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Em um IF, a Educação Física integra o currículo do Curso Técnico de Nível Médio em Química, articulado à formação tecnológica. Nesse contexto, sua atuação se orienta por princípios da formação omnilateral, tendo o trabalho como princípio educativo por Soares et al. (1992). Essa perspectiva compreende o ser humano em sua totalidade, exigindo práticas pedagógicas que articulem corpo, conhecimento, cultura e sociedade. Sobre o tema, analise as assertivas abaixo:
I. A Educação Física no currículo técnico integrado tem como objetivo principal a preparação do estudante para atividades físicas de alto rendimento, promovendo desempenho e produtividade corporal no ambiente escolar.
II. O componente curricular de Educação Física contribui para a formação integral dos estudantes ao abordar o corpo como expressão da cultura, dialogando com saberes científicos e promovendo reflexões críticas sobre saúde, lazer e práticas corporais.
III. A disciplina deve articular-se com os princípios da educação omnilateral, atuando na perspectiva de uma formação ética, política e social, coerente com os fundamentos do projeto político- pedagógico do IF.
IV. A Educação Física no contexto do Ensino Técnico Integrado deve preparar o corpo dos estudantes para atender às demandas funcionais e produtivas do mercado de trabalho, ajustando-se às especificidades das áreas técnicas e científicas do curso.
Quais estão corretas?
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Segundo Carvalho (2001; 2003; 2006), a noção hegemônica de qualidade de vida frequentemente se restringe a uma perspectiva biomédica de “equilíbrio biológico” e “performance física”, ignorando as dimensões sociopolíticas da saúde. Em um IF, um professor de Educação Física, inspirado na abordagem criítico-superadora por Soares et al. (1992) e na perspectiva de Carvalho, propõe um projeto interdisciplinar sobre qualidade de vida para o Ensino Médio Integrado. O projeto inclui as seguintes ações:
- Discussão sobre os determinantes sociais da saúde (como acesso à moradia, saneamento, trabalho digno);
- Análise crítica da indústria do fitness e de seus padrões corporais excludentes;
- Vivências de práticas corporais populares (como danças e jogos).
Ao considerar a centralidade das relações sociais, das condições de vida e das mediações culturais no conceito ampliado de saúde, o professor busca evitar soluções tecnicistas que desconsiderem as determinações sociais do processo saúde-doença. Com base em Carvalho e nos princípios da Educação Física Crítico-Superadora, analise as assertivas abaixo:
I. O projeto se justifica no contexto do Ensino Técnico Integrado porque contribui para a superação da dualidade entre formação humana e profissional, vinculando a discussão sobre saúde e cidadania à formação integral do futuro trabalhador.
II. A inclusão de temas como saneamento básico no projeto amplia a compreensão crítica da saúde, articulando o corpo e os direitos sociais ao território em que o indivíduo vive.
III. O uso de plataformas digitais e Inteligência Artificial na indústria fitness é um avanço tecnológico que beneficia tanto os clientes, com maior flexibilidade, quanto os profissionais, que passam a ter mais autonomia, o que se alinha à visão ampliada de qualidade de vida.
IV. A crítica à noção hegemônica de qualidade de vida por Carvalho se restringe a uma análise macroeconômica da saúde, não sendo aplicável para entender os desafios do professor de Educação Física, cuja condição de trabalho é um problema puramente individual.
Quais estão corretas?
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No debate sobre o trato pedagógico dos conteúdos de Recreação e Lazer nas aulas de Educação Física no Brasil, diferentes abordagens teóricas e metodológicas têm se manifestado ao longo da história da disciplina. Tais perspectivas variam desde visões funcionalistas, instrumentalistas e culturalistas — que entendem o lazer como um complemento ao trabalho, um meio de reprodução da força de trabalho e consumo cultural —, até visões mais críticas, que buscam analisar as determinações socioeconômicas, políticas e culturais que impactam o trabalho, o “tempo livre” e o lazer neste século. A partir desse contexto, e considerando as críticas marxistas ao lazer (Oliveira, 2022) — segundo as quais o lazer deve ser compreendido como mediação historicamente determinada pelas relações sociais de produção e inseparável da centralidade do trabalho na formação humana —, analise as assertivas a seguir:
I. O principal papel da Educação Física é instrumentalizar os alunos com um repertório diversificado de atividades recreativas, como jogos e esportes, para que possam utilizá-las no seu “tempo livre”, promovendo saúde, socialização e bem-estar, em complemento às exigências do mercado de trabalho.
II. Uma perspectiva crítica do lazer na Educação Física entende que é fundamental historicizar o surgimento e a apropriação do tempo de lazer no capitalismo, evidenciando como ele se insere no contexto da produção e reprodução das relações sociais, e como as escolhas de lazer são frequentemente mediadas pelo consumo e pelo fetichismo da mercadoria.
III. O objetivo da Educação Física é conscientizar os alunos sobre a importância de escolhas individuais de lazer compatíveis com a preservação ambiental e a sustentabilidade, priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como forma de reduzir o estresse cotidiano.
