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Respondida
Os direitos políticos, fundamentais para a cidadania, garantem a participação popular no Estado,
permitindo a construção da vontade nacional. Sobre a fruição de tais direitos, assinale a alternativa
correta.
Respondida
As emendas parlamentares ao projeto de Lei
Orçamentária Anual representam um instrumento
fundamental de participação do Poder Legislativo
na definição das prioridades de gasto público, tendo
seu regime jurídico significativamente alterado por
Emendas Constitucionais recentes e consolidado
pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
(STF). Considerando as normas constitucionais e
o entendimento dos Tribunais Superiores sobre o
tema, assinale a alternativa INCORRETA.
A
As emendas individuais impositivas, cuja execução é obrigatória, devem observar o limite
de 1,2% da receita corrente líquida realizada
no exercício anterior, sendo metade desse percentual destinada a ações e serviços públicos
de saúde, vedada a destinação para despesas
de custeio sem vinculação a finalidade específica, conforme entendimento do STF sobre as
chamadas “emendas PIX”.
B
A execução das emendas de bancada de parlamentares, também de caráter impositivo,
é condicionada à observância de um percentual mínimo da receita corrente líquida, e sua
destinação deve ser compatível com o Plano
Plurianual e a Lei de Diretrizes Orçamentárias,
sendo vedado o remanejamento de recursos
entre programas de trabalho sem a prévia autorização legislativa.
C
A Emenda Constitucional nº 126/2022, ao
extinguir as emendas de relator-geral (RP9),
instituiu as emendas de comissão permanente
das Casas Legislativas, conferindo-lhes caráter
impositivo e estabelecendo critérios objetivos
para sua distribuição e execução, com o objetivo
de promover maior transparência e previsibilidade na alocação de recursos.
D
A jurisprudência do STF consolidou o entendimento de que a execução orçamentária das
emendas parlamentares impositivas não pode
ser obstada por meros óbices burocráticos ou
por discricionariedade do Poder Executivo, exigindo-se a comprovação de impedimento técnico insuperável para justificar a não execução,
sob pena de responsabilidade.
E
A Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei Complementar nº 101/2000) aplica-se integralmente
à execução das emendas parlamentares, sendo
que a sua inobservância, especialmente quanto
aos limites de despesa com pessoal e endividamento, pode ensejar a responsabilização dos
gestores públicos e a suspensão de transferências voluntárias.
Respondida
A compreensão da estrutura da Administração
Pública e dos regimes jurídicos aplicáveis à prestação de serviços públicos é crucial para a atuação do
Ministério Público na fiscalização e defesa dos interesses sociais. Sobre a organização administrativa e
os serviços públicos, assinale a alternativa correta.
A
As empresas públicas e sociedades de economia
mista, por possuírem personalidade jurídica de
direito privado, submetem-se integralmente ao
regime jurídico das empresas privadas, inclusive no que tange à dispensa de licitação para
contratações e à livre contratação de pessoal,
sem concurso público.
B
A Lei nº 13.460/2017, que estabelece normas
básicas para a participação, proteção e defesa
dos direitos dos usuários de serviços públicos,
aplica-se exclusivamente aos serviços públicos
prestados diretamente pela Administração Pública, não abrangendo os serviços delegados a
concessionárias e permissionárias.
C
As Parcerias Público-Privadas (PPPs) e as concessões de serviços públicos, embora transfiram
a execução do serviço ao particular, não eximem
o Poder Público da responsabilidade pela sua
fiscalização e pela garantia da continuidade e
adequação da prestação, podendo o Ministério Público atuar para assegurar a efetividade
desses deveres.
D
Os consórcios públicos, instituídos pela Lei
nº 11.107/2005, podem adquirir personalidade
jurídica de direito público ou privado, sendo
que, na primeira hipótese, submetem-se ao
regime de direito público, mas, na segunda,
ficam dispensados de observar as normas de
licitação e concurso público para contratação
de pessoal.
E
O Ministério Público possui atribuição para fiscalizar os repasses de recursos públicos para
entidades do Terceiro Setor (Organizações Sociais, OSCIPs e OSCs), mas sua atuação se
restringe à verificação da legalidade formal dos
convênios e termos de parceria, não podendo
adentrar na análise da economicidade ou da
efetividade da aplicação dos recursos.
Respondida
A Lei nº 14.133/2021 (Nova Lei de Licitações e
Contratos Administrativos) e a Lei nº 12.846/2013
(Lei Anticorrupção) estabelecem um regime de
responsabilização e prevenção de ilícitos que exige
profunda compreensão da interação entre seus dispositivos e a interpretação dos Tribunais Superiores.
