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Texto I

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Leia o Texto II abaixo, para responder à questão.

Texto II

A negação do racismo, uma hipocrisia que durante décadas orientou o discurso oficial brasileiro, apenas serviu para aprofundar ainda mais as desigualdades e impedir que o Estado e a sociedade atuassem de forma a enfrentar o problema.

Todos os indicadores sociais atestam que recaem sobre a parcela negra dos brasileiros inúmeras mazelas sociais e toda sorte de violência e violação de direitos. As desigualdades e discriminações de natureza racial são evidentes no cotidiano e comprovadas por variadas estatísticas. Cite-se como exemplo a renda dos brancos, que costuma ser o dobro da renda dos negros, relação esta que tem se mantido estável ao longo do tempo.

Embora há décadas o Movimento Negro brasileiro, sindicatos, universidades e setores progressistas denunciem o racismo e proponham políticas para sua superação, o Governo Federal não havia assumido uma política nacional articulada e contínua para a promoção da igualdade racial.

A despeito de o sistema jurídico outorgar um conjunto de leis que se ocupem da igualdade nos direitos individuais e políticos (de que seria exemplo a liberdade religiosa), dos direitos sociais, direito educacional, direitos culturais, entre outros, as estatísticas indicam que tais direitos estão longe de serem eficazes, pelo que cabe ao Governo Federal – observados os limites institucionais do Poder Executivo – envidar esforços no sentido de assegurar eficácia àqueles direitos.

Para tornar eficazes os direitos, o Estado tem que redefinir o seu papel no que se refere à prestação dos serviços públicos, de forma a ampliar sua intervenção nos domínios das relações intersubjetivas e privadas, buscando traduzir a igualdade formal em igualdade de oportunidades e tratamento.

Daí a necessidade de uma intervenção estatal, norteada pelos princípios da transversalidade, da participação e da descentralização, que seja capaz de tornar iguais as oportunidades, impulsionando de modo especial aquele segmento que há cinco séculos trabalha para edificar este país, mas que continua sendo o alvo predileto de toda sorte de mazelas, discriminações, ofensas a direitos e violência pura e
simples, material e simbólica.

BRASIL. Secretaria Especial de Políticas da Promoção da Igualdade Racial. Política Nacional de Promoção da Igualdade Racial. Texto com adaptações. SEPPIR, 2003. 14 p. Disponível em <http://www.seppir.gov.br/publicacoes/pnpir.pdf>. Acesso em 15/06/2013.

Comparando os textos I e II, assinale a alternativa correta.

 

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Texto

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Levando em consideração o último parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

 

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Texto

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Levando em consideração o raciocínio construído no quinto parágrafo pelo autor do texto, assinale a alternativa correta.

 

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Texto

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Levando em consideração o quarto parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

 

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Texto

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Levando em consideração o terceiro parágrafo do texto e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

 

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Texto

A notícia de que foi demolida a igrejinha de Santa Ifigênia me fez voltar ao passado e pensar na história da sua construção, que talvez nem toda a gente conheça hoje.

Quem a fez foi uma antiga escrava, Maria Velha (como era conhecida), em pagamento de promessa. Prometeu construir a capela com o fruto de seu trabalho e de donativos, e assim aconteceu. Ignoro quando começou e quais são os detalhes, mas penso que foi tarefa da maior parte da vida, com migalhas acumuladas num esforço duro de cada dia.

Lembro da construção já na fase final, que caminhava devagar, porque o dinheiro ia pingando aos poucos, destilado pelo esforço da boa velhinha. Ela passava semanalmente pelas casas a fim de apanhar retalhos de pano, que sobravam das costuras e que as senhoras guardavam para lhe dar. Subia da casa onde morava, na rua hoje denominada Belo Horizonte, e vinha vindo, de porta em porta, recebida com estima e carinho. Já estava no fim da vida, creio que na casa dos 80. Era então frágil e curva, sempre arrimada a um bastão polido pelo contato de tantos anos, trazendo com dificuldade nas costas o saco onde punha os retalhos com que fazia colchas, para vendê-las e angariar recursos que iam alimentar a construção. Sei que também fazia doces e quem sabe mais coisas, separando o mínimo para as necessidades e aplicando o mais na realização de seu grande objetivo.

Se não me engano, a consagração foi ali por 1927, talvez no Natal, com festa de congadeiros e moçambiques, pois ela era Rainha Conga. As pessoas gradas compareceram e o padre rezou a primeira missa. Ouvi contar que então Maria Velha teve um momento de extraordinária plenitude, improvisou uma espécie de alocução entrecortada, dizendo que ali estavam os brancos, os ricos, os importantes, mas quem fizera aquela obra de Deus fora ela, pobre, negra e antiga escrava. Depois, recolheu-se à apagada humildade, enquanto os foguetes pipocavam em contraponto festivo com as caixas dos congos e os bumbos dos moçambiqueiros.

