Foram encontradas 325 questões.
Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado
de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém
despeja um balde de água no terraço; sábado ao
vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a
abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto
inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido:
outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã
vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela
pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na
sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca
e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a
matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de
nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma
rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a
semana vai morrer, com grande esforço metálico a
semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e,
antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que
é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam
mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para
domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da
semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice.Para não esquecer . São Paulo: Editora
Siciliano, 1992.
“quando se pensa que a semana vai morrer"
“a semana se abre em rosa"
“mas já não me perguntam mais."
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Além do Bastidor
Começou com linha verde. Não sabia o que
bordar, mas tinha certeza do verde, verde brilhante.
Capim. Foi isso que apareceu depois dos
primeiros pontos. Um capim alto, com as pontas
dobradas como se olhasse para alguma coisa.
Olha para as flores, pensou ela, e escolheu
uma meada vermelha.
Assim, aos poucos, sem risco, um jardim foi
aparecendo no bastidor. Obedecia às suas mãos,
obedecia ao seu próprio jeito, e surgia como se no
orvalho da noite se fizesse a brotação.
Toda manhã a menina corria para o bastidor,
olhava, sorria, e acrescentava mais um pássaro, uma
abelha, um grilo escondido atrás de uma haste.
O sol brilhava no bordado da menina.
E era tão lindo o jardim que ela começou a
gostar dele mais do que de qualquer outra coisa.
Foi no dia da árvore. A árvore estava pronta,
parecia não faltar nada. Mas a menina sabia que tinha
chegado a hora de acrescentar os frutos. Bordou uma
fruta roxa, brilhante, como ela mesma nunca tinha
visto. E outra, e outra, até a árvore ficar carregada,
até a árvore ficar rica, e sua boca se encher do desejo
daquela fruta nunca provada.
A menina não soube como aconteceu.
Quando viu, já estava a cavalo do galho mais alto da
árvore, catando as frutas e limpando o caldo que lhe
escorria da boca.
Na certa tinha sido pela linha, pensou na hora
de voltar para casa. Olhou, a última fruta ainda não
estava pronta, tocou no ponto que acabava em fio. E
lá estava ela, de volta na sua casa.
Agora que já tinha aprendido o caminho, todo
dia a menina descia para o bordado. Escolhia
primeiro aquilo que gostaria de ver, uma borboleta,
um louva-deus. Bordava com cuidado, depois descia
pela linha para as costas do inseto, e voava com ele, e
pousava nas flores, e ria e brincava e deitava na
grama.
O bordado já estava quase pronto. Pouco
pano se via entre os fios coloridos. Breve, estaria
terminado.
Faltava uma garça, pensou ela. E escolheu
uma meada branca matizada de rosa. Teceu seus
pontos com cuidado, sabendo, enquanto lançava a
agulha, como seriam macias as penas e doce o bico.
Depois desceu ao encontro da nova amiga.
Foi assim, de pé ao lado da garça,
acariciando-lhe o pescoço, que a irmã mais velha a
viu ao debruçar-se sobre o bastidor. Era só o que não
estava bordado. E o risco era tão bonito, que a irmã
pegou a agulha, a cesta de linhas, e começou a
bordar.
Bordou os cabelos, e o vento não mexeu mais
neles. Bordou a saia, e as pregas se fixaram. Bordou
as mãos, para sempre paradas no pescoço da garça.
Quis bordar os pés mas estavam escondidos pela
grama. Quis bordar o rosto mas estava escondido
pela sombra. Então bordou a fita dos cabelos,
arrematou o ponto, e com muito cuidado cortou a
linha.
COLASANTI, Marina. Além do Bastidor. In: Uma ideia toda azul.
22ª ed. São Paulo: Global, 2003. p. 14-17.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Além do Bastidor
Começou com linha verde. Não sabia o que
bordar, mas tinha certeza do verde, verde brilhante.
Capim. Foi isso que apareceu depois dos
primeiros pontos. Um capim alto, com as pontas
dobradas como se olhasse para alguma coisa.
Olha para as flores, pensou ela, e escolheu
uma meada vermelha.
Assim, aos poucos, sem risco, um jardim foi
aparecendo no bastidor. Obedecia às suas mãos,
obedecia ao seu próprio jeito, e surgia como se no
orvalho da noite se fizesse a brotação.
Toda manhã a menina corria para o bastidor,
olhava, sorria, e acrescentava mais um pássaro, uma
abelha, um grilo escondido atrás de uma haste.
O sol brilhava no bordado da menina.
E era tão lindo o jardim que ela começou a
gostar dele mais do que de qualquer outra coisa.