Considerando a jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ)
sobre a matéria, assinale a alternativa INCORRETA.
A
A responsabilidade objetiva da pessoa jurídica
por atos lesivos à administração pública, nos
termos da Lei Anticorrupção, não implica a extensão automática das sanções administrativas
a todas as empresas de um mesmo grupo econômico, exigindo-se a comprovação de atuação
conjunta ou de confusão patrimonial para tal
extensão, conforme entendimento do STJ.
B
A existência e a efetividade de um programa de
integridade, embora não afastem a responsabilidade objetiva da pessoa jurídica, são fatores
que devem ser considerados na dosimetria
das sanções administrativas e na avaliação da
boa-fé do licitante, conforme expressamente previsto na Lei nº 14.133/2021 e na Lei
nº 12.846/2013.
C
O acordo de leniência, celebrado com a Controladoria-Geral da União ou com o Ministério
Público, tem o condão de isentar a pessoa jurídica das sanções de proibição de contratar com
o poder público e de declaração de inidoneidade, mas não a exime da obrigação de reparar
integralmente o dano causado à Administração
Pública.
D
A sanção de declaração de inidoneidade
para licitar ou contratar, prevista na Lei
nº 14.133/2021, possui efeitos erga omnes e
impede a pessoa jurídica de participar de licitações e celebrar contratos com qualquer ente
da Administração Pública, em todos os níveis
de governo, independentemente do órgão que
a aplicou.
E
A Lei nº 14.133/2021, ao prever a exigência
de programa de integridade para contratações
de grande vulto, não dispensa a Administração
Pública de realizar diligência prévia para verificar a efetividade das medidas de compliance,
sendo insuficiente a mera apresentação formal
do programa para atestar a boa-fé do licitante.
Respondida
A interface entre a Lei de Acesso à Informação
(LAI), a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e os
mecanismos de solução consensual de conflitos com
o Poder Público representa um campo complexo e
de grande relevância para a atuação do Ministério
Público, especialmente no que tange à proteção
de direitos fundamentais e à eficiência da gestão
pública. Sobre esses temas, assinale a alternativa
correta.
A
A Lei de Acesso à Informação (Lei
nº 12.527/2011) estabelece que o acesso a
informações pessoais relativas à intimidade,
vida privada, honra e imagem é irrestrito, desde que a informação seja de interesse público,
prevalecendo o princípio da publicidade sobre
o da privacidade, conforme entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal.
B
O Ministério Público, em sua função de fiscal da
lei e defensor dos direitos e interesses difusos
e coletivos, não possui competência para atuar
na fiscalização do cumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (Lei nº 13.709/2018) por
órgãos públicos e entidades privadas, sendo
a Autoridade Nacional de Proteção de Dados
(ANPD) o único órgão com atribuição para
impor sanções administrativas e promover a
adequação.
C
A celebração de Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) pelo Ministério Público com entes
da Administração Pública, visando à adequação
de condutas e à reparação de danos, constitui
um instrumento de autocomposição que, uma
vez homologado judicialmente, adquire eficácia
de título executivo extrajudicial, vinculando as
partes e evitando a propositura de ação judicial,
mas não impede a responsabilização por atos
de improbidade administrativa que exijam dolo
específico.
D
A Lei nº 13.655/2018, ao alterar a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB),
preconiza que as decisões administrativas, controladoras ou judiciais que impuserem compensação ou sanção devem considerar a existência
de obstáculos e dificuldades reais do gestor, as
circunstâncias práticas que levaram à decisão
e as consequências jurídicas, administrativas
e econômicas da anulação, o que exige uma
análise consequencialista e proporcional, sem,
contudo, afastar a responsabilização por condutas ilegais ou ímprobas.
E
Os portais da transparência, embora essenciais
para a LAI, não podem divulgar dados pessoais
de servidores públicos, como remuneração e
lotação, sob pena de violação da LGPD, prevalecendo o direito à privacidade sobre o princípio da publicidade na Administração Pública,
mesmo após o Tema 483 de Repercussão Geral
do STF.
Respondida
O controle da Administração Pública e a fiscalização das políticas públicas pelo Ministério Público
são temas de complexidade crescente, especialmente diante das diretrizes da Lei nº 13.655/2018 (que
alterou a LINDB) e da jurisprudência do Supremo
Tribunal Federal sobre o ativismo judicial e os limites da intervenção do Poder Judiciário. Analise as
proposições a seguir e assinale a alternativa correta.
A
A Lei nº 13.655/2018, ao introduzir o art.
