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4141716 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"Já temos memória desde o primeiro dia em que nos deram à luz! Temos lembranças assim que acordamos, lembramos que o mundo é magnífico, sentimos um vazio no estômago, uma fralda pesada, molhada, e lembramos que, se chorarmos, milagrosamente aparece alguém que nos livra do desconforto.

 

[ ... ]

 

O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e localização são as condições necessárias das lembranças. Ou da memória. Elimine um deles, não será lembrança, mas reminiscência. Você olha uma pessoa na rua, pensa reconhecê-la, imagina que já a viu antes, mas não sabe dizer quando nem onde. Há o retorno de um fato passado e o reconhecimento, mas falta a localização: não há lembrança. Henri Bergson escreveu sobre isso. Um teste clínico simples para detectar a falta de memória, como pacientes com Alzheimer, é perguntar onde e em que ano estamos.

 

[ ... ]

 

A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre a outra, mas ao lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham. Minha mãe, com Alzheimer, não se lembra do que comeu no café da manhã. Minha mãe, com Alzheimer, vê meu filho de um ano, que é a minha cara, e o reconhece. Não acha que sou eu, mas o chama de filhinho, de meu filhinho. E sempre diz:

 

- É a coisa mais linda.

 

E às vezes se confunde e diz:

 

- Ela é a coisinha mais linda.

 

Pode ser ela, a criança. Pode ser que, por ter tido quatro filhas, todos os bebês se tornem elas. Minha mãe reclama muito quando o levamos embora."

Fonte: PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015, p. 17-19.

 

Identifique a alternativa em que a expressão em destaque, retirada do texto, atua como COMPLEMENTO NOMINAL.

 

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4141715 Ano: 2025
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"Já temos memória desde o primeiro dia em que nos deram à luz! Temos lembranças assim que acordamos, lembramos que o mundo é magnífico, sentimos um vazio no estômago, uma fralda pesada, molhada, e lembramos que, se chorarmos, milagrosamente aparece alguém que nos livra do desconforto.

 

[ ... ]

 

O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e localização são as condições necessárias das lembranças. Ou da memória. Elimine um deles, não será lembrança, mas reminiscência. Você olha uma pessoa na rua, pensa reconhecê-la, imagina que já a viu antes, mas não sabe dizer quando nem onde. Há o retorno de um fato passado e o reconhecimento, mas falta a localização: não há lembrança. Henri Bergson escreveu sobre isso. Um teste clínico simples para detectar a falta de memória, como pacientes com Alzheimer, é perguntar onde e em que ano estamos.

 

[ ... ]

 

A memória é uma mágica não desvendada. Um truque da vida. Uma memória não se acumula sobre a outra, mas ao lado. A memória recente não é resgatada antes da milésima. Elas se embaralham. Minha mãe, com Alzheimer, não se lembra do que comeu no café da manhã. Minha mãe, com Alzheimer, vê meu filho de um ano, que é a minha cara, e o reconhece. Não acha que sou eu, mas o chama de filhinho, de meu filhinho. E sempre diz:

 

- É a coisa mais linda.

 

E às vezes se confunde e diz:

 

- Ela é a coisinha mais linda.

 

Pode ser ela, a criança. Pode ser que, por ter tido quatro filhas, todos os bebês se tornem elas. Minha mãe reclama muito quando o levamos embora."

Fonte: PAIVA, Marcelo Rubens. Ainda estou aqui. 1. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015, p. 17-19.

 

De acordo com as informações do texto, depreende-se que

 

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4141714 Ano: 2025
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"O bucolismo foi para todos o ameno artifício que permitiu ao poeta fechado na corte abrir janelas para um cenário idílico onde pudesse cantar, liberto das constricções da etiqueta, os seus sentimentos de amor e de abandono ao fluxo da existência. Mas não se pode esquecer que a evasão se faz dentro de um determinado sistema cultural, em que é muito reduzida a margem de espontaneidade. [ ... ]".