IV. Uma abordagem crítica do lazer na Educação Física problematiza a aparente coexistência entre fruição e precarização do tempo, evidenciando que, longe de um paradoxo, essa contradição expressa o agravamento das desigualdades sociais e a limitação real do acesso à cultura como direito.
Quais estão corretas?
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No posfácio da nova nova edição da obra “A Educação Física cuida do corpo... e mente”, Medina Hungaro analisa o impacto dessa obra na trajetória teórico-metodológica da Educação Física brasileira. O autor introduz o conceito de “intenção de ruptura” para designar um projeto crítico, de base marxista, que emergiu nos anos 1980 com o objetivo de romper com a lógica histórica da área como instrumento de disciplinamento e adaptação aos interesses do capital. Tal projeto, ainda, confrontava o que Filho (2019) denominou de “Movimento de Renovação Conservadora”. No entanto, segundo Hungaro (2013), essa inflexão crítica não se consolidou de forma estrutural, sendo sucedida, nos anos 1990, por outras influências teóricas. Com base nessa análise, analise as assertivas abaixo:
I. A chamada “intenção de ruptura”, originada no seio da crítica marxista, orientou-se pela defesa de uma prática pedagógica emancipadora que compreendesse o corpo e a cultura corporal em sua totalidade histórico-social.
II. A cientificização da Educação Física durante o regime militar representou um avanço metodológico com caráter de renovação conservadora, pois introduziu o rigor técnico e a pesquisa acadêmica como elementos centrais da formação docente.
III. O movimento pós-crítico dos anos 1990 contribuiu para aprofundar a crítica ao biologicismo da Educação Física, reforçando a centralidade da totalidade, da alienação e da luta de classes como categorias explicativas da realidade.
IV. Embora tenha promovido um deslocamento teórico importante nos anos 1980, o movimento crítico-marxista na Educação Física não conseguiu estruturar um projeto pedagógico hegemônico, abrindo espaço, nas décadas seguintes, para abordagens centradas na denominada “agenda pós-moderna”.
Quais estão corretas?
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Durante a avaliação formativa de um projeto de extensão desenvolvido no IFSertão com adolescentes de comunidades vulnerabilizadas, o professor Aldo, coordenador da iniciativa, propôs uma análise crítica da prática pedagógica desenvolvida. O projeto tem como referência a Pedagogia do Esporte, incluindo seus fundamentos técnico-táticos, socioeducativos e histórico-culturais. Ao relatar suas percepções, um dos bolsistas afirmou:
“Considero que nosso trabalho contemplou adequadamente os referenciais técnico-tático e socioeducativo, uma vez que os participantes conseguiram aprender os fundamentos dos esportes e demonstraram comportamento cooperativo e respeitoso nas atividades. Quanto ao referencial histórico-cultural, entendo que sua presença é implícita, pois o simples fato de praticarem o esporte já garante o contato com sua cultura”.
Com base na fala do bolsista, nos pressupostos da Pedagogia do Esporte (2009) e no referencial histórico-cultural (Machado; Galatti; Paes, 2014), analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) O entendimento do bolsista sobre o referencial histórico-cultural revela uma concepção reducionista, pois esse referencial exige mediações pedagógicas conscientes para a leitura crítica do esporte como prática social e histórica.
( ) A prática esportiva por si só é suficiente para garantir a apropriação crítica e cultural do esporte pelos praticantes, especialmente em contextos de vulnerabilidade social.
( ) O comportamento cooperativo observado nos alunos pode ser um indicativo da presença do referencial socioeducativo, desde que tal comportamento esteja relacionado a objetivos formativos intencionais e não apenas à disciplina tática.
( ) O referencial técnico-tático envolve não apenas a aprendizagem de gestos e fundamentos motores, mas também a compreensão das intencionalidades e da lógica interna das modalidades esportivas.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Em suas aulas de Educação Física no Ensino Médio Integrado de um IF, a professora Jaqueline propôs aos estudantes uma análise comparativa entre vídeos de aulas de ginástica funcional em academias, apresentações de ginástica rítmica de alto rendimento e registros históricos sobre a ginástica no século XIX. A atividade foi mediada pela leitura comentada de excertos do livro “A Imagem da Educação do Corpo: estudo a partir da ginástica francesa no século XIX”, de Carmen Lúcia Soares (1998). A intenção era evidenciar como a racionalidade técnica, positivista e disciplinadora ainda estrutura determinadas práticas corporais contemporâneas. Com base nesse contexto pedagógico e nas reflexões teóricas de Soares (1998), analise as assertivas a seguir, assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A ginástica do século XIX contribuiu para a construção de um modelo corporal burguês, marcado pela utilidade, sobriedade e autodomínio, o que pode ser identificado hoje em práticas como a ginástica laboral, que objetiva a produtividade e a prevenção de doenças funcionais no ambiente de trabalho.
( ) A crítica aos “excessos do corpo” presentes no discurso higienista oitocentista encontra ressonância em práticas atuais como a ginástica artística, nas quais a espontaneidade e a desorganização corporal são incentivadas como sinais de liberdade expressiva.