Foi no dia da árvore. A árvore estava pronta,
parecia não faltar nada. Mas a menina sabia que tinha
chegado a hora de acrescentar os frutos. Bordou uma
fruta roxa, brilhante, como ela mesma nunca tinha
visto. E outra, e outra, até a árvore ficar carregada,
até a árvore ficar rica, e sua boca se encher do desejo
daquela fruta nunca provada.
A menina não soube como aconteceu.
Quando viu, já estava a cavalo do galho mais alto da
árvore, catando as frutas e limpando o caldo que lhe
escorria da boca.
Na certa tinha sido pela linha, pensou na hora
de voltar para casa. Olhou, a última fruta ainda não
estava pronta, tocou no ponto que acabava em fio. E
lá estava ela, de volta na sua casa.
Agora que já tinha aprendido o caminho, todo
dia a menina descia para o bordado. Escolhia
primeiro aquilo que gostaria de ver, uma borboleta,
um louva-deus. Bordava com cuidado, depois descia
pela linha para as costas do inseto, e voava com ele, e
pousava nas flores, e ria e brincava e deitava na
grama.
O bordado já estava quase pronto. Pouco
pano se via entre os fios coloridos. Breve, estaria
terminado.
Faltava uma garça, pensou ela. E escolheu
uma meada branca matizada de rosa. Teceu seus
pontos com cuidado, sabendo, enquanto lançava a
agulha, como seriam macias as penas e doce o bico.
Depois desceu ao encontro da nova amiga.
Foi assim, de pé ao lado da garça,
acariciando-lhe o pescoço, que a irmã mais velha a
viu ao debruçar-se sobre o bastidor. Era só o que não
estava bordado. E o risco era tão bonito, que a irmã
pegou a agulha, a cesta de linhas, e começou a
bordar.
Bordou os cabelos, e o vento não mexeu mais
neles. Bordou a saia, e as pregas se fixaram. Bordou
as mãos, para sempre paradas no pescoço da garça.
Quis bordar os pés mas estavam escondidos pela
grama. Quis bordar o rosto mas estava escondido
pela sombra. Então bordou a fita dos cabelos,
arrematou o ponto, e com muito cuidado cortou a
linha.
COLASANTI, Marina. Além do Bastidor. In: Uma ideia toda azul.
22ª ed. São Paulo: Global, 2003. p. 14-17.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado
de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém
despeja um balde de água no terraço; sábado ao
vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a
abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto
inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido:
outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã
vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela
pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na
sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca
e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a
matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de
nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma
rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a
semana vai morrer, com grande esforço metálico a
semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e,
antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que
é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam
mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para
domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da
semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice.Para não esquecer . São Paulo: Editora
Siciliano, 1992.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Além do Bastidor
Começou com linha verde. Não sabia o que
bordar, mas tinha certeza do verde, verde brilhante.
Capim. Foi isso que apareceu depois dos
primeiros pontos. Um capim alto, com as pontas
dobradas como se olhasse para alguma coisa.
Olha para as flores, pensou ela, e escolheu
uma meada vermelha.
Assim, aos poucos, sem risco, um jardim foi
aparecendo no bastidor. Obedecia às suas mãos,
obedecia ao seu próprio jeito, e surgia como se no
orvalho da noite se fizesse a brotação.
Toda manhã a menina corria para o bastidor,
olhava, sorria, e acrescentava mais um pássaro, uma
abelha, um grilo escondido atrás de uma haste.
O sol brilhava no bordado da menina.
E era tão lindo o jardim que ela começou a
gostar dele mais do que de qualquer outra coisa.
Foi no dia da árvore. A árvore estava pronta,
parecia não faltar nada. Mas a menina sabia que tinha
chegado a hora de acrescentar os frutos. Bordou uma
fruta roxa, brilhante, como ela mesma nunca tinha
visto. E outra, e outra, até a árvore ficar carregada,
até a árvore ficar rica, e sua boca se encher do desejo
daquela fruta nunca provada.
A menina não soube como aconteceu.
Quando viu, já estava a cavalo do galho mais alto da
árvore, catando as frutas e limpando o caldo que lhe
escorria da boca.
Na certa tinha sido pela linha, pensou na hora
de voltar para casa. Olhou, a última fruta ainda não
estava pronta, tocou no ponto que acabava em fio. E
lá estava ela, de volta na sua casa.