Fonte: BOSI, Alfredo. História concisa da literatura brasileira. 51. ed. São Paulo: Cultrix, 2017, p. 60.

 

Assinale a alternativa que apresenta a imagem que se relaciona ADEQUADAMENTE com as características da escola literária descrita acima.

 

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4141713 Ano: 2025
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"O naturalismo surge com a proposta de conduzir a literatura por outros rumos, diferentes daqueles assumidos pelo romantismo, principalmente no que diz respeito ao sentimentalismo exacerbado que marca a produção literária deste período, mas, como afirma Machado de Assis (1839-1908), "sair de um excesso para cair em outro, não é regenerar nada; é trocar o agente da corrupção". [ ... ]

 

Para exemplificar esta relação entre romantismo e naturalismo, pode-se citar a passagem do romance O Bom-crioulo em que Amaro é chicoteado inúmeras vezes sem qualquer gemido de dor e, somente após cento e cinquenta chibatadas, pôde-se ver um fio de sangue a escorrer em suas costas, o que conota a força e a resistência que o personagem tem, que de tão animalizadas atingem paradoxalmente os patamares elevados da virilidade de um herói [ ... ]."

 

Fonte: SILVA, Paulo Ricardo Moura da. Naturalismo brasileiro: as tensões e contradições em relação ao projeto da objetividade. Travessias Interativas, São Cristóvão-SE, v. 8, n. 15, p. 276-293, 2018. DOI: 10.51951/ti.v8i15. Disponível em https://periodicos.ufs.br/Travessias/article/view/8897

 

Sobre o texto e as escolas literárias a que ele faz referência, avalie as seguintes assertivas. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA.

 

I. O romantismo apresenta um olhar idealizado para as origens brasileiras, o que justificaria um olhar de heroísmo para o negro.

 

II. O naturalismo apresenta um olhar pautado no cientificismo, que animaliza tanto o ser humano quanto as relações humanas.

 

III. O texto estabelece uma relação entre naturalismo e romantismo, uma vez que o naturalismo, ao exagerar na descrição naturalista, aproxima-se da idealização romântica.

 

IV. O texto estabelece uma relação entre naturalismo e romantismo apenas se houver uma idealização exagerada do protagonista da narrativa, pautada em descrição minuciosa.

 

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4141712 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"[ ... ] Na sociedade da informação, simplesmente não temos tempo para ação racional. A coação da comunicação acelerada nos priva da racionalidade. [ ... ] A racionalidade discursiva é ameaçada, hoje, também pela comunicação afetiva. A gente se deixa afetar demais por informações que se seguem apressadas umas às outras. Afetos são mais rápidos do que racionalidade. Em uma comunicação afetiva, não prevalecem melhores argumentos, mas as informações com maior potencial de estimular. Desse modo, fake news, notícias falsas, geram mais atenção do que fatos. Um único tuíte que contenha fake news ou fragmentos de informações descontextualizadas é possivelmente mais efetivo do que um argumento fundamentado.

 

[ ... ]

 

Memes são vírus mediais que se propagam, se reproduzem e também se mutam extremamente rápido na rede. [ ... ]A comunicação baseada em memes como contaminação virai dificulta o discurso racional ao mobilizar mais do que nada, afetos. A guerra de memes indica que a comunicação digital privilegia cada vez mais o visual perante o textual. Imagens são, justamente, mais rápidas que os textos. Nem o discurso nem a verdade são virais.

 

[ ... ]"

Fonte: HAN, Byung-Chul. lnfocracia: digitalização e a crise da democracia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022, p. 36 e 45.

 

Assinale a alternativa cujo sintagma grifado exerce a mesma função sintática que a oração sublinhada em "A guerra de memes indica que a comunicação digital privilegia cada vez mais o visual perante o textual".

