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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Analise os trechos a seguir, retirados do texto:

• “Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros fizeram por mim?”
• “Caminham sozinhas, descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam”.

Assinale a alternativa que apresenta, correta e respectivamente, o sentido de cada ocorrência da preposição “por” no contexto em que ocorre.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o trecho “Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a beleza dos gestos”, retirado do texto, é correto afirmar que “mesmo assim” expressa relação de ______________ e poderia ser substituída por _______________, de sentido equivalente, _____________ necessárias alterações no período a fim de que se mantenha sua correção.

Assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas do trecho acima.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os termos e as orações que compõem o trecho abaixo, retirado do texto, analise as assertivas a seguir e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.

“Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria, pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou”.

( ) A expressão “depois de escrita” é um adjunto adverbial que situa a ação em relação ao tempo.
( ) A primeira oração apresenta sujeito indeterminado.
( ) Todas as orações são expressas na voz ativa, o que personifica o termo “obra”.

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
 

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“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que indica quantas outras alterações seriam obrigatoriamente necessárias para manter as corretas relações de concordância no período a seguir, retirado do texto, caso substituíssemos o vocábulo “palavras” por sua forma no singular.

“As palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe”.
 

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Ai, palavras

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“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando os trechos a seguir, retirados do texto, assinale a alternativa em que a palavra sublinhada NÃO seja um pronome indefinido.
 

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envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando a palavra “deslumbramento”, presente no trecho abaixo, retirado do texto, analise as assertivas a seguir:

“Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento diante da linguagem”.

I. Foi formada por derivação prefixal, a partir da adição do prefixo “des-”.
II. Apresenta, em sua estrutura, dois encontros consonantais e dois dígrafos.
III. Poderia ser substituída por “encantamento” pela proximidade de sentido.

Quais estão corretas?
 

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“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta uma palavra ou expressão que poderia substituir corretamente “fazer alarde” no trecho a seguir, retirado do texto, sem causar alterações significativas ao sentido no contexto em que ocorre.

“As palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o emprego do acento indicativo de crase, assinale a alternativa que preenche, correta e respectivamente, as lacunas tracejadas dos trechos a seguir, retirados do texto:

• “Não apenas suas ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor”.
• “Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece depois da última página”.
• “Escapam das mãos de quem ___ escreveu”.
 

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“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Assinale a alternativa que apresenta um trecho do texto cujo sentido seja o mais próximo ao que é expresso em “faz bem perceber que há relação entre uma criação e seu criador”.
 

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Ai, palavras

Por Helô Bacichette

“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a vossa!” Há versos que nunca

envelhecem. Os de Cecília Meireles continuam me espantando como na primeira leitura. As

palavras têm esse dom: atravessam o tempo, despertam memórias, consolam tristezas e, sem

fazer alarde, transformam a vida de quem as acolhe.

Sempre acreditei que um escritor deixa um pouco de si em cada página. Não apenas suas

ideias, mas seu modo de olhar o mundo, de acolher ___ beleza e de atravessar a dor.

Foi assim quando li a poesia de Elias José. Nela encontrei um encantamento que parecia

conversar diretamente com a infância. Anos depois, ao conhecê-lo pessoalmente, descobri que

a delicadeza dos livros também habitava seus gestos. As palavras tinham encontrado morada

em quem as escrevera.

Também experimentei uma forte admiração pelo escritor Mia Couto. Seus livros

despertaram diferentes emoções. Não apenas espanto, mas uma espécie de deslumbramento

diante da linguagem. Sua obra é profundamente sensível, dessas que parecem abrir outras

formas de perceber o mundo. Depois de conhecer um pouco de sua maneira de existir,

encontrei a mesma serenidade que havia descoberto em sua escrita.

Mas a vida também nos apresenta o avesso. Há autores que escrevem páginas luminosas

e, ao encontrá-los, revelam-se distantes, impacientes ou simplesmente indiferentes. Ressurge,

então, uma antiga pergunta: devemos separar o autor da obra?

Muitos defendem que sim. Dizem que, depois de escrita, a obra ganha vida própria,

pertence aos leitores e já não pode ser medida pelo temperamento de quem a criou. É uma

ideia que faz sentido.

Mesmo assim, confesso: alegra-me encontrar uma ponte entre a beleza das palavras e a

beleza dos gestos. Não espero perfeição dos escritores. Todos somos maiores e menores do

que aquilo que escrevemos. Mas gosto de perceber que, ___ vezes, a delicadeza permanece

depois da última página.

Quem sabe essa expectativa seja apenas uma forma de gratidão por tudo que os livros

fizeram por mim?

No fim, porém, as palavras seguem seu próprio destino. Escapam das mãos de quem ___

escreveu, atravessam fronteiras, consolam desconhecidos e tocam vidas que seus autores

jamais encontrarão. E, depois de ditas, elas já não nos pertencem. Caminham sozinhas,

descalças de nós, inventando outros sentidos por onde passam.

(Disponível em: https://gauchazh.clicrbs.com.br/pioneiro/colunistas/helo-bacichette/noticia/2026/07/ai-palavras-cmr85go6002ls015toao0ky76.html – texto adaptado especialmente para esta prova).

Considerando o exposto pelo texto, analise as assertivas a seguir:

I. No contexto em que aparece no texto, dizer que “Há versos que nunca envelhecem” equivale a dizer que os versos seguem impactando leitores de diferentes gerações.
II. Considerando a descrição apresentada do poeta Elias José, pode-se inferir que seus livros e seus gestos tinham características em comum.
III. A escrita de Mia Couto só foi compreendida e sentida pela autora após um encontro pessoal com o escritor no qual ele abordou seus pontos de vista.

Quais estão corretas?
 

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