Agora que já tinha aprendido o caminho, todo
dia a menina descia para o bordado. Escolhia
primeiro aquilo que gostaria de ver, uma borboleta,
um louva-deus. Bordava com cuidado, depois descia
pela linha para as costas do inseto, e voava com ele, e
pousava nas flores, e ria e brincava e deitava na
grama.
O bordado já estava quase pronto. Pouco
pano se via entre os fios coloridos. Breve, estaria
terminado.
Faltava uma garça, pensou ela. E escolheu
uma meada branca matizada de rosa. Teceu seus
pontos com cuidado, sabendo, enquanto lançava a
agulha, como seriam macias as penas e doce o bico.
Depois desceu ao encontro da nova amiga.
Foi assim, de pé ao lado da garça,
acariciando-lhe o pescoço, que a irmã mais velha a
viu ao debruçar-se sobre o bastidor. Era só o que não
estava bordado. E o risco era tão bonito, que a irmã
pegou a agulha, a cesta de linhas, e começou a
bordar.
Bordou os cabelos, e o vento não mexeu mais
neles. Bordou a saia, e as pregas se fixaram. Bordou
as mãos, para sempre paradas no pescoço da garça.
Quis bordar os pés mas estavam escondidos pela
grama. Quis bordar o rosto mas estava escondido
pela sombra. Então bordou a fita dos cabelos,
arrematou o ponto, e com muito cuidado cortou a
linha.
COLASANTI, Marina. Além do Bastidor. In: Uma ideia toda azul.
22ª ed. São Paulo: Global, 2003. p. 14-17.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado
de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém
despeja um balde de água no terraço; sábado ao
vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a
abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto
inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido:
outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã
vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela
pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na
sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca
e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a
matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de
nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma
rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a
semana vai morrer, com grande esforço metálico a
semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e,
antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que
é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam
mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para
domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da
semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice.Para não esquecer . São Paulo: Editora
Siciliano, 1992.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado
de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém
despeja um balde de água no terraço; sábado ao
vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a
abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto
inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido:
outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã
vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela
pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na
sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca
e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a
matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de
nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma
rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a
semana vai morrer, com grande esforço metálico a
semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e,
antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que
é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam
mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para
domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da
semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice.Para não esquecer . São Paulo: Editora
Siciliano, 1992.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Texto para responder à questão.
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice. Para não Esquecer. São Paulo: Editora Siciliano, 1992.
Atenção ao Sábado
Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer.
LISPECTOR, Clarice. Para não Esquecer. São Paulo: Editora Siciliano, 1992.
I. DESPEJAM UM BALDE DE ÁGUA NO TERRAÇO.
II. DESPEJA-SE UM BALDE DE ÁGUA NO TERRAÇO.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Além do Bastidor
Começou com linha verde. Não sabia o que
bordar, mas tinha certeza do verde, verde brilhante.
Capim. Foi isso que apareceu depois dos
primeiros pontos. Um capim alto, com as pontas
dobradas como se olhasse para alguma coisa.
Olha para as flores, pensou ela, e escolheu
uma meada vermelha.
Assim, aos poucos, sem risco, um jardim foi
aparecendo no bastidor. Obedecia às suas mãos,
obedecia ao seu próprio jeito, e surgia como se no
orvalho da noite se fizesse a brotação.
Toda manhã a menina corria para o bastidor,
olhava, sorria, e acrescentava mais um pássaro, uma
abelha, um grilo escondido atrás de uma haste.
O sol brilhava no bordado da menina.
E era tão lindo o jardim que ela começou a
gostar dele mais do que de qualquer outra coisa.
Foi no dia da árvore. A árvore estava pronta,
parecia não faltar nada. Mas a menina sabia que tinha
chegado a hora de acrescentar os frutos. Bordou uma
fruta roxa, brilhante, como ela mesma nunca tinha
visto. E outra, e outra, até a árvore ficar carregada,
até a árvore ficar rica, e sua boca se encher do desejo
daquela fruta nunca provada.
A menina não soube como aconteceu.
Quando viu, já estava a cavalo do galho mais alto da
árvore, catando as frutas e limpando o caldo que lhe
escorria da boca.
Na certa tinha sido pela linha, pensou na hora
de voltar para casa. Olhou, a última fruta ainda não
estava pronta, tocou no ponto que acabava em fio. E
lá estava ela, de volta na sua casa.
Agora que já tinha aprendido o caminho, todo
dia a menina descia para o bordado. Escolhia
primeiro aquilo que gostaria de ver, uma borboleta,
um louva-deus. Bordava com cuidado, depois descia
pela linha para as costas do inseto, e voava com ele, e
pousava nas flores, e ria e brincava e deitava na
grama.