 

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4141711 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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"[ ... ] Na sociedade da informação, simplesmente não temos tempo para ação racional. A coação da comunicação acelerada nos priva da racionalidade. [ ... ] A racionalidade discursiva é ameaçada, hoje, também pela comunicação afetiva. A gente se deixa afetar demais por informações que se seguem apressadas umas às outras. Afetos são mais rápidos do que racionalidade. Em uma comunicação afetiva, não prevalecem melhores argumentos, mas as informações com maior potencial de estimular. Desse modo, fake news, notícias falsas, geram mais atenção do que fatos. Um único tuíte que contenha fake news ou fragmentos de informações descontextualizadas é possivelmente mais efetivo do que um argumento fundamentado.

 

[ ... ]

 

Memes são vírus mediais que se propagam, se reproduzem e também se mutam extremamente rápido na rede. [ ... ]A comunicação baseada em memes como contaminação virai dificulta o discurso racional ao mobilizar mais do que nada, afetos. A guerra de memes indica que a comunicação digital privilegia cada vez mais o visual perante o textual. Imagens são, justamente, mais rápidas que os textos. Nem o discurso nem a verdade são virais.

 

[ ... ]"

Fonte: HAN, Byung-Chul. lnfocracia: digitalização e a crise da democracia. Petrópolis, RJ: Vozes, 2022, p. 36 e 45.

 

Sobre o processo comunicativo na sociedade da informação, é CORRETO inferir que

 

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4141710 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Abaixo, leia um trecho do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, cujo enredo acontece em uma sociedade distópica, em que livros são proibidos, e os bombeiros têm por função queimar os livros encontrados. O excerto é um diálogo entre os bombeiros Montag, personagem principal da narrativa, e seu chefe Beatty. Na cena, também está presente a esposa de Montag, Mildred.

 

"[ ... ]

 

- Imagine o quadro. O homem do século dezenove com seus cavalos, cachorros, carroças, câmera lenta. Depois, no século vinte, acelere sua câmera. Livros abreviados. Condensações. Resumos. Tabloide. Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livro de dois minutos de leitura, e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas. Estou exagerando, é claro. Os dicionários serviam apenas de referência. Mas, para muitos o Hamlet, certamente você conhece o título, Montag; provavelmente a senhora ouviu apenas uma vaga menção ao título, senhora Montag. O Hamlet não passava de um resumo de uma página num livro que proclamava: ''Agora você finalmente pode ler todos os clássicos: faça como seus vizinhos". Está vendo? Do berço até a faculdade e de volta para o berço: este foi o padrão intelectual nos últimos cinco séculos ou mais.

 

Mildred se levantou e começou a andar pelo quarto, apanhando coisas e arrumando- as. Beatty a ignorou e continuou:

 

- Acelere o filme, Montag, rápido. Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por quê, Como, Quem, O quê?, Onde, Hein?, Ui! Bum! Tchan! Póin, Pim, Pam, Pum! Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! A mente humana entra em turbilhão sob as mãos dos editores, exploradores, locutores de rádio, tão depressa que a centrífuga joga fora todo pensamento desnecessário, desperdiçador de tempo!

 

- A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está em toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? [ ... ]"

 

Fonte: BRADBURY, R. Fahrenheit 451. Trad. Cid Knipel. São Paulo: Globo, 2012, p. 77-78.

 

"- A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas". Acerca dos recursos linguísticos utilizados no trecho e dos seus efeitos de sentido, é CORRETO afirmar que predominam estruturas na voz

 

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4141709 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Abaixo, leia um trecho do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, cujo enredo acontece em uma sociedade distópica, em que livros são proibidos, e os bombeiros têm por função queimar os livros encontrados. O excerto é um diálogo entre os bombeiros Montag, personagem principal da narrativa, e seu chefe Beatty. Na cena, também está presente a esposa de Montag, Mildred.

