guerra de todos contra todos. Em lugar das fronteiras e dos canais de comunicação entre os homens individuais, constrói um cinturão de ferro que os cinge de tal forma que é como se a sua pluralidade se dissolvesse em Um-Só-Homem de dimensões gigantescas. Abolir as cercas da lei entre os homens — como o faz a tirania — significa tirar dos homens os seus direitos e destruir a liberdade como realidade política viva, pois o espaço entre os homens, delimitado pelas leis, é o espaço vital da liberdade.
Hannah Arendt. Origens do totalitarismo. Internet:<www.dhnet.org.br> (com adaptações).
De acordo com o texto CG1A1-I, o terror corresponde
Provas
Considerando os impactos da transformação digital e da pandemia de covid-19 na gestão de pessoas no setor público, é correto afirmar que se verifica como tendência
Provas
Uma habilidade fundamental de um líder é reconhecer o tipo de conflito de que está diante, para escolher as melhores alternativas de lidar com ele, visando transformá-lo em uma oportunidade para a organização.
Nesse contexto, o conflito construtivo caracteriza-se por
Provas
A inovação nunca é isenta de riscos. Mas, se for baseada na exploração daquilo que já aconteceu na própria empresa, ela será muito menos arriscada do que não inovar pela exploração dessas oportunidades.
Peter Drucker. Desafios gerenciais para o século XXI. Traduzido por Nivaldo Montigelli Jr.
São Paulo: Cengage Learning, 1999 (com adaptações).
Acerca de uma postura apropriada do líder de mudanças para implantar uma inovação, assinale a opção correta.
Provas
Com relação a técnicas psicológicas e outras alternativas utilizadas na psicologia da saúde, assinale a opção correta.
Provas
Os fatores reconhecidos como facilitadores da adesão ao tratamento incluem
Provas
No que se refere ao psicodiagnóstico, às técnicas de entrevista e aos instrumentos de avaliação, assinale a opção correta.
Provas
Lúcio, de 40 anos de idade, relata, em avaliação psiquiátrica, características condizentes com quadro de concentração prejudicada, anedonia, retardo psicomotor e ideação suicida há mais de três semanas. Comenta perda de energia, além de alteração no sono. Nega delírios e alucinações.
Levando-se em consideração as contribuições da psicopatologia, é correto afirmar que Lúcio apresenta características do transtorno
Provas
Caso clínico 8A01-I
Francisco, com 7 anos de idade, foi encaminhado pela escola para acompanhamento psicológico. De acordo com o coordenador pedagógico da escola, a criança apresenta muita dificuldade em acatar comandos e regras, não realiza as atividades solicitadas e atrapalha os colegas e a turma como um todo. No último mês, a situação se agravou. Francisco começou a agredir fisicamente colegas e funcionários da escola, precisando ser contido para que não machucasse a si ou a outra pessoa com maior gravidade. Ao ser indagado, o menino demonstrou dificuldades de falar a respeito: manteve-se em silêncio e quieto.
Como de costume nessas situações, solicitou-se a presença do pai e da mãe. Em atendimento com a psicóloga responsável, os genitores relataram preocupação com relação à agressividade da criança no ambiente escolar. Comentaram que Francisco tem roído as unhas e "comido a pele dos dedos”. Disseram que, apesar de Francisco ser uma criança irritadiça, não costumam ocorrer explosões de raiva em casa. Verificaram, também, aumento da ingesta alimentar e “escape das fezes” recorrente nas últimas duas semanas.
Levando em consideração o caso clínico 8A01-I, o DSM-5, a CID-10, o papel do psicólogo e as contribuições da psicopatologia, assinale a opção correta.
Provas
Caderno Container