A meu ver, Maria Velha deu um alto exemplo de fidelidade às crenças, respeito à própria consciência e tenacidade na realização de um ideal. A integridade com que cumpriu o seu compromisso íntimo deve ser encarada em função da pobreza e desqualificação social que a caracterizavam, pois só assim é possível avaliar a sua justa dimensão. Com efeito, se é louvável e nobre o fato de uma pessoa abastada praticar atos de generosidade e desprendimento, que a privam quando muito do supérfluo, o que dizer de quem se priva do necessário para realizar uma obra que não vai trazer qualquer vantagem material ou projeção de fama, e corresponde apenas ao império da convicção?

A vida consagrada de Maria Velha ilustra bem um dos lados mais belos dos brasileiros de origem africana, que, vilipendiados, privados de liberdade, humilhados pela própria natureza da sua condição, souberam não obstante ensinar aos seus senhores o que valem a dedicação e a retidão moral. Os escravos não apenas construíram o Brasil com o seu trabalho, mas legaram qualidades humanas que um preconceito obtuso em vão procura negar.

CANDIDO, Antonio. “Duas heroínas” (A vanguarda, Cássia/MG, 10/6/1984). Texto com adaptações. In: Textos de Intervenção / Antonio Candido; seleção apresentação e notas de Vinicius Dantas. São Paulo: Duas Cidades; Ed.34, 2002. (Coleção Espírito Crítico).

Levando em consideração o texto como um todo e as orientações da prescrição gramatical no que se refere a textos escritos na modalidade padrão da Língua Portuguesa, assinale a alternativa correta.

 

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Dado o número complexo z = 2 + 4i , o valor de z3 é

 

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104145 Ano: 2013
Disciplina: Direito Urbanístico
Banca: CETRO
Orgão: Min Cidades

O Estatuto da Cidade foi criado para, entre outras finalidades, estabelecer instrumentos para a política urbana. Um importante instrumento é o da instituição de zonas especiais de interesse social. Sobre essas zonas especiais, analise as assertivas abaixo.

I. São zonas urbanas destinadas ao uso habitacional e/ou institucional, ou seja, integram o perímetro urbano do município e devem possuir infraestrutura e serviços urbanos ou garantir a viabilidade da sua implantação.

II. Devem se submeter à fiscalização e controle do Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Habitação, de modo a garantir que o poder local estabeleça regras que foram debatidas em encontros de âmbito nacional.

III. Devem ser criadas por lei (Plano Diretor ou outra lei municipal). Como interferem com as possibilidades de aproveitamento do solo urbano e atingem de forma diferenciada as diversas áreas da cidade, com regras que se aplicam tanto aos terrenos públicos quanto particulares, as ZEIS devem ser criadas por lei de igual hierarquia das leis que instituem o zoneamento ou disciplina de uso do solo do município.

IV. São áreas sujeitas a regras específicas de parcelamento, uso e ocupação do solo. Por um lado, tais regras devem viabilizar a regularização fundiária dos assentamentos precários existentes e consolidáveis. Por outro lado, devem facilitar a produção de moradias de interesse social, mediante padrões urbanísticos e edilícios mais populares, sempre com o cuidado de garantir condições de moradia digna.

V. Trata-se do direito à concessão de uso de terrenos públicos ou particulares, remunerada ou gratuita, por tempo certo ou indeterminado, como direito real resolúvel, para fins específicos de regularização fundiária de interesse social, urbanização, industrialização, edificação, cultivo da terra, aproveitamento sustentável das várzeas, preservação das comunidades tradicionais e seus meios de subsistência ou outras modalidades de interesse social em áreas urbanas.

É correto o que se afirma em

 

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104144 Ano: 2013
Disciplina: Direito Urbanístico
Banca: CETRO
Orgão: Min Cidades
O Estatuto da Cidade estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, bem como do equilíbrio ambiental. O ordenamento e o controle do uso do solo pretendem evitar as seguintes condições, exceto:
 

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104143 Ano: 2013
Disciplina: Geografia
Banca: CETRO
Orgão: Min Cidades

enunciado 1931891-1

Sobre essas diferenças regionais, marque V para verdadeiro ou F para falso e, em seguida, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

( ) A região concentrada brasileira caracteriza-se pela implantação mais consolidada dos dados da ciência, da técnica e da informação. Possui atividades ligadas à globalização, que produzem novíssimas formas específicas de terciário superior.

( ) A região Amazônica diminui relativamente a importância do papel das atividades extrativas, e torna-se a nova área dos chamados belts modernos destinados à produção de produtos agrícolas como soja e cana-de-açúcar.

( ) A região Nordeste torna-se uma área de ocupação periférica recente. O meio técnico-científicoinformacional se estabelece em um território bastante frágil, pré-técnico, onde a vida de relações era rala e precária.

( ) A região Centro-Oeste amplia sua participação no PIB brasileiro com a ampliação das áreas agriculturáveis, tornando-se a principal produtora de soja, algodão e milho do país.

Graças ao acréscimo da ciência, técnica e informação, maiores volumes de produtos são obtidos em áreas já consolidadas.

 

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