 

"[ ... ]

 

- Imagine o quadro. O homem do século dezenove com seus cavalos, cachorros, carroças, câmera lenta. Depois, no século vinte, acelere sua câmera. Livros abreviados. Condensações. Resumos. Tabloide. Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livro de dois minutos de leitura, e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas. Estou exagerando, é claro. Os dicionários serviam apenas de referência. Mas, para muitos o Hamlet, certamente você conhece o título, Montag; provavelmente a senhora ouviu apenas uma vaga menção ao título, senhora Montag. O Hamlet não passava de um resumo de uma página num livro que proclamava: ''Agora você finalmente pode ler todos os clássicos: faça como seus vizinhos". Está vendo? Do berço até a faculdade e de volta para o berço: este foi o padrão intelectual nos últimos cinco séculos ou mais.

 

Mildred se levantou e começou a andar pelo quarto, apanhando coisas e arrumando- as. Beatty a ignorou e continuou:

 

- Acelere o filme, Montag, rápido. Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por quê, Como, Quem, O quê?, Onde, Hein?, Ui! Bum! Tchan! Póin, Pim, Pam, Pum! Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! A mente humana entra em turbilhão sob as mãos dos editores, exploradores, locutores de rádio, tão depressa que a centrífuga joga fora todo pensamento desnecessário, desperdiçador de tempo!

 

- A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está em toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? [ ... ]"

 

Fonte: BRADBURY, R. Fahrenheit 451. Trad. Cid Knipel. São Paulo: Globo, 2012, p. 77-78.

 

Analise o excerto abaixo e julgue as assertivas quanto aos recursos linguísticos empregados no texto. Em seguida, assinale a alternativa CORRETA.

 

"[ ... ] Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Porquê, Como, Quem, O quê?, Onde, Hein?, Ui! Bum! Tchan! Póin, Pim, Pam, Pum!"

 

I. O uso de sequência de verbos sem complemento contribui para dar o efeito de rapidez da mudança e simplificação que ocorreu com os produtos culturais.

 

II. O predomínio do imperativo faz alusão a uma sociedade que manipula seus cidadãos de forma imperceptível por meio de produtos culturais.

 

III. A gradação dos recursos linguísticos do trecho, que inicia com verbo e termina com onomatopeia, contribui para evidenciar o processo de simplificação dos produtos culturais.

 

IV. A anáfora do trecho, iniciada com verbos de comando e finalizada com onomatopeias, contribui para a crítica acerca do processo de simplificação dos produtos culturais.

 

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4141708 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Abaixo, leia um trecho do romance Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, cujo enredo acontece em uma sociedade distópica, em que livros são proibidos, e os bombeiros têm por função queimar os livros encontrados. O excerto é um diálogo entre os bombeiros Montag, personagem principal da narrativa, e seu chefe Beatty. Na cena, também está presente a esposa de Montag, Mildred.

 

"[ ... ]

 

- Imagine o quadro. O homem do século dezenove com seus cavalos, cachorros, carroças, câmera lenta. Depois, no século vinte, acelere sua câmera. Livros abreviados. Condensações. Resumos. Tabloide. Clássicos reduzidos para se adaptarem a programas de rádio de quinze minutos, depois reduzidos novamente para uma coluna de livro de dois minutos de leitura, e, por fim, encerrando-se num dicionário, num verbete de dez a doze linhas. Estou exagerando, é claro. Os dicionários serviam apenas de referência. Mas, para muitos o Hamlet, certamente você conhece o título, Montag; provavelmente a senhora ouviu apenas uma vaga menção ao título, senhora Montag. O Hamlet não passava de um resumo de uma página num livro que proclamava: ''Agora você finalmente pode ler todos os clássicos: faça como seus vizinhos". Está vendo? Do berço até a faculdade e de volta para o berço: este foi o padrão intelectual nos últimos cinco séculos ou mais.