O bordado já estava quase pronto. Pouco
pano se via entre os fios coloridos. Breve, estaria
terminado.
Faltava uma garça, pensou ela. E escolheu
uma meada branca matizada de rosa. Teceu seus
pontos com cuidado, sabendo, enquanto lançava a
agulha, como seriam macias as penas e doce o bico.
Depois desceu ao encontro da nova amiga.
Foi assim, de pé ao lado da garça,
acariciando-lhe o pescoço, que a irmã mais velha a
viu ao debruçar-se sobre o bastidor. Era só o que não
estava bordado. E o risco era tão bonito, que a irmã
pegou a agulha, a cesta de linhas, e começou a
bordar.
Bordou os cabelos, e o vento não mexeu mais
neles. Bordou a saia, e as pregas se fixaram. Bordou
as mãos, para sempre paradas no pescoço da garça.
Quis bordar os pés mas estavam escondidos pela
grama. Quis bordar o rosto mas estava escondido
pela sombra. Então bordou a fita dos cabelos,
arrematou o ponto, e com muito cuidado cortou a
linha.
COLASANTI, Marina. Além do Bastidor. In: Uma ideia toda azul.
22ª ed. São Paulo: Global, 2003. p. 14-17.
À luz dessa diversidade de possibilidades, assinale a alternativa correta.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Além do Bastidor
Começou com linha verde. Não sabia o que
bordar, mas tinha certeza do verde, verde brilhante.
Capim. Foi isso que apareceu depois dos
primeiros pontos. Um capim alto, com as pontas
dobradas como se olhasse para alguma coisa.
Olha para as flores, pensou ela, e escolheu
uma meada vermelha.
Assim, aos poucos, sem risco, um jardim foi
aparecendo no bastidor. Obedecia às suas mãos,
obedecia ao seu próprio jeito, e surgia como se no
orvalho da noite se fizesse a brotação.
Toda manhã a menina corria para o bastidor,
olhava, sorria, e acrescentava mais um pássaro, uma
abelha, um grilo escondido atrás de uma haste.
O sol brilhava no bordado da menina.
E era tão lindo o jardim que ela começou a
gostar dele mais do que de qualquer outra coisa.
Foi no dia da árvore. A árvore estava pronta,
parecia não faltar nada. Mas a menina sabia que tinha
chegado a hora de acrescentar os frutos. Bordou uma
fruta roxa, brilhante, como ela mesma nunca tinha
visto. E outra, e outra, até a árvore ficar carregada,
até a árvore ficar rica, e sua boca se encher do desejo
daquela fruta nunca provada.
A menina não soube como aconteceu.
Quando viu, já estava a cavalo do galho mais alto da
árvore, catando as frutas e limpando o caldo que lhe
escorria da boca.
Na certa tinha sido pela linha, pensou na hora
de voltar para casa. Olhou, a última fruta ainda não
estava pronta, tocou no ponto que acabava em fio. E
lá estava ela, de volta na sua casa.
Agora que já tinha aprendido o caminho, todo
dia a menina descia para o bordado. Escolhia
primeiro aquilo que gostaria de ver, uma borboleta,
um louva-deus. Bordava com cuidado, depois descia
pela linha para as costas do inseto, e voava com ele, e
pousava nas flores, e ria e brincava e deitava na
grama.
O bordado já estava quase pronto. Pouco
pano se via entre os fios coloridos. Breve, estaria
terminado.
Faltava uma garça, pensou ela. E escolheu
uma meada branca matizada de rosa. Teceu seus
pontos com cuidado, sabendo, enquanto lançava a
agulha, como seriam macias as penas e doce o bico.
Depois desceu ao encontro da nova amiga.
Foi assim, de pé ao lado da garça,
acariciando-lhe o pescoço, que a irmã mais velha a
viu ao debruçar-se sobre o bastidor. Era só o que não
estava bordado. E o risco era tão bonito, que a irmã
pegou a agulha, a cesta de linhas, e começou a
bordar.
Bordou os cabelos, e o vento não mexeu mais
neles. Bordou a saia, e as pregas se fixaram. Bordou
as mãos, para sempre paradas no pescoço da garça.
Quis bordar os pés mas estavam escondidos pela
grama. Quis bordar o rosto mas estava escondido
pela sombra. Então bordou a fita dos cabelos,
arrematou o ponto, e com muito cuidado cortou a
linha.
COLASANTI, Marina. Além do Bastidor. In: Uma ideia toda azul.
22ª ed. São Paulo: Global, 2003. p. 14-17.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Cadernos
Caderno Container