20 na LINDB, impõe aos órgãos de controle,
incluindo o Ministério Público, o dever de considerar as consequências práticas da decisão
administrativa, o que implica uma mitigação do
controle de legalidade em favor de uma análise de custo-benefício da intervenção, vedando a
anulação de atos administrativos com base em
vícios meramente formais.
B
A intervenção do Poder Judiciário, e por extensão do Ministério Público, no mérito das políticas
públicas é vedada em qualquer hipótese, sob
pena de violação ao princípio da separação dos
poderes e da discricionariedade administrativa, ainda que a omissão estatal comprometa
o mínimo existencial e a dignidade da pessoa
humana, pois a reserva do possível prevalece
sobre o direito fundamental.
C
O controle exercido pelos Tribunais de Contas
possui natureza exclusivamente fiscalizatória e
opinativa, não produzindo efeitos vinculantes
para o Ministério Público em suas ações de responsabilização, que deve reavaliar integralmente a matéria de fato e de direito, independentemente da decisão da Corte de Contas, mesmo
em face de imputação de débito ou multa.
D
A teoria dos motivos determinantes, aplicada
aos atos administrativos discricionários, permite ao Poder Judiciário invalidar o ato caso
os motivos declarados pela Administração não
correspondam à realidade, mas não autoriza a
substituição da motivação ou a imposição de
nova conduta ao administrador, sendo que a
Lei nº 13.655/2018 reforça essa limitação ao
controle judicial.
E
O Ministério Público, ao atuar no controle de
políticas públicas, pode propor a judicialização
de demandas para exigir a implementação de
medidas que garantam direitos fundamentais,
mesmo que isso implique a definição de prioridades orçamentárias e a escolha de métodos
de execução, desde que haja omissão inconstitucional ou ilegalidade manifesta e a decisão
judicial observe o consequencialismo e a ponderação de interesses públicos.
Respondida
A Lei nº 14.230/2021 promoveu substanciais
alterações na Lei de Improbidade Administrativa (Lei
nº 8.429/1992), impactando diretamente a atuação do Ministério Público na defesa do patrimônio
público. Considerando as inovações legislativas e
a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal
Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ),
assinale a alternativa correta.
A
A exigência de dolo específico para a configuração de todos os atos de improbidade administrativa, introduzida pela Lei nº 14.230/2021,
retroage para beneficiar todos os atos ímprobos
culposos praticados antes de sua vigência, em
razão do princípio da retroatividade da lei penal
mais benéfica, aplicado subsidiariamente ao
direito administrativo sancionador.
B
A celebração de acordo de não persecução cível
(ANPC) pelo Ministério Público, nos termos da
nova LIA, obsta a propositura de ação de improbidade administrativa contra o agente público,
mas não impede a responsabilização da pessoa
jurídica por meio de processo administrativo
de responsabilização (PAR) com base na Lei
Anticorrupção.
C
A Lei nº 12.846/2013 (Lei Anticorrupção) estabelece a responsabilidade objetiva da pessoa
jurídica por atos lesivos à administração pública,
sendo que a sua aplicação não afasta a possibilidade de responsabilização do agente público
por improbidade administrativa, desde que
comprovado o dolo em sua conduta, conforme
a nova sistemática da LIA.
D
O reconhecimento da prescrição intercorrente
na ação de improbidade administrativa, após a
Lei nº 14.230/2021, opera-se de forma automática e independe de provocação das partes,
bastando o transcurso do prazo de quatro anos
sem prolação de sentença ou acórdão que confirme a condenação.
E
A sanção de perda da função pública, aplicada em sede de improbidade administrativa,
restringe-se à função exercida pelo agente no
momento da prática do ato ímprobo, não alcançando eventual novo vínculo funcional que o
agente venha a ocupar após a condenação, em
observância ao princípio da proporcionalidade.
Respondida
A palavra “educação” deriva do latim educere ,
que significa desenvolver, extrair, ministrar o necessário ao crescimento da personalidade do indivíduo, acompanhando-o do nascimento à morte. No
tocante ao direito educacional, analise as seguintes
assertivas. I. A educação, direito de todos e dever do Estado
e da família, será promovida e incentivada com
a colaboração da sociedade, visando ao pleno
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para
o exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho.
II. O dever do Estado com a educação será efetivado mediante a garantia de, entre outros
quesitos, Educação Básica obrigatória e gratuita
dos 5 (cinco) aos 17 (dezessete) anos de idade,
assegurada inclusive sua oferta gratuita para
todos os que a ela não tiveram acesso na idade
própria.
III. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei nº 13.394/1996 traz expressamente
a previsão de medidas de conscientização, de
prevenção e de combate a todos os tipos de violência, especialmente a intimidação sistemática
(bullying ) no âmbito escolar e visa a estabelecer
ações destinadas a promover a cultura de paz
nas escolas.
IV. A defesa da ordem jurídica, do regime democrático, dos interesses sociais e individuais
indisponíveis, relacionada ao pleno cumprimento da Lei nº 14.113/20, FUNDEB, compete
ao Ministério Público dos Estados e do Distrito
Federal e Territórios e ao Ministério Público Federal, especialmente quanto às transferências
de recursos federais, excluindo a legitimidade
de terceiros para a propositura de ações a que
se referem o inciso LXXIII do caput do art. 5º
e o § 1º do art. 129 da Constituição Federal. V. Conforme entendimento do STF, a Educação Básica em todas as suas fases – Educação Infantil,
Ensino Fundamental e Ensino Médio – constitui
direito fundamental de todas as crianças e jovens, assegurado por normas constitucionais de
eficácia plena e aplicabilidade direta e imediata.
Assinale a alternativa correta.
A
I, III e V, apenas.
B
I, II, III, IV e V.
C
II, IV e V, apenas.
D
I, II, III e V, apenas.
E
I, III, IV, V, apenas.
Respondida
Sobre o direito à saúde, direito fundamental garantido pelo art. 196 da Constituição Federal,
assinale a alternativa INCORRETA.
A
O Plenário do Supremo Tribunal Federal assentou a possibilidade de, após a análise minuciosa
das circunstâncias de cada caso concreto e a
realização de juízo de ponderação, o Poder Judiciário garantir o direito à saúde por meio do
fornecimento de medicamento ou de tratamento
indispensável para o aumento de sobrevida e a
melhoria da qualidade de vida do paciente da
rede pública de saúde.
B
O art. 196 da Constituição Federal não consubstancia mera norma programática, incapaz
de produzir efeitos, não havendo dúvidas de
que obriga o poder público a garantir o direito
à saúde mediante políticas sociais e econômicas, bem como a exercer ações e serviços
de forma a proteger, promover e recuperar
a saúde. Quando demandado, restringe-se o
papel do Poder Judiciário à determinação de
cumprimento da prestação devida, tratando-se
de conferir efetividade à garantia do direito à
saúde, norma constitucional cuja aplicabilidade
é plena e imediata.
C
Regra geral, na inteligência jurisprudencial do
egrégio Supremo Tribunal Federal, o recebimento de medicamentos pelo Estado é direito
fundamental, podendo o cidadão pleiteá-los de
qualquer um dos entes federativos, desde que
demonstrada sua necessidade e a impossibilidade de custeá-los com recursos próprios. Isso
porque, uma vez satisfeitos tais requisitos, o
ente federativo deve se pautar no espírito de
solidariedade para conferir efetividade ao direito
garantido pela Constituição e não criar entraves
jurídicos para postergar a devida prestação
jurisdicional.
D
O Tema nº 6 do STF e a Súmula Vinculante
nº 61 dizem respeito, especificamente, a medicamentos com registro na ANVISA, mas não
incorporados às listas de dispensação do SUS
(RENAME, RESME, REMUME, entre outras) e
estabelecem que não será admitida a concessão
judicial de tais fármacos, quando ausentes os
requisitos cumulativos elencados do bojo da
referida tese. Já por meio do Tema nº 1234,
foi reconhecida a repercussão geral da questão
relativa à legitimidade passiva dos estados e
municípios, excluída a União, e consequentemente a competência da Justiça Federal nas
demandas sobre fornecimento de medicamentos não incorporados ao SUS.
E
Tratando-se de medicamentos não incorporados
às listas de dispensação do SUS (RENAME,
RESME, REMUME, entre outras), é do autor da
ação o ônus de demonstrar, com fundamento na
Medicina Baseada em Evidências, a segurança
e a eficácia do fármaco, bem como a inexistência de substituto terapêutico incorporado pelo
SUS. Da mesma forma, não basta a simples
alegação de necessidade do medicamento,
mesmo que acompanhada de relatório médico,
sendo necessária a demonstração de que a
opinião do profissional encontra respaldo em
evidências científicas de alto nível, ou seja,
unicamente ensaios clínicos randomizados,
revisão sistemática ou meta-análise.
Respondida
Sobre a atuação e a intervenção do Ministério
Público no âmbito do Estatuto da Pessoa Idosa (Lei
nº 10.741/2003), assinale a alternativa INCORRETA.