 

Mildred se levantou e começou a andar pelo quarto, apanhando coisas e arrumando- as. Beatty a ignorou e continuou:

 

- Acelere o filme, Montag, rápido. Clique, Fotografe, Olhe, Observe, Filme, Aqui, Ali, Depressa, Passe, Suba, Desça, Entre, Saia, Por quê, Como, Quem, O quê?, Onde, Hein?, Ui! Bum! Tchan! Póin, Pim, Pam, Pum! Resumos de resumos, resumos de resumos de resumos. Política? Uma coluna, duas frases, uma manchete! Depois, no ar, tudo se dissolve! A mente humana entra em turbilhão sob as mãos dos editores, exploradores, locutores de rádio, tão depressa que a centrífuga joga fora todo pensamento desnecessário, desperdiçador de tempo!

 

- A escolaridade é abreviada, disciplina relaxada, as filosofias, as histórias e as línguas são abolidas, gramática e ortografia pouco a pouco negligenciadas e, por fim, quase totalmente ignoradas. A vida é imediata, o emprego é que conta, o prazer está em toda parte depois do trabalho. Por que aprender alguma coisa além de apertar botões acionar interruptores, ajustar parafusos e porcas? [ ... ]"

 

Fonte: BRADBURY, R. Fahrenheit 451. Trad. Cid Knipel. São Paulo: Globo, 2012, p. 77-78.

 

A partir do trecho lido, é possível inferir que a sociedade descrita no romance valoriza PRINCIPALMENTE

 

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4141707 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: ITA
Orgão: ITA
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Loucura mansa

 

"Para mim é difícil falar simplesmente de gosto pelos livros, porque em matéria de livros, meu caso é muito mais grave: é um amor que vem desde a infância, que me tem acompanhado a vida inteira, e, acima disto, é incurável. Não se trata por isso de um interesse periférico, e o prazer que me tem proporcionado em todo este longo percurso, faz com que tenha procurado, permanentemente, desejar que muitas pessoas mais possam também desfrutá-lo. Daí eu aproveitar qualquer oportunidade que me surja (e esta espero que seja uma delas) para inocular o vírus do amor ao livro em todos os possíveis leitores que já não o tenham adquirido anteriormente.

 

O prazer que o livro pode trazer tem múltiplos aspectos. O primeiro, fundamental, que é óbvio, mas muita gente não se dá conta disso, é o da leitura, através da qual se estabelece um contato com o mundo exterior que abre, para o leitor, horizontes ilimitados. O livro informa, enriquece o espírito, põe a imaginação em movimento, provoca tanto reflexão como emoção, é, enfim, um grande companheiro. Companheiro ideal, aliás, pois está sempre à disposição, não cria problemas, não se ofende quando é esquecido, e se deixa retomar sem histórias, a qualquer hora do dia ou da noite que o leitor deseja.

 

Brincadeira à parte, creio que a utilidade do livro é indiscutível, pois dá permanência ao pensamento humano. Sem o livro não teríamos chegado a conhecer a obra dos filósofos, dramaturgos e cientistas da Antiguidade e da Idade média. A invenção dos tipos móveis por Gutenberg no século XV, permitindo o surgimento do livro impresso, foi uma revolução comparável, e diria mesmo até superior à que resultou da informática, pelo menos até agora.

 

De lá para cá, foram-se formando as grandes bibliotecas, e aí surge o segundo prazer: possuir o livro, que, além do conteúdo, também pode ser apreciado como objeto de arte, pela ilustração, diagramação, papel, tipografia, ou encadernação. O primeiro livro que se adquire provoca a busca de outros, e, em pouco tempo, começa a formar-se a biblioteca, em que por sua vez se formam as mais variadas coleções: autores, assuntos, edições, raridades, manuscritos, e muitos et ceteras.

 

Há o prazer intelectual da leitura, e o prazer físico do contato com o livro. Falo sempre de loucura mansa, e posso assegurar que não é só mansa: é também prazerosa. Sugiro a quem ainda não a tenha que procure contraí-la."

 

Fonte: MINDLIN, José. Loucura mansa. ln: SILVEIRA, Julio; RIBAS, Martha (Org.). A Paixão pelos livros. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2004, p. 15-16.

 

O vocábulo destacado constitui exemplo de DERIVAÇÃO PARASSINTÉTICA em

 

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