( ) A crença na ciência como instância reguladora da vida corporal, típica do positivismo oitocentista, permanece presente em práticas como a ginástica funcional, que utiliza parâmetros biomecânicos e fisiológicos para medir e aperfeiçoar o desempenho corporal.
( ) A racionalidade moderna da ginástica oitocentista influenciou a criação de sistemas pedagógicos que compreendem o corpo como expressão simbólica e subjetiva, baseando-se em teorias fenomenológicas e críticas ao modelo mecanicista.
( ) Assim como no século XIX, práticas de ginástica contemporânea muitas vezes operam com padrões de normalização e ajustamento corporal, apagando diferenças étnico-raciais, de classe, de gênero e de capacidades, e reforçando um ideal normativo de corpo eficiente e produtivo.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
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Durante o ensino da modalidade ginástica artística em uma turma do Ensino Médio Integrado de um IF, a professora propôs atividades em que os estudantes criassem séries de solo utilizando movimentos corporais espontâneos, temas simbólicos e alguns elementos técnicos básicos, como rolamentos, saltos e equilíbrio. A técnica foi abordada não como ponto de partida, mas como instrumento a serviço da expressão corporal e do sentido atribuído à prática. Com base na concepção pedagógica defendida por Soares et al. (1992), essa proposta pedagógica defende que:
I. A reprodução exata dos gestos da ginástica artística nas aulas escolares reforça o compromisso com a democratização do acesso ao esporte de qualidade e o respeito à sua tradição.
II. No Ensino Médio, a ginástica artística exige aprofundamento e rigor técnico desde o início para evitar desvios motores e garantir a qualidade do movimento.
III. A cultural corporal de movimento justifica focar apenas nos aspectos lúdicos.
IV. O conhecimento da técnica não é, em absoluto, dispensável.
Quais estão corretas?
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As modalidades esportivas individuais exigem o domínio de critérios técnicos específicos, que variam conforme as características biomecânicas, fisiológicas e regulamentares de cada prática. Sobre esses critérios, analise as assertivas abaixo:
I. No atletismo (salto em distância), a fase de impulsão é determinante para o desempenho, requerendo:
- Ângulo ideal de projeção entre 18º e 25º.
- Máxima velocidade horizontal na corrida de aproximação.
- Extensão completa da articulação do quadril no momento do salto.
II. No tênis, o saque “flat” é eficaz devido ao(à):
- Trajetória curvilínea da bola, que minimiza o tempo de reação do adversário.
- Rotação lateral (slice) aplicada para uma mudança de direção após o quique.
- Posicionamento dos pés em linha (footwork fechado) para maior estabilidade.
III. Na natação (crawl), a fase subaquática da braçada é crucial porque:
- A maior parte da propulsão ocorre nesse momento.
- A trajetória ideal da mão é curva (em “S”), com cotovelo alto e controle da direção.
- A variação da posição da palma contribui para a eficiência hidrodinâmica.
IV. Na ginástica artística (solo), um salto mortal duplo estruturado exige:
- Rotação completa de 720º em torno do eixo transversal.
- Aterrissagem com joelhos semiflexionados para absorver o impacto e manter o equilíbrio.
- Fase aérea com corpo em posição carpada para aumentar o momento angular.
Quais estão corretas?
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Durante o desenvolvimento de um projeto interdisciplinar sobre Saúde Coletiva e corpo no Ensino Médio Integrado de um Instituto Federal (IF), um grupo de professores de Educação Física propôs analisar criticamente os discursos predominantes sobre saúde na escola. Em suas discussões, concluiu-se que o discurso da saúde pode operar como uma forma de ___________, ao ser apresentado como neutro e universal, ocultando as determinações __________ que condicionam o bem-estar dos sujeitos. Esse discurso, amplamente difundido na Educação Física, tende a responsabilizar o indivíduo por sua própria saúde, promovendo uma lógica de _____________ alinhada aos princípios do neoliberalismo. Com isso, a Educação Física escolar corre o risco de se tornar uma ferramenta de _________________, ao prescrever condutas corporais baseadas em normas de eficiência e produtividade.
Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
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O debate sobre a natureza e a função do lazer na sociedade contemporânea tem sido um campo de investigação crucial para a Educação Física e áreas afins. A análise crítica desse fenômeno aponta que, em decorrência da reestruturação econômica e social global, o lazer passou por uma profunda transformação em seu significado e papel social. De um tempo socialmente construído para a recuperação da força de trabalho, ele vem se subordinando cada vez mais diretamente à lógica de produção e reprodução do capital (Mascarenhas, 2005). No contexto da Educação Física escolar, tal debate se articula com a necessidade de tratar criticamente os conteúdos de recreação e lazer, compreendendo-os não apenas como práticas espontâneas ou instrumentais, mas como expressões culturais atravessadas por contradições sociais, econômicas e políticas. Com base nessa crítica sobre a transformação do lazer em uma mercadoria hegemônica, assinale a alternativa correta.
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